Na segunda parte da entrevista ao MRN, o vice-presidente de Marketing Daniel Orlean fala sobre a importância de ter um estádio próprio, mesmo que provisório, e fecha as portas completamente para jogar no Maracanã caso governo do Estado e Odebrecht optem por repassar a concessão para o consórcio entre Lagardère e BWA. Ele também fala sobre como estão as negociações para renovações de patrocínios para 2017 e justifica a previsão otimista do orçamento do clube de aumento de R$ 25 milhões entre patrocínios normais e incentivados em relação a 2016. “Não é uma crença, é um projeto”.


MRN – O Flamengo provavelmente mandará alguns jogos da Libertadores na Ilha, para 15, 18 mil pagantes. Como fazer para que numa oitava de final da Libertadores um cara que contribui desde o início com o sócio-torcedor não fique de fora para outro que acabou de entrar e comprou um plano mais caro?

Daniel Orlean – Esse é um dos pontos do programa que a gente precisa aprimorar. Negar a verdade eu não vou fazer. Hoje existe um problema do cara que está há bastante tempo num plano menor, se você pegar o LTV, o lifetime value, que é um conceito de marketing, que esse cara tem, é muito maior que um cara que entrou para ver o jogo contra o Corinthians, mesmo pagando o Paixão. O cara tá lá desde 2013, vem pagando, provavelmente vai continuar pagando.

Eu vou sentar com o grupo e a gente vai pensar o que vai fazer. Agora, a gente vai viver escassez. Não tem jeito. Se o governo do Estado e a Odebrecht cometerem – é difícil falar a palavra, mas eu acho que é uma relativa irresponsabilidade – de botarem o Maracanã na mão da BWA e da Lagardère, o Flamengo não vai jogar lá. Pode colocar aí. Não vamos jogar se for com a BWA/Lagardère. Nós aceitamos o que nos foi oferecido pela CSM, GL, Amsterdam Arenas. BWA e Lagardère não tem negociação.

Se a BWA e a Lagardère conseguirem a concessão e falarem: Flamengo, eu quero negociar contigo, não tem negócio?


Não tem negociação. Eu acho que na vida tem algumas coisas que você tem que decidir. Com quem você negocia e o que você negocia. O Flamengo hoje se posiciona que ele não negocia com Lagardère e BWA. Não é intransigência. Tem que pensar no que é melhor para o Flamengo. Não tem negociação com quem a gente acha que não vai respeitar o protagonismo do clube, e que não respeitou historicamente o protagonismo do clube. Que a gente vá jogar em outro lugar. Se não tiver Maracanã, não vai ter Maracanã.

Imaginando que apesar da posição do Flamengo, a concessão acabe com a Lagardère e a BWA. O Flamengo imediatamente parte para o estádio próprio? Desiste do Maracanã?

O estádio próprio é um sonho e é um projeto. Tem as duas coisas. Onde vai ser, como vai ser, como vai ser construído, como vai ser financiado, a gente tem diversos cenários, diversos planos traçados. Eu, Daniel, como responsável pelo marketing, em médio e longo prazo não vejo escapatória de a gente ter um estádio próprio.

Essa é sua posição pessoal?

É minha posição pessoal. Eu vislumbro um estádio próprio.

Um estádio pra 50 mil pessoas, 40 mil pessoas?

Vai depender de onde vai ser, quem vai estar com a gente nessa, mas é o projeto.

Se o Flamengo fechasse o acordo com o Maracanã, seria um estádio menor?

É difícil falar do cenário de ter três. Hoje a gente tem o estádio na Ilha, que é a nossa casa, e vai ficar com a cara da nossa casa. Está muito bonito o projeto. Posso dizer que é uma estrutura muito melhor do que a que foi colocada por outro clube lá recentemente.

Se o Flamengo tiver a Ilha e não tiver o Maracanã, o plano é fazer todos os jogos lá ou continuar fazendo jogos maiores fora do Rio?

Existem limitações de quantidade. Vamos deixar a situação do Maracanã se definir para poder planejar. Libertadores podemos jogar até às quartas de final e se passarmos (esperamos ter esse problema!), aí se planeja onde jogar. Muitos jogos vão ser jogados na Arena e alguns jogos vão ser mandados fora. Todavia queremos evitar ao máximo o nível de viagens que tivemos este ano, porque realmente prejudica. Este ano a gente teve um prejuízo, até no próprio desempenho dos jogadores. Financeiro, físico, não quero comentar o que o jogador sente na hora de voltar ao Maracanã, mas teve muitos jogadores que estrearam ali.

Como está a negociação dos naming rights da Ilha?

