De um tempo pra cá, os times que não têm audiências expressivas reclamam das cotas de TV.



Muita gente já escreveu sobre isso outras vezes, e nem vou repetir o que eu mesmo já escrevi (Sobre cotas de TV e outras verbas). Mas agora tem a novidade de vários clubes menores estarem negociando com o Esporte Interativo. Então vou fazer um exercício de futurologia, baseado no achismo. E em alguns fatos que já aconteceram.

Para exagerar, vou colocar como se apenas Flamengo e Corinthians tivessem assinado com a Globo e todos os outros com o Esporte Interativo.

Esse ano cheguei a assinar o EI por causa da Champions League. Comecei todo animado, colocando um jogo no computador, outro no iPad e mais um na TV.

Muito divertido, mas com alguns problemas. A transmissão em todos era on-line. Por algum motivo, usando a AppleTV, nunca ficava em HD. A imagem ficava pior que jogo do Carioca, no interior, pelo PFC. Além disso, fica clara a falta de experiência nas equipes. Não vou criticar quem trabalha lá. Mas ainda é uma TV nova cheia de profissionais que ainda não são tão rodados. De narradores até os profissionais que ficam nos bastidores. Isso se arruma com tempo e dinheiro.

Sim, a Turner (que banca o EI) tem muito dinheiro. Mas isso não resolve tudo. Ainda mais com essa velocidade. A FOX Sports é a prova disso. Tem dinheiro, alguns bons profissionais experientes e mesmo assim ainda não engrenou de vez. Mesmo cheia de bons campeonatos para transmitir. E a FOX já está bem à frente do EI.

Também existe a questão da Globo ser a Globo.

Lembram das últimas olimpíadas? Transmitidas pela Record? Talvez você nem lembre que foi em Londres. Afinal, só viu algo dos jogos em imagens que o Jornal Nacional comprava da Getty Images. Ou na TV fechada. Ninguém viu na Record. Aliás, a TV chegou a passar VT de competição enquanto tinha uma outra disputa importante acontecendo naquele momento. Uma clara demonstração de falta de experiência. O que causou outro problema.

A Record não conseguiu vender publicidade com a mesma facilidade (e valor) que a Globo costuma fazer. Pelo simples fato de não ser a Globo. A gente pode reclamar o quanto quiser da emissora, mas não existe um paralelo no mundo de uma TV tão dominante nacionalmente. Acho que nem a BBC tem esse poder todo na Inglaterra.

Não adianta uma marca querer aparecer no intervalo do jogo de vôlei. Ela quer aparecer no intervalo do jogo de vôlei, na Globo.

Além disso, a ~Máquina da Globo~ sabe vender o produto. Quantas vezes você já não ouviu “Ainda nem começou tal coisa é já não aguento mais ouvir falar”. A emissora sabe usar a estrutura para valorizar o produto.

Isso posto, o que aconteceria se só Flamengo e Corinthians assinassem com a Globo?

Pra começar, imagino que as cotas de ambos ficassem ainda maiores. Não adianta dar chilique. São os dois times que têm a audiência de peso. Corinthians em SP e o Fla no resto do Brasil. Se a Globo investisse só nós dois, teria muito mais dinheiro pra colocar neles.

nmkwQhVh.jpg largeAlém disso, certamente eles teriam mais espaço na programação. GE, Esporte Espetacular, tudo dando maior destaque aos times que possuem contrato com a TV. Sendo assim, ainda mais exposição para ambos. O que significa? Melhores contratos de patrocínio para ambos. Imagina você negociar com a Jeep: “Olha, eu tenho a maior torcida, meus jogos passam na TV de maior audiência do país e ainda temos o maior tempo de exposição nos jornais da emissora. O nosso patrocínio de manga vai custar mais caro que o master de outro time e você vai pagar sabendo que fez bom negócio”.

Com isso, a espanholização viria mesmo e seria irreversível. Ninguém ia convencer Flamengo e Corinthians a entrarem numa Liga, dividirem as cotas, nem nada disso. Só ia aumentar a diferença.

Brigar com a Globo pode ser um discurso muito bonito de enfrentar o sistema e tudo mais. Mas é esse sistema que tem o dinheiro na mão. Aliás, dinheiro, exposição e poder. Melhor o Flamengo ser aliado que inimigo.

Ou seja, que os outros deem chilique de cotas e assinem com quem quiserem. Prefiro continuar com a Mamãe Globo. Se daqui a 20 anos, uma outra TV tiver o mesmo poder que ela, o Flamengo muda. O bom de ser o maior é que sempre vão ter interesse.

 
Luiz Filipe Carneiro Machado é publicitário e titular do blog CRF & ETC.
Twitter: @luizfilipecm

 


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