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A versão 2016 do Mais Querido já se tornou conhecida dos molambos mais engajados. Aproveitamento da base, três atacantes, triangulações e meio onde todos jogam são alguns dos predicados rubro-negros nesse início de temporada. Os mais entusiasmados reconhecem o chamado “time titular” e se empolgam com as variações que o elenco possibilita: não é todo banco de reservas do Brasil que conta com nomes como Éverton, Alan Patrick e Éderson para mudar a cara do time durante um jogo. Complementam o segundo time caras como Gabriel, Márcio Araújo, Pará, César Martins, outrora titulares; e há, ainda, a promoção de jovens que, até aqui, têm dado conta do recado. Em total descompasso ao elenco, está uma das principais contratações (leia-se “uma das mais caras”) do clube nos últimos anos, o argentino Héctor Canteros. E precisamos falar sobre Tito.

Ele chegou ao clube em meados de 2014, com a missão de qualificar um setor que se ressentia da ausência de Elias e que fracassara na Libertadores da América. Para piorar o cenário, o time patinava no campeonato brasileiro e sofria com excesso de lesões e cartões. Pouco importava se vinha de outro país, se a adaptação seria rápida: Tito precisava dar resultado logo. Lançado por Luxemburgo à frente de dois marcadores (selecionados entre Márcio Araújo, Cáceres e Amaral), o camisa 20 deu cadência ao setor, melhorou o passe, desafogou Éverton, articulou a transição entre o meio e ataque e, mesmo sem ser brilhante, foi importante na recondução do time para fora da “zona da confusão”.

Para o início de 2015, estava claro que a formação de um novo time passava pela manutenção de Tito. Querendo posar de moderno, Luxemburgo modelou um time com três atacantes – decisão que se provaria um equívoco nos meses posteriores. A reforma no esquema de jogo tirava uma peça do meio-campo, redistribuindo os remanescentes em outras funções. E foi nesse processo que começou a derrocada de Tito.

canteros

“Eu não aguento mais esse papo de amigo imaginário”

Canteros foi recuado para a posição favorita de todo comentarista brasileiro, a “segunda volância”, posição do “elemento surpresa” e outros clichês tão batidos quanto o 7 x 1. Perdido em um esquema que nenhum jogador compreendia direito, Tito tornou-se uma presa fácil; diferentemente de todos os segundos-volantes brasileiros de sucesso no século XXI, ele não tem explosão para conduzir a bola entre os dois lados do campo e nem fôlego para segurar o ímpeto ofensivo de seus adversários. Suas maiores qualidades – o passe vertical, a utilização de espaços curtos e as entradas na área adversária – desapareceram. Do dia pra noite, o meio-campista útil de 2014 pareceu um veterano dispensável em um elenco pobre em opções para compor o setor. A situação do jogador piorou na reta final de 2015, quando o seu mau rendimento era recorrentemente associado à vagabundagem, em alta no clube por conta do “Bonde da Stella” – do qual ele nunca fez parte. Sem alarde, Tito fez seu mea-culpa, assumiu a responsabilidade pela queda de desempenho, mas o discurso não colou com a torcida.

O fim melancólico da temporada, somado às contratações de Willian Arão, Mancuello e Cuellar, jogou o argentino num perigoso limbo, onde a falta de confiança, de força mental e de posição para jogar parecem apontar para o encerramento precoce de uma passagem que poderia ter sido muito mais do que foi até agora.

O início de ano do jogador reservou momentos como a ausência (inclusive no banco) contra o Fluminense e uma piadinha (MUITO fora de hora, diga-se de passagem) no perfil oficial do clube. O valor de mercado do atleta, segundo o site transfermarktdespencou quase 28% nos últimos 12 meses – marca incompatível com um jogador que sequer completou 27 anos. E o seu papel no elenco rubro-negro, ninguém sabe qual é.

Se quiser ser novamente relevante, Tito precisa se reinventar. Confesso que gosto da ideia de vê-lo jogando à frente da zaga, no papel que hoje é desempenhado por Cuellar; lá, pelo menos, ele poderia sair com a bola e não se sobrecarregar no combate direto. É papel do Muricy ser psicólogo da vez, preservar seu atleta e ajuda-lo a recuperar a confiança. Não devemos trata-lo como um jogador acabado. No fim das contas, ele é patrimônio do clube e, por mais que o momento diga o contrário, já vimos que ele é capaz de dar mais do que isso.