É muito melhor você operar um estádio que é seu, seu no sentido que a “Arena da Ilha” será nossa. Não batizem a “Arena da Ilha”. Não batizem, porque é um ativo hoje do Flamengo. É um ativo pra ser negociado, com vários tipos de empresa. Você vê no mundo seguradoras, companhias aéreas, bancos. Estamos conversado com algumas empresas. Dentro da nossa rede, porque hoje o Flamengo conversa com as maiores empresas do Brasil, centenas de grandes empresas. Já temos conversas abertas com naming rights.

A estimativa de patrocínio para 2017 entra também os naming rights?

Não está naquela lista nominalmente naming rights, mas está na composição.

Uma coisa que chamou a nossa atenção foi que no orçamento do ano que vem tem uma estimativa de uma subida muito grande não só nos patrocínios em geral como na questão dos patrocínios incentivados. Imaginamos que você tenha uma base para esse otimismo.

O ano de 2015 para 2016 não foi um ano bom. Eu entrei em setembro e fechamos processos que estavam em aberto. Trouxemos outros, abrimos novos. Eu acredito que o ano de 2017 vai ser muito melhor. Não é apenas uma crença. A gente trabalha com forecast, pipeline, projeção, abertura de negócios, taxa de conversão… Já vê uma evolução muito grande do que viu de 2015 para 2016. Isso é muito trabalho do time mas também juntando um bom momento vivido como clube, não como time de futebol, como clube.

Tem um crescimento somado com o momento de mercado: 2016 foi um ano de crise, 2017 não é ainda um ano de pujança econômica mas é um momento onde a confiança no esporte começa a retornar. Este ano foi um ano de Jogos Olímpicos. Então, muito orçamento foi direcionado para os Jogos Olímpicos, e essas empresas agora podem mudar o foco. Então a gente teve um ano difícil. Não estou dizendo que 2017 vai ser um ano fácil mas o bom time somado a um planejamento estratégico bem feito, à imagem boa, performance esportiva boa, vários campeonatos que a gente vai participar, arena própria, inovação vindo, bons parceiros… Temos tudo para superar os números do passado e superar bem. Então não é uma crença. É um projeto, é um plano, que a gente melhore muito esse ano que vem.

Em relação aos patrocínios incentivados especificamente. Vocês têm novos projetos? Vai entrar alguma coisa de projeto incentivado na construção do do Ninho para a base?

Sim, sim. A gente está trabalhando numa novidade bacana, um patrocinador específico pra base, isso nunca foi feito no Flamengo antes. A gente está trazendo um patrocinador que vai entrar na camisa da base.

Master na camisa da base?

Não, não é master porque ele é negociado junto com o master do profissional. Esse ano é Caixa, ano que vem pode ser outro, a Caixa é um parceiro, um parceiro importante, um parceiro importante paro o futebol brasileiro e queremos que esteja próximo da gente.

Vai entrar nas costas inferior um parceiro bacana, que não vai entrar só com dinheiro, vai entrar com dinheiro e com um tipo de serviço fundamental pra excelência do esporte na juventude. O dr. Tannure está bem alinhado com a gente nesse sentido. Já está em vias de ser assinado. A gente está negociando pro patrocinador entrar na base com capital financeiro e com serviços que vão ajudar a performance esportiva. Eu estou bem animado, a empresa é fantástica, uma empresa que cresceu do zero, uma empresa muito bacana.

É uma empresa que já está no futebol ou estão entrando nesse mercado?

Eles tiveram algumas experiências no futebol e em outros esportes. Se eu der muita informação, vocês vão chegar lá. Eu tenho um grande orgulho de estar trazendo eles. É um amigo pessoal que acreditou no projeto e que é rubro-negro, um cara que está acreditando e que a gente sabe que vai dar uma alavancada muito boa. Não é mecenato, ele sabe exatamente que resultado esperar.

Cada vez mais estamos diversificando as modalidades de patrocínio mas a camisa do time profissional continua sendo o produto mais nobre. A MRV já está fechada até 2018. E o resto, como estão essas negociações?

A Yes a gente está negociando. Como eles entraram num pontual, só os últimos sete jogos no ano, eu tive sete jogos no Brasileiro. Ano que vem eu vou ter jogos de Libertadores, jogos de Carioca. Eu vou ter que equilibrar isso. Mandamos uma proposta para a Yes e eles mandaram outra. iFood a mesma coisa. Eles têm intenção de continuar, e a Tim também.

E a Caixa?

