A terça-feira foi dia dos responsáveis pelo CEP (Centro de Excelência de Performance) darem entrevista coletiva no Ninho. O chefe do Departamento Médico, Marcio Tannure, o preparador físico Daniel Gonçalves e o chefe do Departamento de Psicologia e Treinamento Mental, Fernando Gonçalves, explicaram o trabalho que está sendo realizado e falaram sobre os desafios para a temporada. Também comentaram a situação individual de alguns atletas.

Veja os principais tópicos:

Estágio físico dos jogadores

Daniel Gonçalves – “As competências físico-fisiológica têm três pilares, que são velocidade, força e resistência. A gente faz uma rotina de avaliações desses componentes, exceto velocidade, que a gente faz um preparo gradativo para que o atleta consiga desempenhar. A gente tem o padrão de não comentar individualmente as condições dos atletas. Em 15 anos que eu trabalho com equipes de alto nível, essa equipe é a que melhor se apresentou para a pré-temporada.”

Treinamentos com bola desde o início

Daniel Gonçalves – “O conceito nosso da transdisciplinaridade é para transferir para dentro de campo, para os treinamentos, aquilo que é necessário para o desenvolvimento individual do atleta e também coletivo da equipe. Desde o segundo dia, a gente já incluiu treinamentos com bola. O CEP tem investido bastante em ciência e tecnologia, principalmente em aparatos que permitem que a gente mesmo trabalhando com bola tenha também o controle e o desenvolvimento dos aspectos físicos. Assim a gente consegue desenvolver de maneira integral e sistêmica o nosso atleta e a nossa equipe. A gente sabe que o atleta está se desenvolvendo e a gente pretende ter um desenvolvimento gradativo, porém suficiente, principalmente na Libertadores da América, uma competição de muita intensidade, de jogo físico muito intenso.”

Nível para a Libertadores

Daniel Gonçalves – “A gente tem uma conta que para cada dia de atividade o atleta necessita de três dias para atingir o condicionamento ótimo-ideal. Mas isso é progressivo. Com certeza em março o Flamengo terá o nível de competitividade adequado para iniciar a competição.”


Peso das viagens

Daniel Gonçalves – “No ano passado foram 47 dias de treino perdido, 30 dias de treino perdidos, a gente teve que fazer adaptações, compor trabalhos. Muitas vezes vocês puderam observar os atletas do banco treinando após os jogos. Outro aspecto importante é o sistema de prevenção e recuperação que nós adotamos. Esse ano tem o imbróoglio do Maracanã e da obra no estádio da Ilha, a gente tem expectativa que o Flamengo jogue mais vezes no estado do Rio, e a gente tenha mais oportunidade de treinar e recuperar esses atletas.”

Fernando Gonçalves – “No ano passado, a gente brinca aqui, o Flamengo ficou em turnê. Mesmo com tantas viagens nós tivemos um ambiente superpositivo, de construção, de aprendizagem, praticamente sem nenhum conflito, nenhum problema. Ano passado nós inserimos várias práticas de recuperação não convencionais, do ponto de vista mental. Durante um bom tempo todos nós convencemos de que aquilo ali não podia colocar lente de aumento, sublinhando a dificuldade da viagem. A questão de ver vantagem na desvantagem, ter conforto no desconforto, são hábitos de pensamento que a gente tenta instituir. Na minha concepção foi vital na boa performance que nós tivemos no ano passado.”

Poupar x correr risco de lesão

Marcio Tannure – “Esse tipo de decisão é uma decisão muito difícil. Seria muito fácil não treinar ninguém que quando chega o fim do ano não tem lesão nenhuma. Quando você poupa um atleta você está tirando dele uma sessão de treinamento. Para você ter desempenho, você tem que trabalhar no limite. Se você passa do limite, você tem uma lesão, mas se você treina abaixo do limite, está destreinado. Então tem que colocar na balança o que é melhor, perder uma sessão de treinamento ou correr o risco de uma lesão.”

