Não são poucas as vezes que temos certeza de estarmos fazendo a coisa certa, mesmo com muitos fatores nos apontando que estamos no caminho errado. Se temos absoluta certeza, isso se chama convicção. Ao insistirmos, ao final do processo, mostraremos que estávamos certos. Porém, quando a insistência se mostra infrutífera, quando todos a sua volta te apontam os erros, quando os resultados esperados nunca são obtidos, nesse momento, ultrapassamos a tênue linha entre convicção e teimosia. Perdemos a mão.



A história é generosa com os convictos. Insista em seu propósito, obtenha os resultados e será reconhecido por todos como um visionário, como um exemplo de perseverança e obstinação pelos seus objetivos. Porém, a mesma história é perversa com os teimosos. Insista em demasia, não chegando à suas metas e enfrentará a intolerância e o desprezo dos que a todo momento falaram: eu avisei.

Zé Ricardo ultrapassou a linha. A ponto de perder jogos, pontos, os admiradores que conquistou (eu, inclusive), a confiança da torcida e até mesmo o grupo de jogadores. No momento que a meritocracia é bradada aos quatro ventos no Ninho do Urubu, mas insiste em fugir da prática no dia a dia, Zé Ricardo vai marcando sua carreira, extremamente promissora, por um fracasso completamente evitável. E isso está muito claro.

Repetir nessas linhas sobre a insistência com alguns jogadores, capitaneados por Marcio Araujo, é chover no molhado. Prefiro falar das poucas opções táticas apresentadas por um grupo que só vem se tornando mais forte em valores individuais. Prefiro falar da não apresentação de jogadas ensaiadas, não só no ataque, mas principalmente na recomposição e nas bolas paradas no setor defensivo. Prefiro falar da ilha que hoje é o Zé Ricardo, cercada de pensamentos e atitudes contraditórias por todos os lados.

Hoje, mais uma partida decisiva pelo Campeonato Brasileiro. Com o nosso elenco, mesmo sem a estreia do Everton Ribeiro, temos potencial para conquistarmos uma tranquila vitória frente ao Chapecoense na Ilha do Urubu. Mas o time titular sugerido pelos setoristas é a garantia de não termos garantia alguma da vitória. Pobre torcedor do agora rico Flamengo. A cada contratação de um craque, fica o gostinho ambíguo de ter o céu como limite, mas ter nas insistências do nosso treinador o impedimento de voar.

Nós, torcedores, movidos incondicionalmente pelo amor rubro-negro, ultrapassamos invariavelmente a linha que divide a emoção da razão. Muitas vezes queremos mais do que podemos. Não é o caso. O torcedor, hoje, vive uma dicotomia, um sentimento dúbio, mistura do “temos o melhor elenco do Brasil” e do “os mesmos de sempre serão titulares”. Hoje, racionalmente, podemos muito mais do que apresentamos. E só mesmo a emoção para nos deslocar até a Ilha do Urubu para gritar Mengo a plenos pulmões e trazer na marra a vitória. Não precisava ser assim. Saudações Rubro-Negras.

 
Felipe Foureaux escreve todas as quintas-feiras. Siga-o no Twitter: @FoureauxFla



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