O que eu mais tenho visto na internet são elogios ao que o Atlético Paranaense e Coritiba fizeram, de tentar transmitir o Atletiba pela internet. O Atlético Paranaense teve um crescimento de mais de 75% e o Coritiba de 80% nos inscritos no canal de YouTube. Em apenas TRÊS DIAS. Entre a divulgação da transmissão online do jogo e o dia que o jogo deveria ter ocorrido. O que não nos deixa nenhuma dúvida do interesse da torcida em consumir os jogos assim.

Mas não é tão simples deixar a TV pra lá e transmitir jogos no YouTube, Facebook ou até o Twitter.

Não estou falando de ter que passar por cima de quem tem direitos de TV (mesmo que não da partida) e federações. Isso é mais fácil de resolver que outros problemas.

Vou fazer um exercício de imaginação, como se o Flamengo hoje estivesse livre de qualquer contrato e pudesse fazer o que quisesse com seus jogos.

A parte estrutural nem é a mais complicada. Hoje dá para fazer boas transmissões online sem investir tão pesado. Mas teriam que contratar alguma produtora de vídeo. Ou comprar todo o equipamento e montar equipe. Mas isso também não seria tão difícil.


Mas como o Flamengo faria dinheiro com isso? Transmitindo de graça nas redes sociais não tem os milhões de reais da Globo. O clube teria que conseguir fazer dinheiro com a transmissão de outras maneiras. Podia vender patrocínios, transmitir para quem é sócio-torcedor (já pagaria uma mensalidade que incluísse isso) ou até cobrar uma assinatura estilo pay-per-view, ou até os jogos avulsos.

Mas pra isso tudo precisaria ter os direitos de transmitir os jogos de todos os outros clubes também. Sozinho o Flamengo não pode transmitir nenhum jogo. No Brasil só se pode transmitir quando se tem os direitos das duas partes. No caso do Atletiba, suponho que como ninguém tinha direito de transmissão nenhum (sobre aquela partida) isso foi simples. Mas se uma empresa tem os direitos sobre os jogos de um time, não tem como o Flamengo transmitir.

Mas vamos supor que isso também não é um problema. Se não existissem esses contratos e cada time fosse livre para transmitir qualquer jogo que participasse do jeito que quisesse. Ainda teria um grave problema. Na minha opinião, o mais difícil de resolver.

Quem tem estrutura para assistir a jogos online? Nem todo mundo tem internet em casa. Poucos têm uma boa internet que pudesse segurar uma transmissão ao vivo. E mesmo assim, ainda menos gente tem como assistir a isso na TV. SmartTVs, AppleTV, Chromecast e outros aparelhos ainda são raridade nos lares brasileiros.

E isso não se resolve com leis e acordos.

A estrutura de internet do país teria que crescer, ficar mais barata e nem pensar nesses planos de internet fixa com limite de dados. E além disso, TVs com acesso à internet também precisariam se transformar numa realidade.

Ou seja, é MUITO complicado

Esse é o futuro. As ligas americanas de esporte já fazem isso. Mas lá é muito mais comum ter uma boa internet, e todas essas maneiras de consumir conteúdo online nas televisões.

O Brasil ainda vai acabar chegando num modelo desses. Mas não acho que seja num futuro próximo.

O Flamengo, de todo modo, já está pensando no assunto. No contrato para o Brasileiro de 2019 a 2024, assinado ano passado com a Globo, o clube fez questão de deixar de fora o direito de transmissão por streaming. Não há previsão de valores, nem cláusulas definidas. Só a previsão de que o clube poderá vender esses direitos desde que compartilhe a receita com a Globo e não canibalize TVs aberta, fechada e pay-per-view.

 
Luiz Filipe Carneiro Machado é publicitário e titular do blog CRF & ETC.
Twitter: @luizfilipecm

 


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