Em participação no programa “Enquanto a Bola Não Rola”, da Rádio Globo, o vice-presidente de Comunicação, Antonio Tabet, respondeu longamente às críticas feitas e ele pelo volante Felipe Melo em sua coletiva de apresentação no Palmeiras, na terça-feira. Leia a íntegra do que Tabet disse, dividida em tópicos para facilitar a leitura:

Fechando portas

Para começar, eu não sou vice-presidente de Marketing, sou vice-presidente de Comunicação. Segundo, ele fala que não entende como o Flamengo tem um profissional como eu trabalhando no clube. Ele tem razão no seguinte: eu não sou profissional do Flamengo. Meu cargo é estatutário. Eu não ganho um real do Flamengo para estar no Flamengo. Então profissional eu não sou. Quem é profissional do futebol é ele. Ele é que está no Palmeiras, ganhando dinheiro e amanhã poderia estar no Flamengo, no Botafogo, no Vasco, no Coritiba, no Mirassol, em qualquer lugar. Então quando ele faz esse tipo de coisa ele fecha portas, o que para um profissional pra mim é um negócio meio estranho, não deveria fazer.

Jogando pra torcida

Terceiro: eu nunca fiz uma crítica ao Felipe Melo. O que eu fiz foi usar minha conta pessoal do Twitter para fazer um comentário sobre pessoas que utilizam-se das redes sociais para fazer pressão… A torcida faz pressão na gente. A imprensa faz pressão na gente. O que acontece muito é o seguinte: chega essa época de intertemporada, ou pré-temporada, e aparece um bando de jogador beijando o escudo da camisa, vestindo camisa, falando que quer jogar no Flamengo, quer jogar no Vasco, quer jogar sei lá aonde…A torcida faz uma pressão danada: o cara quer ir. Se o cara quer ir, o que falta? É só ir lá e contratar, é só ir lá e pegar o cara, como se fosse uma maçã numa feira. E não é assim. Para você contratar um jogador tem que negociar, tem salário… E muitos deles fazem esse tipo de pressão para a torcida pressionar dirigente e para o dirigente, na hora que for consultar o jogador, ele coloca a faca no pescoço do dirigente e diz: mas a torcida me quer, e aí? E isso aconteceu. Não foi o caso do Felipe Melo. Inclusive eu já falei isso ao vivo, na televisão, antes da entrevista do Felipe Melo. Mas de outros jogadores já aconteceu sim. E se fosse o Felipe Melo eu falaria: foi o Felipe Melo. Não foi. Aí ele fez esse carnaval todo. Eu acho que ou ele não viu, ou não leram pra ele, ou até ele se usou disso para aparecer.

Pedida de 1 milhão

Ele diz assim: não sei de onde surgiu essa história de 1 milhão quando o Flamengo o procurou. Quando o Flamengo o procurou, eu não era vice-presidente de Comunicação do Flamengo ainda. Mas se ele não sabe de onde saiu essa história de 1 milhão, por que ele não diz o quanto ele pediu? Por que ele não diz: eu não pedi 1 milhão, pedi tanto? Ele poderia falar. Porque eu acho que esse tipo de coisa não surge assim do nada, é a impressão que eu tenho.

Jogador violento

Ele me elogiou como comediante, eu gostei disso, fiquei bastante lisonjeado porque ele falou que eu o faço rir. Eu infelizmente não tenho esse tipo de reação quando assisto aos vídeos do Felipe Melo. Ele diz que não é um jogador violento, e para mim ele é um jogador violento sim. É um jogador que se você procurar os melhores momentos dele em quaisquer compilações que existam por aí você vai ver que tem muito mais carrinhos do que passes precisos, do que gols, do que jogadas legais. É um cara que põe esse espírito de violência em campo. O cara que fala o meu tipo de futebol é o que tem tapa na cara não é esse tipo de cara que eu quero ver no Flamengo. O Flamengo do meu imaginário é o Flamengo do Zico, do Leandro, do Adílio, do Pet, do Ronaldo Angelim, jogadores que sabiam jogar e que tinham espírito esportivo. O nome disso é espírito esportivo. Imagine você se o Flamengo contratasse um jogador que na primeira entrevista coletiva dele dissesse que se for preciso dará sim tapa na cara de uruguaios com um jogo contra o Peñarol pela frente na Libertadores. É o caso do Palmeiras. O Palmeiras vai jogar contra o Peñarol na Libertadores. A notícia já repercutiu lá no Uruguai. Como você acha que os uruguaios estão enxergando esse tipo de declaração dele, que ele vai dar tapa na cara de uruguaio? Como você acha que o Lugano, que joga no São Paulo, que é arquirrival do Palmeiras lá vai enfrentar o Felipe Melo em campo? Isso para mim não é o tipo de Flamengo que eu quero.


‘Não é um grande jogador’

A lembrança que eu tenho do Felipe Melo como jogador do Flamengo é uma lembrança feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz por causa do gol que ele fez contra o Palmeiras lá quando a gente estava fugindo contra o rebaixamento em 2001 (na realidade o gol que Felipe fez foi contra o Internacional). Ou seja, não o considero um grande jogador, pode ser que ele surpreenda, pode ser que ele faça diferença no Brasil. Lá fora fez a carreira dele, ganhou muito dinheiro, imagina quanto dinheiro teria o Dé se jogasse nos dias de hoje. Ou o Zico, ou o Leandro, ou o Adílio, ou todos os outros. Porque hoje no futebol o dinheiro vai crescendo em progressão geométrica.

Falta de consideração com os colegas

E eu acho que o Felipe Melo deveria ter com os outros a mesma consideração que ele quer que tenham com ele. Ninguém lembra dessa história direito, mas quando ele reclama que as pessoas o tratam de uma certa maneira, disso ou daquilo etc, é porque esse comportamento dele de violência também não pensa na família dos colegas. Ele quando dá uma entrada dessa, quando pisa num cara em campo, ele pensa na família do jogador que vai ficar parado sei lá quantos meses, pode até encerrar a carreira numa entrada dessas? O Fágner que deu uma entrada no Ederson no ano passado deu outra entrada idêntica no lateral do São Paulo, poderia ter acontecido a mesma coisa com o lateral do São Paulo, e o que acontece com o Fágner? Vai pra seleção brasileira, tá na seleção brasileira. Esse não é o futebol que eu gosto de ver. Futebol é esporte, futebol é pra ser jogado. E o senhor Felipe Melo, antes de ir embora do Brasil, eu não sei como é que terminou essa história, taí no Google, qualquer um pode procurar, ele foi acusado de esfaquear um cara aqui no Rio de Janeiro. Isso também contribui para a maneira como você enxerga o atleta. E aí?

 
 
O que você pensa sobre isso?


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