Este ano o Flamengo se viu sem o Maracanã, sua habitual casa no Rio de Janeiro. A Diretoria confessa que foi pega de surpresa com o fechamento precoce do estádio — o Clube trabalhava com a informação oficial de que apenas em abril deste ano os jogos estariam suspensos, devido às Olimpíadas no Rio de Janeiro. Sem opção na cidade, o entendimento para resolver o problema foi “vender” mandos para outras praças.

Os fatores “casa e torcida do Rio” ficaram no ano passado, apesar de também não parecerem influenciar muito, visto que na temporada 2015 o time teve uma das piores performances em seu território.

Parecendo desavisado quando assinou contrato, Muricy Ramalho declarou por diversas vezes seu descontentamento com as viagens no primeiro semestre, com críticas públicas contundentes sobre a questão.

Com a falta de bons resultados, as críticas pela falta de planejamento e busca de alternativas no Rio se tornaram uma constante.

E sem o Maracanã um outro problema sério surgiu. Mesmo que o Fla adotasse uma casa mais próxima da Gávea, como o Estádio da Cidadania, em Volta Redonda, a renda de bilheteria não chegaria próxima às projeções orçamentárias.

Com o fim do conturbado primeiro semestre e o começo do Campeonato Brasileiro, os dirigentes resolveram encarar Volta Redonda como a escolha óbvia. As críticas ao planejamento eram como uma bola de neve, morro abaixo, que precisava ser parada. A estreia diante do Sport trouxe consigo, além da vitória em campo, um renda bruta de quase 137 mil reais. O que entrou efetivamente no caixa? Meros R$ 2.326,10.

Seria impossível abandonar a renda proporcionada pelas excursões. O Raulino de Oliveira foi colocado de lado rapidamente. Nas três partidas realizadas no estádio o Fla levou pra casa um prejuízo de R$ 82.285!! Para uma média surreal de 6.084 torcedores por partida.

Sem viagens esta arrecadação seria impossível

Sem viagens esta arrecadação seria impossível

Brasília voltou à cena. Mesmo que todos os argumentos sobre a maciça presença de alviverdes no estádio estejam cobertos de razão, a renda obtida com a demanda reprimida de palmeirenses na cidade encheu os cofres do Flamengo. Numa tacada só o Mané Garrincha gerou R$ 1,8 milhões. O time perdeu para o atual líder da competição. A boa fase, porém, continuou. Provando que as viagens, por mais desconfortáveis que sejam e não otimizem a reposição do descanso, é um problema que um grupo bem treinado e dedicado consegue superar. E mesmo com tudo isso, o Flamengo pouco sofre com lesões musculares, fruto talvez do investimento na preparação com a consultoria da Exos e a estruturação do CEP Flamengo.

Cariacica, região metropolitana de Vitória e seu reformado estádio Kléber Andrade foram lembrados. Diante do Inter, um novo habitat foi adaptado para o Mais Querido do Brasil. A renda obtida deixou os dirigentes satisfeitos e o apoio vindo das arquibancadas lotadas não deixou dúvidas sobre a volta dos comandados de Zé Ricardo ao Espírito Santo. Contra o América-MG, pela 16ª rodada, os capixabas lotarão novamente o seu estádio.

Com a adequação de Edson Passos como casa do Fluminense, e as atuais boas relações entre as diretorias, o estádio que pertence ao América é mais uma opção que surge. Localizado em Mesquita, na Baixada Fluminense, foi preparado para receber os 15 mil torcedores necessários em jogos do Brasileirão. Em Edson Passos dificilmente as rendas serão próximas às obtidas no Kléber Andrade e no Mané Garrincha, este último que também será usado na Rio 2016. Edson Passos pode ser o palco de Flamengo x Atlético-PR, marcado para 6/08.

Edson Passos servirá para a torcida fluminense matar saudade do Mengo. Mas a casa do Flamengo em 2016, aliás, as casas, definitivamente serão Brasília e Cariacica.

Abaixo a tabela com renda e público dos jogos com mando do Fla na temporada. Os números demonstram que as viagens foram importantes para a saúde financeira do Clube, que não precisou gastar dinheiro com adaptações ou reformas em pequenos estádios do Rio de Janeiro. Este ano o Flamengo vai continuar matando a saudade de milhões de torcedores pelo Brasil.

Fluminense gastou R$ 700 mil em Edson Passos e o Botafogo R$ 5 milhões no seu “segundo estádio”.

tabela renda br 2016

 

Crédito imagem destacada: Gilvan de Souza/Flamengo