É inacreditável que ainda permaneça de pé a licitação “ganha” pela Odebrecht para comandar o Maracanã.


Antes de vir à tona as delações de ex-executivos da empreiteira, o que se assistia era um festival de irregularidades, que envolviam o governo do estado, os fiscais que deveriam analisar as contas e contratos do poder público, os empresários da Odebrecht e um estádio superfaturado, que custou aos cofres públicos mais de R$ 1,2 bilhão.

Com a liberação dos sigilos, entra em cena o que era evidente: negociatas que envolveram fraudes no processo licitatório e na obra de reforma do Maracanã, sob a complacência de muita gente, inclusive do Ministério Público do Rio, que até agora não agiu.

O Procurador Regional da República no Rio de Janeiro, Athur Gueiros, não se conteve e desceu a borduna no MP carioca:

Cinco dos oito depoimentos de ex-executivos da Odebrecht contam o que está por trás desse jogo sujo, envolvendo a fraude na licitação e obras do Maracanã.

O ex-presidente do consórcio Maracanã S/A, João Borba Filho, relata que a vitória na licitação do Maracanã foi uma das contrapartidas ao suporte financeiro dado ao Sérgio Cabral de R$ 94 milhões em propinas e de R$ 20,3 milhões em campanha para atual governador Luiz Fernando Pezão.

Na deleção, Benedicto Junior afirmou que houve propina de R$ 4 milhões em relação à obra do estádio. Já Marcos Vidigal Amaral apontou que Cabral recebeu vantagem indevida para ‘restringir a competitividade da licitação da obra da Maracanã”.

Lembrando que os clubes foram proibidos de participarem do processo.

A Odebrecht, além de pagar propina ao executivo, pagou propina ao presidente do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Jonas Lopes, órgão responsável por auditar as contas do estado, para garantir a liberação do edital de concessão do estádio, após orientação do então secretário do governador Sergio Cabral, Wilson Carlos Cordeiro da Silva Carvalho, afirmou o ex-diretor-superintendente da empresa Leandro Andrade Azevedo.

O TC-RJ engavetou 21 dos 22 processos de investigação da obra do Maracanã. O Conselheiro José Maurício Nolasco, preso em operação recente da Polícia Federal, era relator de 11 desses processos.

Pressionado pela investigação da Lava Jato, filial Rio de Janeiro, o Tribunal de Contas carioca resolveu agir, após seis anos, apontando um rombo de mais de R$ 200 milhões e a suspensão dos pagamentos de outros contratos com o governo do Rio.

A Odebrecht também fez um pagamento não declarado de US$ 12 milhões ao empresário Fernando Cavendish, por meio de uma conta bancária em Hong Kong, com o intuito de comprar a participação da construtora Delta nas obras do Maracanã, para atender a Copa do Mundo de Futebol de 2014. A afirmação foi feita pelo ex-executivo da Odebrecht, Luiz Eduardo da Rocha Soares, ao MPF.

Mesmo diante dessas relevações que transformaram o maior templo do futebol em negociatas de políticos e empreiteiros corruptos, a Odebrecht ainda terá o luxo de vender o consórcio para a francesa Lagardére, restando apenas o aval do governador Pezão, envolvido no esquema, para liquidar a venda absurda.

Causa estranheza ainda que a Lagardére, apesar de toda insegurança jurídica, principalmente após essas revelações, assinou um memorial de compra no valor de R$ 60 milhões e só precisa da assinatura do executivo para confirmar a compra do consórcio.
 
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