O site Caos Carioca, especializado em desordem urbana, publicou excelente coluna sobre a construção da arena multiuso.

O autor do texto, Jan Krüger, que tem mestrado em Operações, Tecnologia e Logística pela COPPEAD/UFRJ, afirma que não há motivos suficientemente fortes para a não liberação da Arena que o Flamengo pretende construir na sede da Gávea, zona sul do Rio.

O projeto vem enfrentando enormes dificuldades para ser aprovado. Em entrevista ao Mundo Rubro Negro, o Vice-presidente de Patrimônio do clube, Alexandre Wrobel afirmou que desde a gestão Patrícia Amorim o projeto existe mas que somente em 2013 foi colocado no papel e iniciado o trabalho de liberação das obras, com a chegada do aporte privado do McDonald’s para erguimento do equipamento.

— O argumento dos moradores é que o local não comporta eventos de tamanho porte. Que a autoestrada Lagoa-Barra viraria um caos. Que não há estacionamento. Que não há meios de transporte. Que seria um absurdo derrubar arvores para construir a arena. Há até o argumento de que a construção iria interferir no espelho d’água da Lagoa e, por este ser tombado, não poderiam construir a arena — explica, Krüger.

Criticando a ação dos moradores, o especialista em serviços e sustentabilidade opina sobre o argumento de que o local não comporta os eventos esportivos; que não há estacionamento; que seria um absurdo a derrubada de árvores, entre outras prerrogativas usadas para o banimento da intenção do Fla de ter uma pequena Arena, visto que sua lotação máxima seria de cerca de 4 mil pessoas, contando com público e pessoal de trabalho no evento.

Alguns dos argumentos até parecem fazer algum sentido. Mas quem se der ao trabalho de investigar um pouco mais a fundo e tiver um pouco de bom senso vai acabar vendo que os argumentos contra a arena são fracos — escreve.

Quanto a acessibilidade. É evidente que o local não teria estacionamento para os espectadores, e não deve ter mesmo justamente para evitar transito. O que deve haver é possibilidade de estacionar nos arredores. E há. 600 metros do local fica o estacionamento do Parque dos Patins, na Lagoa, que tem mais de 300 vagas. Além deste há centenas de vagas na Epitácio Pessoa, mais ou menos a 1km de distância — explica, afirmando ainda que as vagas nos dois locais são subutilizadas.

Quem não quer se preocupar com estacionamento não vai ter dificuldade alguma em se deslocar para a esperada futura arena de basquete, vôlei, futsal, handebol e demais esportes de quadra. O projeto não prevê estacionamento nativo justamente para forçar o torcedor a utilizar o transporte público.

Além das linhas de ônibus que passam pela Lagoa-Barra em direção ao Rebouças e Dois Irmãos, há uma novíssima estação de metrô a 800 metros de distância de onde ficará a arena. Vale lembrar que cada composição do metrô tem capacidade aproximada de 2000 pessoas. Ou seja, capacidade para escoar os espectadores não falta — afirma.

Sobre o caos no trânsito em dias de jogos, Jan Krüger informa que a CET-Rio já fez um simulado computadorizado e constatou que por não ter estacionamento no local, a capacidade ser reduzida e os acessos poderem se dar por dentro das dependências do clube, ao invés de pela Lagoa-Barra, o impacto foi aprovado.

O último estrato de reclamações dos opositores da Arena parece ser ambiental. Aventou-se um sacrilégio o corte de algumas árvores para dar lugar ao ginásio.

— Ah, mas e as árvores? Esse é um argumento cativo de madames de Ipanema e do Leblon, que já o usaram para tentar barrar uma estação de metrô na Praça Nossa Senhora da Paz. Arvores podem ser replantadas. E verdade seja dita, uma cidade sem verde traz problemas. Mas esses podem ser inteligentemente mitigados. Por exemplo: exigindo do clube que ele implante um telhado verde em cima da arena e em cima da sua sede. — contra-argumenta.

Jan Krugër, afirma que o site Caos Carioca não é para falar mal do Rio.

— Sou um carioca apaixonado pela cidade. Quero apenas chamar atenção para os problemas e deficiências que temos que superar para que tenhamos uma cidade cada vez melhor — diz.

E parece que não será a Arena MacFla o motivo para nenhum tipo de caos em nossa tão maltratada Cidade Maravilhosa.

— Uma arena com tamanho restrito certamente será mais barata de operar e mais atrativa para uma boa parte do público. Levar as pessoas para o estádio de vôlei, basquete e handebol não é apenas um negócio bom para o Flamengo, é para a cidade inteira. Cria-se empregos, renda e se fortalece uma indústria que gira em torno destes esportes que, em comparação com o futebol, são muito negligenciados — conclui.

Leia o texto completo de Jan Krüger no site Caos Carioca: clique aqui.