Primeiro a Estrela, depois a Stellinha

Primeiro a Estrela, depois a Stellinha

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O Flamengo estava mal das pernas e os bares e as esquinas andavam tristes. Everton não corria, Paulinho pálido toda vida e Marcelo Cirino perdia o contra-ataque que puxava como ninguém.

E que o levara até a Gávea como esperança de um novo Jairzinho. Para jogar na cidade maravilhosa, e vestir aquele manto sagrado, ou você vem das divisões de base e aprende a cultuar aquela seita, ou se perde na primeira noite de escolha de samba na estação primeira de Mangueira. Rio de Janeiro com a camisa do Flamengo jogando no maior estádio do mundo. Ou você passa por Harvard, faz pós em Yale, ou és um eunuco. São lendas cariocas.



Bruno, meu filho, parte desta nação, não mais sorria. Ia trabalhar, almoçava, malhava como quem iria cumprir tabela. Rafael Padilha, nosso sobrinho, passava em frente a nossa casa rumo à clínica como se o teto da rua fosse desabar sobre sua cabeça. Foi então que há um ano, mais precisamente em 28/06/15, escrevi o artigo que não queria. Crônicas são pratos que servimos aos nossos leitores, e que todo autor gostaria que carregasse no tempero potes de elogios. Reproduzido por Renato Maurício Prado, em sua coluna em O Globo, aquele grupo, que contava ainda com Alan Patrick, ficou conhecido como o “Bonde da Stella”. Era a marca da cerveja que cobria a mesa em uma foto que bombou nas redes sociais, e afastava todos eles de alcançar no clube uma outra estrel a. A mesma que todo rubro-negro começa a ter o direito de imaginar ter mais uma bordada no peito após vencer o Vitória e se aproximar do Palmeiras

Depois de sábado, o ar ficou mais leve no país e aqui em casa. Ainda não vi o Rafael passando, mas certamente vai cruzar daqui a pouco nossa rua de cabeça erguida, procurando nos céus uma estrela que combine com as quatro que poderão caminhar ao lado do seu orgulho. E, hoje, escrevo o artigo que gostaria. De exaltação a estes meninos que colocaram a cabeça no lugar. De talentos únicos, origens humildes, cujas mães “desviaram” um dia o dinheiro da feira para alcançar um trem que os levassem em direção oposta da escola. A bola, só elas sabem, seria a caneta com que alcançariam sua emancipação, liberdade e cidadania. Eles, afinal, entenderam que são apenas 17 anos de sacrifício e dedicação em uma difícil profissão, que pode mudar a sua história, a de suas famílias e reverter um quadro de desigualdade social que o futebol atenua tanto quanto o Bolsa Família.


A Stella é uma grande cerveja. E estará a mesa na hora certa, após a estrela. A ordem dos fatores, neste caso, altera a conquista. Quando se trata de Flamengo, então, esta estrela não pode parar de brilhar porque foi esta a luz que a maioria do povo brasileiro escolheu para iluminar os seus caminhos.

Zé Roberto Padilha foi jogador do Flamengo. Atuou ao lado de Zico e outros craques na década de 70. Ponta-esquerda habilidoso nos gramados, um poeta e cronista da cidade de Três Rios, interior do Rio de Janeiro.

 
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