Nós, rubro-negros, temos a convicção de que somos os maiores em tudo. Somos conhecidos pelo “RUMO A TÓQUIO”, “DEIXOU CHEGAR”, “TÃO DEIXANDO A GENTE SONHAR” e recentemente pelo “CHEIRINHO”. Qualquer brecha, inflamos nosso ego até que tornamo-nos os protagonistas do pedaço, até mesmo quando não levamos no final.



Ao mesmo tempo em que nosso hino nos ensina a “VENCER, VENCER, VENCER”, ele cria uma horda de torcedores megalomaníacos, ainda mais porque somos para terror da arco-irizada, a Maior Torcida do Mundo™ segundo a FIFA.

E claro, a maior torcida do mundo quer sempre o maior estádio do mundo, como o foi o Maracanã e o maior público de um jogo de clubes do mundo, com 194.603 presentes (177.656 pagantes) entre Flamengo x Fluminense em 15 de dezembro de 1963.

O antigo Maracanã tinha setores como a Arquibancada do Anel Superior, as Cadeiras no Anel Inferior e a Geral, que abrigava todo tipo de torcedor. Era uma massa de gente querendo ver o Mais Querido do Brasil. Sem cadeiras no anel superior e geral, tinha tanta gente por metro quadrado que era inacreditável quando estávamos lá.

Claro, o saudosismo às vezes faz com que mantenhamos apenas as melhores lembranças. O Flamengo não jogava somente para 170 mil pessoas no Maracanã. Nem 100 mil. Pelo contrário, cansamos de jogar também para públicos medíocres, não condizentes com a história, tamanho e paixão de nosso clube.

Com todo esse imbróglio envolvendo o Maracanã e uma série de políticos, empreiteiros, empresários e empresas – todos presos, diga-se de passagem – o Flamengo viu-se prejudicado e sem ter onde jogar. Mas como vimos na minha coluna anterior*, não é apenas agora que o Fla ficou na mão por causa da indisponibilidade do Maracanã.
* http://www.mundorubronegro.com/flamengo/o-maracana-e-o-desperdicio

Essa semana, a discussão ficou entre onde o Flamengo faria seu estádio se partisse nessa direção. Com a licitação do Morro da Viúva, com o clube se reunindo com o prefeito Crivella, com a prefeitura de Niterói oferecendo terreno (excelente, por sinal), com o terreno de Guaratiba confirmado, entramos menos na discussão que interessa: quantos mil lugares deve ter o estádio do Flamengo?

Médias Históricas

Para isso, é preciso pensar com a cabeça e não com o coração. Se o clube quer seguir forte financeiramente, precisa de um estádio com tamanho condizente com a média de torcedores presentes do clube, para que a taxa de ocupação seja alta e torne-se um caldeirão de verdade.

Vamos analisar as médias de público de todos os campeonatos brasileiros desde 1967 (não encontrei informaçãoes sobre o período de 1959 a 1966), e que clube liderou o quesito em cada ano?

1967:¹ Cruzeiro 34.038
1967:² Não disponível
1968:¹ Vasco da Gama 37.296
1968:² Não disponível
1969: Cruzeiro 38.024
1970: Fluminense 36.942
1971: Não disponível
1972: Corinthians 40.719
1973: Flamengo 33.660
1974: Vasco da Gama 36.619
1975: Internacional: 51.962
1976: Corinthians 47.729
1977: Atlético-MG 55.664
1978: Palmeiras 31.359
1979: Internacional: 46.491
1980: Flamengo 66.507
1981: Flamengo 43.614
1982: Flamengo 62.436
1983: Flamengo 59.332
1984: Flamengo 38.543
1985: Bahia 41.497
1986: Bahia 46.291
1987: Flamengo 47.610
1988: Bahia 35.537
1989: Flamengo 21.991
1990: Atlético-MG 26.748
1991: Atlético-MG 26.763
1992: Flamengo 42.922
1993: Corinthians 37.330
1994: Atlético-MG 22.801
1995: Atlético-MG 21.072
1996: Atlético-MG 25.449
1997: Atlético-MG 23.342
1998: Cruzeiro 28.384[12]
1999: Atlético-MG 42.322
2000: Fluminense 20.219
2001: Atlético-MG 30.679
2002: Fluminense 25.666
2003: Cruzeiro 26.109
2004: Corinthians 13.547
2005: Corinthians 27.330
2006: Grêmio 25.630
2007: Flamengo 39.221
2008: Flamengo 40.695
2009: Flamengo 40.035
2010: Corinthians 27.446
2011: Corinthians 29.424
2012: Corinthians 24.299
2013: Cruzeiro 28.911
2014: Cruzeiro 29.678
2015: Corinthians 33.637
2016: Palmeiras 32.470

Fonte: Wikipédia

Repare que o Flamengo foi líder 12 (doze) vezes em 52 campeonatos. É o clube que mais vezes liderou. Mas também é o mais INSTÁVEL. Vai de médias de 16 mil a médias de 66 mil torcedores. O Flamengo liderou o ranking de média de público da edição do Campeonato Brasileiro em:

