Todo esporte, por mais que pareça em sua essência algo puramente físico, também envolve uma grande parcela de esforço intelectual. Mesmo a luta mais violenta exige algum tipo de estratégia, mesmo o levantamento mais bruto de peso exige uma técnica específica, mesmo o esforço mais instintivo quase sempre esconde por trás de si uma parcela de análise e decisão.

E no futebol, mais ainda. Não apenas por ser um jogo de ocupação de espaços, cálculo de trajetórias, disputa por dominância física, mas também porque se tem uma coisa que aprendemos assistindo anos de anos desse esporte é que não adianta o jogador ser muito rápido, muito forte, pegar muito bem na bola, se ele também for, por falta de expressão melhor, burro pra caralho.

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Exatamente por isso eu venho me impressionando tanto com Manucello. Não apenas pela capacidade técnica, não apenas pela maneira como pega na bola e pela intensidade em campo, não apenas porque eu tenho a sensação de que a última vez que o Flamengo fez um gol de fora da área numa partida oficial os dinossauros ainda andavam pela terra e atuávamos sempre contra times europeus porque a Pangeia facilitava o acesso.

Me impressiona a inteligência do Mancuello. Não só a inteligência do passe acertado, de tentar a cobrança de falta direto e surpreender o goleiro, de saber se posicionar. Mas a inteligência necessária pra saber que quando ele treina durante as férias e mostra isso no Instagram, no Twitter, ele não só sai na frente em termos de preparação – note como o gringo começou o ano voando – mas ele também deixa claro pra torcida que ele não está no Flamengo de sacanagem, ele não veio pra passear, que nem todo argentino é um Lucas Mugni.

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A inteligência de saber que num time cheio de nomes pra posição em que ele joga vai ser mostrando versatilidade, ganhando a confiança do técnico, deixando claro que se precisar ele pega até no gol e usando uma peruca moicana pra parecer o Muralha, que ele vai aumentar as chances de mostrar serviço e de garantir uma vaga de titular no time.


Mancuello vem se mostrando não apenas um atleta que tem capacidade para contribuir dentro de campo como um cara inteligente fora dele, o tipo de coisa que um Flamengo que tanto sofreu com jogadores de imenso potencial mas de limitada vontade de contribuir ou capacidade cognitiva tão reduzida que não seriam capazes de montar um quebra-cabeça cuja caixa diz “sugerido para idades até 8 anos” precisa bastante.

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De uma partida contra um time fraco, cujo principal fator de dificuldade era menos o adversário e mais a escalação feita por Zé Ricardo – entrar com Gabriel, Márcio Araújo e Adryan foi uma boa maneira de tirar o torcedor rubro-negro da sua zona de conforto após duas vitórias tranquilas – essa foi uma das coisas que mais me impressionaram, o conjunto da obra do argentino.

O Flamengo vem formando um bom grupo, trazendo peças que contribuem e é quando precisamos mesclar titulares e reservas que isso fica mais claro, como nessa partida em que Márcio Araújo veio bem, Damião entrou e contribuiu e até mesmo Cirino – que deus nos ajude – participou de uma jogada de gol. As próximas partidas, contra times grandes, representarão um desafio bem maior, mas cada vez confio mais no futebol – e na inteligência – desse grupo.
 


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