A Caixa também. A Caixa é uma questão… A gente quer ter reajuste. O Flamengo está numa situação melhor do que o Corinthians. Eu não estava na negociação da Caixa, eu não participei do detalhamento de cada uma das questões. A Caixa está com a gente até o final do ano e já estivemos lá conversando. Como eu falei, minha orientação, a orientação do próprio Fred (Luz) é conversar com vários potenciais parceiros. A Caixa é uma empresa muito importante para o esporte. Como é uma empresa pública existe todo um processo de governança para aprovar patrocínio. E ela está sujeita a questões do próprio mercado.

Todas as propriedades na camisa que estão livres a gente tem parceiros hoje interessados para o próximo ano. Essa semana a gente espera ter respostas*, novidades, fechamentos. Agora, uma coisa muito interessante que eu tenho visto é o interesse de empresas da nova economia no Flamengo. Se antes era só a camisa, quando eu entrei a primeira coisa que eu falei foi: “eu vim pra gente trabalhar o Flamengo além da camisa, o marketing além da camisa. Eu quero, claro, vender meu master, minhas costas superior e inferior, número, manga, profissional, base, esportes olímpicos. Por outro lado, eu quero pensar nas minhas redes sociais, eu quero pensar na Fla TV, nos projetos de inovação. Tudo isso, além da camisa, a gente vai ter novidades legais.

Nossos leitores e apoiadores com certeza Gostariam de saber números sobre as vendas de camisas oficiais. Teve a chegada do Diego, o time bem em campo. O Flamengo teve um avanço em venda de camisas?

O Flamengo teve um avanço bacana em venda de camisas. Eu não vou saber precisar o número porque hoje o nosso contrato com a Adidas é baseado em garantia mínima e royalties. Então a gente faz um acompanhamento com eles, mas eu não tenho um número hoje atualizado. Mas eu sei que o Flamengo é disparado o maior vendedor de camisas no Brasil. E os produtos todos têm muita procura. No ano que vem queremos trabalhar outras coisas com a Adidas. Temos nos aproximado muito da Adidas, é uma parceria que vem evoluindo. Vem evoluindo a relação.

Mesmo com o Desimpedidos?

O Desimpedidos não foi uma ação do Flamengo. Foi uma ação que a Adidas em São Paulo distribui samples dos produtos dela para vários que eles consideram influenciadores. Eu já conversei com a Adidas que o Desimpedidos não é um canal benquisto pelo Flamengo, por uma questão de que a torcida escolheu não gostar. É direito da torcida não gostar.

Eu acho que a Adidas é experiente o suficiente, entende o suficiente, muito mais do que várias empresas no mercado o que é positivo e o que é negativo para a marca dela. A camisa rosa foi uma ação bastante pequena, de tiragem limitada, calculada para ser daquela maneira e mostrou o potencial da nossa marca. Ano que vem vamos ter outros produtos limitados com a Adidas. Está rolando uma parceria bacana do Marketing e da Comunicação com a Adidas para a criação de produtos novos.

O patrocínio master do basquete, tem alguma perspectiva?

Funciona como um quebra-cabeça. Existem empresas interessadas no patrocínio do basquete. O Marketing está conversando com elas. Só que muitas vezes você tem que casar com outras ações de marketing. O que eu posso adiantar é que estamos negociando e ainda não chegou no ponto ideal para fechar.

Esse quebra-cabeça tem que ser mais bem trabalhado. Não se esqueceu do basquete. É porque realmente não é uma mágica, não é chegar assim: “ah, lembrei do basquete e vou lá chegar e vou ter um patrocínio. Fui campeão, eu mereço”. O Orgulho da Nação merece. Eu entendo a cabeça das pessoas, mas não é assim. São campeões de tudo, eles merecem, eu sei. Só que hoje o cara chega com 2 milhões e muitas vezes ele quer algum ativo que eu não tenho para oferecer para ele. E o basquete é um bom ativo.
*Nota do editor: A coluna Radar de hoje noticiou que o Flamengo fechou patrocínio da Uber nos uniformes de treino.

Leia a parte 1

Leia a parte 3

A Série Política Rubro-Negra tem como objetivo entrevistar dirigentes do Flamengo do passado e do presente e políticos que se envolvem em ações públicas que afetem os interesses do Flamengo.

Leia as outras entrevistas da série Política Rubro-Negra:

Política Rubro-Negra #1
César Maia fala sobre o Maracanã e estádio próprio na Gávea

Política Rubro-Negra #2
Deputado Federal Otávio Leite fala sobre Profut, Maracanã e Flamengobit.ly/1SWwGTT

Política Rubro-Negra #3
Alexandre Wrobel – VP de Patrimônio fala sobre Estádio, CT, Arena Multiuso e muito mais

Política Rubro-Negra #4
Presidente Eduardo Bandeira de Mello

Política Rubro-Negra #5
Vice-presidente de Esportes Olímpicos Alexandre Póvoa

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