Como lidar com as expectativas

Fernando Gonçalvess – “A gente crê que o atleta são três competências que a gente está permanentemente preparando e avaliando, que estamos sempre trabalhando e aprimorando^a técnico-tática, a físico-fisiológica e a mental e emocional. Temos um desafio muito grande que é consolidar essa cultura, no ano passado tivemos avanços incríveis. Nós temos um sistema de treinamento, o sistema cinco pilares, não só direcionado aos atletas, mas a toda a comissão, num ano onde grandes expectativas cercam o Flamengo. É todo um trabalho para desenvolver atenção, confiança, competências fundamentais pra enfrentar um ano onde temos desafios muito grandes e expectativas muito grandes. Como eu falei antes, esse ano vai ser marcado por muitas expectativas em torno do Flamengo, o novo CT, a nova casa, a boa temporada do ano passado, isso vai fazer que as expectativas aumentam. Estamos cultuando aqui uma virtude que é a virtude da coragem, que está ligada à bravura, à obstinação, à raça. Mas obstinação é uma coisa, e obsessão é outra. Nós não queremos que essa obstinação vire ansiedade e atrapalhe. Estamos conjugando isso com flexibilidade, se eventualmente um resultado não acontecer, a gente tenha inteligência e discernimento para voltar ao foco anterior para a vitória.”

Importância da preparação mental

Fernando Gonçalves – “Desde o ano passado a gente tem uma filosofia que é tentar convencer os atletas das vantagens dos diferentes trabalhos que são feitos. Em vez de impor, você tem um trabalho de persuasão. Esses trabalhos mentais sofriam uma espécie de preconceito, e a gente conseguiu desmistificar completamente. Eles têm a noção da importância desse trabalho mental. Muitas vezes quem faz o trabalho mental é o preparador físico, é o médico, é o treinador, porque nós falamos a mesma língua. Treinar radicalmente a importância da atenção, da concentração e do foco. A regulação das emoções, da confiança, principalmente quando o vento estiver contra. E a vantagem de todo mundo se envolver radicamente numa prática disciplinada. A gente está muito satisfeito porque o nível de comprometimento está bastante alto.”

Conca

Marcio Tannure – “A gente está entendendo como o corpo dele reage ao tipo de metodologia implantada aqui, e a reação está sendo satisfatória. Mas está em fase inicial, e fica no momento difícil dar qualquer prognóstico. A gente acredita que vai ter uma boa evolução pelo que ele vem apresentando. Vocês que falavam tanto da falta de estrutura do Flamengo hoje o Flamengo é referência para atletas de fora virem se recuperar aqui. Eu espero que isso seja uma rotina, que a gente consiga capitalizar isso, mas que dos nossos atletas do nosso elenco, eu não venha comentar com vocês.”

Ederson

Marcio Tannure – “A gente tem que esperar o corpo dele reabsorver esse edema, que varia de pessoa para pessoa. A gente está fazendo todo esforço para que isso aconteça o mais breve possível, mas foge um pouco da gente, porque é uma coisa do organismo dele que independe da parte médica. A gente espera que o quanto antes ele esteja à disposição.”

Fernando Gonçalves – “A gente vem conversando com o Ederson desde o ano passado, a gente tem uma relação de muita confiança, ele vem passando por esse sofrimento de querer demais a sua recuperação e em função da questão do edema, não conseguir avançar. O Ederson é bastante perfeccionista, é um cara com um padrão de pensamento que gosta de ter muitas certezas. A gente vem flexibilizando esse processo, para que a recuperação dele seja o mais saudável possível do ponto de vista mental. Ele está permanentemente conosco e acaba nos usando de uma forma inteligente para que a cabeça dele jogue a favor na recuperação.”

Rômulo

Daniel Gonçalves – O Rômulo é um cavalo fisicamente, dotado de muita força e muita resistência, a gente tem expectativas que ele se iguale rapidamente ao restante do grupo. Hoje mesmo ele já fez um trabalho com bola, individualmente, e a gente espera ir gradualmente inserindo nas atividades, desde que a carga não seja demasiada para ele.

Trauco

Daniel Gonçalves – “O Trauco é um atleta dotado de muita força física, é claro que requer um tempo de adaptação a metodologias distintas e ao clima diferente. Porém já está inserido nos trabalhos com o professor Zé Ricardo, e se for o desejo do Zé Ricardo estará à disposição para o amistoso contra o Vila Nova no sábado.”

Diego

Daniel Gonçalves – “Ano passado quando houve uma pergunta sobre o estágio físico do Diego, eu falei que como todo atleta que vinha de fora requer um tempo de adaptação. Por mais que o futebol esteja globalizado, a gente tem diferença de metodologias. Porém o Diego rapidamente se adaptou e apresentou uma progressão no segundo semestre. A gente acredita que com essa pré-temporada ele tenha um desempenho ascendente em relação ao que foi no ano passado. Porque é um atleta dotado de uma capacidade de liderança inata, faz que trabalhe sempre com alta intensidade dentro e fora de campo.”