Quem sabe o bronze?

Quem sabe o bronze?

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Você que ocasionalmente lê meus textos deve ter reparado nas severas críticas que faço a esta comissão técnica atual formada por um recente treinador da base com seu, digamos assim, “auxiliar técnico” de métodos arcaicos de jogo.

 

É o Flamengo do ano 2016. Construiu-se uma solução improvisada que na falta de direcionamento do Departamento de Futebol em relação ao perfil de técnico desejado e nomes que enquadrariam neste perfil, pegou o cara que estava por lá dentro do clube. “Vai tu mesmo”. E o “tu” foi. Com suas soluções improvisadas e insistências controvertidas dentro de um elenco mais qualificado que, finalmente, o Departamento de Futebol conseguiu ter sob contrato.



Com a sorte do goleiro até então titular se machucar, e a contratação de zagueiros de qualidade superior ao que o antigo técnico tinha em mãos, o time pareceu melhor e mais organizado. Claro, consertou o “vazamento” que representava aquela zaga+goleiro em todas as partidas que atuavam. Mas ficou nisso. Com a melhor capacitação a nível técnico do elenco, a produção subiu, embora sujeitos a um esquema tático pouco criativo e presos às conjecturas pouco saudáveis desta comissão técnica peculiar, que impedem a escalação dos melhores jogadores do elenco em um esquema tático que os contemple. Eles, a dupla dinâmica, não saberiam fazer. É o preço que se paga pela desqualificação de quem deve pensar o jogo.

Mas ficamos nisso. Um elenco que poderia ser ouro, mas sabe que não tem condições. Não é bem dirigido e preparado. Vimos isto a cada jogo em que há mais dias para treinamento entre os jogos. Os jogadores sabem disso. E tanto sabem que a performance geral já está decaindo. Carecem de motivação. Estão como atletas brasileiros em olimpíada, “participando”. E só. Não há a fome pelo título. .


Chegamos perto do bronze. A classificação para o G4. Estamos ali a beira dele apresentando jogos pobres de pouca agressividade. Fazemos poucos gols. Quando fazemos defendemos nosso único gol como água no deserto. É o estilo que impuseram ao Flamengo. Um elenco que possui elementos que permitem enormes variações táticas somos obrigados a jogar apenas com uma e nela estancamos. Entorta o elenco para caber. Escolhe-se jogadores obedientes como cães, não necessariamente melhores, e pronto. O time entra em campo com o ouro sendo disputado por clubes que não improvisariam justamente na comissão técnica.

Está na hora do Flamengo pensar grande sempre. Em não só contratar os melhores jogadores e preparar em sua base o melhor elenco possível com o orçamento disponível, mas em ter a melhor comissão técnica do país. Assim ampliaremos nossas possibilidades de títulos, de buscar “medalhas de ouro” e não apenas “participar” e “evitar rebaixamento”. Evitemos recorrer sempre aos treinadores improvisados “de casa”, que hoje no futebol ultra competitivo, arduamente analisado e estudado por n analistas técnicos de diferentes ciências, já não cabem mais. Pertencem a um período romântico. E o romantismo tem que dar lugar ao melhor profissionalismo. Evidente que podemos sim, preparar treinadores dentro de casa em de um ambiente formado para esta capacitação contínua, mas para isto temos que trazer treinadores experientes e antenados, assim como promover o intercâmbio destes treinadores em formação com outros centros avançados. O “não tem tu vai tu mesmo” tem que ficar para a história.

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