      ⦁ 1973 (24º/40) – 33.660

 

      ⦁ 1980 (Campeão) – 66.507

 

      ⦁ 1981 (6º/44) – 43.614

 

      ⦁ 1982 (Campeão) – 62.436

 

      ⦁ 1983 (Campeão) – 59.332

 

      ⦁ 1984 (5º/41) – 38.543

 

      ⦁ 1987 (Campeão) – 47.610

 

      ⦁ 1989 (9º/22) – 21.991

 

      ⦁ 1992 (Campeão) – 42.922

 

      ⦁ 2007 (3º/20) – 39.221

 

      ⦁ 2008 (5º/20) – 40.695

 

    ⦁ 2009 (Campeão) – 40.035

Repare agora que o Flamengo fez as melhores médias nos anos em que brigou pelo título, exceção feita à 1973. Isso significa que nossa torcida não é presente como imaginamos, mas que quando o clube precisa dela para VENCER, ela comparece em peso, e com um estádio que alcançava mais de 100.000 pessoas, isso inflacionava nossa média para cima, principalmente na reta final.

A coluna de hoje até parece que fala contra nosso clube, mas ela na verdade não trabalha por um estádio que seja justo e honesto com nossa torcida. Se tirarmos a média GERAL do Flamengo desde 1967, temos 26.580 torcedores. Exatamente. E adivinhem? Somos os líderes. Segue o ranking:

Flamengo: 26.580
Bahia*: 24.139
Corinthians: 23.119
Atlético Mineiro: 23.118
Cruzeiro: 19.777
São Paulo: 18.300
Grêmio: 17.960
Internacional: 17.701
Palmeiras: 17.964
Vasco da Gama*: 16.832
Fluminense: 16.167
Santa Cruz: 15.273
Ceará*: 15.056
Sport: 14.094
Coritiba: 13.965
Botafogo: 13.430
Paysandu: 13.562
Vitória: 13.001
Goiás: 12.891
Santos: 12.651
Atlético Paranaense: 12.017
Náutico: 11.739
Figueirense: 9.575
Avaí* : 9.559
Atlético Goianiense*: 9.466
Santo André: 9.195
Guarani*: 8.426
Chapecoense: 8.174
Joinville*: 7.547
Ponte Preta: 7.522

(*) Valores desatualizados Fonte: Revista Placar – Guia do Brasileirão 2016, 2015, 2012, 2011, 2010, 2009, 2008, 2007, 2006, 2005, 2004 e 2003

Para que não dependamos de estádios alheios e possamos sempre contar com nossa casa, é preciso ler e entender esses números. O Maracanã, como estádio suporte para jogos de grande apelo será sempre a ferramenta para mostrar gigantismo. Mas um estádio menor, mais barato e com arquibancada mais próxima do campo será sempre uma ferramenta de pressão maior sobre os adversários.

Se analisarmos os regulamentos de competições nacionais e internacionais, vamos ver que o ideal é que o estádio tenha pelo menos 40 mil lugares, assim nunca ficaremos reféns de terceiros. Mas será que ele pode ser um pouco maior?

Essa é uma questão a ser debatida em cima de dados e muito bem planejada. O gasto será alto e não podemos errar. Os melhores exemplos são os de Corinthians e Palmeiras.

Palmeiras fez um bom negócio onde não gastou dinheiro no estádio, mas fica refém da empreiteira quando ela marca shows na Arena. Um exemplo, se o Palmeiras for à final do Campeonato Paulista, não poderá mandar seu jogo em casa porque haverá show contratado.

Corinthians fez um péssimo negócio. Pegou empréstimos, financiamentos, tem um número impagável mesmo se parcelar em duas décadas e viu ruir seu histórico recente de disputar em cima todos os torneios em que entrava, vivendo sua era dourada. E isso refletiu-se na arena. A “Fiel” mostrou-se não tão fiel e abandonou o time, que hoje já tem apenas 27% do estádio ocupado nos jogos recentes.

E ambos, Corinthians e Palmeiras, tem estádios com capacidades semelhantes. O Allianz Parque suporta 43.713 pessoas e a Arena Itaquera suporta 49.205 torcedores.

Conclusão

Se tomarmos o exemplo desses clubes, parece que um número de 50 mil lugares é um bom número. Poderemos sediar jogos de qualquer competição e em qualquer fase, teremos uma ocupação média do estádio superior a 50% tomando a média histórica de público do clube no Campeonato Brasileiro, a capacidade total aguentaria 10 das 12 médias de público do Flamengo que figuraram como a maior do torneio desde 1967 e ficaremos enfim livres da chantagem que os abutres fazem sobre o trem pagador do futebol do Rio de Janeiro.

Quando tivermos que jogar numa casa maior se a demanda do jogo for recorde, com certeza um estádio como o Maracanã oferecerá ao clube melhores condições mediante a não obrigatoriedade do Flamengo em fechar com qualquer um.

Afinal, o Maracanã já não é mais o mesmo, não é?

O que acham?

Saudações Rubro-Negras!

Bruno de Laurentis escreve todas as sextas-feiras. Siga-o no Twitter: @b_delaurentis

 


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