Quando o rubro-negro Fred Barros planejou conhecer o Chile, sequer passava pela sua cabeça que seria um daqueles torcedores agraciados com uma vitória do Flamengo no país, em partida válida pelas oitavas-de-final da Copa Sul-Americana 2016.

“O Sheik entrou e um profeta anônimo cravou que o gol seria dele”, brinca sobre o momento que o esquecido atacante foi chamado por Zé Ricardo para entrar na partida.

Leia abaixo o relato do nosso leitor.

A viagem já estava marcada há alguns meses. Uma semana de férias em Santiago apenas para passear.

Quis o destino, entretanto, que no dia em que pousei na cidade, o Palestino tenha se tornado o adversário do Flamengo na Copa Sul-Americana, ao eliminar o peruano Real Garcilaso.

Mas foi só no domingo seguinte, após a vitória sobre o Figueira pelo Brasileiro, que fiquei sabendo por amigos no WhatsApp que teria a chance de acompanhar meu time pela primeira vez fora do Rio. E logo fora do país!


Desde domingo comecei a buscar informações sobre como comprar ingressos para o setor de visitantes. Mesmo no site do Palestino não tinha nada. Outra questão era como chegar e voltar do estádio. É possível andar a cidade toda de metrô, mas como ele fecha às 23hs, não seria possível voltar dessa forma. Acabei, também por receio com a segurança, combinando um translado de ida e volta com a mesma pessoa que me alugou o apartamento em Santiago. Depois, com informações do blog Mundo Rubro Negro, comprei o ingresso no próprio estádio na manhã do dia do jogo. Combinei de ir cedo por causa do trânsito, mas me decepcionei em um ponto. Não foi possível tomar aquela gelada para fazer o “aquecimento” pré-jogo, pois no Chile é proibido beber na rua e também não se pode vender bebidas alcoólicas no estádio.

Então, aproveitei para me enturmar com os outros flamenguistas que também chegaram cedo. Dividimos as estórias, desde casos como o meu, pessoas que vieram só para ver o jogo de diversas partes do Brasil ou até países vizinhos, brasileiros que moravam no Chile e até chilenos que conheciam o Fla e resolveram assistir. Aliás, me surpreendi com a quantidade de rubro-negros no jogo. Pelo menos 200 pessoas, acho eu. Mas, os mais curiosos e animados chegaram a poucos minutos do início do jogo. Um grupo de chilenos, que visivelmente tinham conseguido o aquecimento pré-jogo que me fez falta e chegaram cantando, pulando e fazendo uma baita festa. Tinham músicas próprias em espanhol que tentaram nos ensinar e tentaram aprender e cantar as nossas em português. Depois descobri que eram torcedores de um time amador local de nome Club Deportivo Flamengo, que aproveitaram a oportunidade para torcer pelo xará famoso. A sinergia ficou bem legal e cantamos praticamente o jogo todo.

Mais que a própria torcida do Palestino, bem modesta também (o público total do jogo foi de pouco mais de 6 mil pessoas). O jogo em si não foi de muito bom nível, já que o Fla botou um time misto e o Palestino não tem lá um grande time. A maioria já estava se conformando com um empate quando o Sheik entrou. Mas, como sempre vemos nas arquibancadas, um profeta anônimo cravou que ele faria o gol da vitória e dito e feito. Vitória na primeira experiência fora do Rio e do Brasil, mostrando que sou pé quente.

Experiência única, que espero ter mais vezes.