Max Amaral é um amigo que tenho, por causa da blogosfera. Amigo, mesmo! Como mora fora do Brasil, me comporto como uma espécie de jornal, explicando algumas situações do país. Conversamos sobre os meus textos, sobre o Brasil, sobre o Flamengo, sobre estádio do Flamengo. Sou um curioso, gosto do assunto estádio, Max é arquiteto, trabalha há mais de 10 anos nos EUA. Nestes papos falamos sobre a nova diretoria do Flamengo, dos novos rumos, das ideias de revitalização do clube, de um estádio.

Ele por si só, tem acompanhado as notícias da imprensa brasileira apresentando as negociações do Flamengo com os novos administradores do Maracanã e, embora reconheçamos que não temos todos os dados, nos parece que a essa altura o Clube já deve ter chegado à mesma conclusão que a torcida – o Flamengo precisa ter uma casa própria, sua, sem intermediários, onde possa desfrutar de todas as vantagens que sua imensa e única torcida pode oferecer. Infelizmente, diferentes administrações apostaram na máxima que a casa do Flamengo sempre seria o Maracanã, e isso foi um enorme erro estratégico.

Começamos a pesquisar e descobrimos existir diversos projetos de estádios para o Mais Querido. Entendemos as vantagens que um bom planejamento pode gerar, ganhos reais com vendas de camarotes, direitos de nome, espaços para lojas, bares e restaurantes, ou os valores subjetivos como o orgulho dos realizadores ao ver uma construção notável ganhar forma, ou a satisfação de uma torcida gigantesca e apaixonada ao ver seu time dar um passo tão importante. Sonhando, tiramos nossos pezinhos do chão.

Vislumbramos que para dar certo, o Flamengo teria que gerar um projeto que fosse bem além dos seus próprios interesses imediatos, com aliados na luta para conseguir o terreno e os recursos para a construção. O problema é que cada um desses terrenos teria que ser adquirido – factualmente ou através de algum acordo com o proprietário e/ou o poder público – e a construção seria alvo de pressões políticas, associações de moradores, times rivais. A construção de um estádio, simplesmente, deixaria o Flamengo sozinho na luta política pela sua conclusão.

Muitos terrenos foram analisados, estudados, com todos os seus prós e contras. Pensados e repensados. Eis as opções: Terra EncantadaEngenhãoGáveaJockey Club (também na Gávea) Detran (Irajá, no entroncamento entre a Av. Brasil e a Via Dutra), Refinaria de ManguinhosIlha do FundãoCEFAN (terreno da Marinha na altura de Olaria, na Av. Brasil), Outro terreno da Marinha em Duque de Caxias (onde já apresentaram um projeto que ficou conhecido recentemente), Alguns terrenos na Barra da Tijuca, dentre os quais dentro do Parque Olímpico pós-jogos e Ilha de Pombeba.

Você já ouviu falar de PombebaCom todas as dificuldades previstas de terreno, “achamos” um lugar de fácil acesso, sistema de transportes implementando (em conclusão), parece ideal. Na região do porto descobrimos” a pequena ilha, “abandonada”, sem nem um nome conhecido. Considerando um estudo ornitológico feito no local, a Ilha dos Urubus (e isso pode ser um sinal: o urubu é o símbolo/mascote do Flamengo)Para ficar claro: a ilha da qual estamos falando é uma pequena ilha artificial no centro do porto do Rio de Janeiro, próxima ao cemitério do Caju, a oeste da Ilha Santa Bárbara. É uma “formação criada artificialmente através de sucessivas dragagens realizadas no passado, cujos sedimentos foram despejados no local ao longo do tempo”.

Com a ilha de Pombeba, as ideias nos surgiram com tal complexidade, que até o custo do terreno para o Flamengo passaria a ser irrisório, uma vez que o poder público (a Cidade do Rio, principalmente) seria beneficiada com a criação de toda a infraestrutura em volta. Assim que o projeto “fosse para a rua”, as peças começariam a se encaixar. Essa infraestrutura seria o que clube devolveria à sociedade, oferecer para a cidade, para o porto, para ter o terreno. Não conseguimos enxergar lugar melhor para a construção de um estádio, onde própria construção e seus anexos sejam incentivos suficientes. “Criamos” um monstro!

Estrutura e construção

A ilha em si não poderia ser usada “como ilha”. A primeira medida seria o aterro, um grande aterro, que pudesse construir uma estrutura “tipo ponte”, ligando a ilha à região da Rodoviária Novo Rio. Avançando na ideia, se tem um parque, que pode ter dentro dele um estádio, mas o estádio passa a ser um detalhe. Amplia-se a área verde e as opções de lazer da região significativamente, dois dos tópicos principais do Projeto Porto Maravilha.

Desculpem-me pela minha total falta de habilidade e talento para desenhos de qualquer ordem…

Organizando esse aterro como uma série de “lajes”, embaixo do parque você tem um estacionamento, que poderia servir tanto a região do porto quanto ao estádio em dias de jogo. Assim, embaixo do parque ficaria toda a infraestrutura necessária para alfândega e imigração o acesso a um píer para os transatlânticos, algo que está dando briga entre o “porto e a cidade”.

Seriam “três retângulos, três “terraços”, começando na rodoviária. O primeiro e o segundo são o parque, o terceiro, o estádio, que ficaria no terceiro nível, com a estação de barcas no nível intermediário, “obrigando aos famintos a almoçar no estádio”, nas praças de alimentação. A construção seria “por níveis”, onde o parque seria construído subindo o nível em 10m, um segundo nível em 15m, um terceiro nível 20m acima, assim o estádio vai parecer “menor” do que é por fora, o que é interessante. Essas três plataformas são o parque.

Um shopping center seria construído debaixo do parque, assim como o “Museu do Porto do Rio de Janeiro”, estacionamento para aproximadamente 5.000 carros estaria dividido entre o primeiro e o segundo nível, que ajudaria na logística de quem trabalha no centro da cidade, assim como a infraestrutura para o porto, para transatlânticos, barcas, e do próprio estádio. Este acesso a uma nova estação de barcas, aliviaria o tráfego que vem de Niterói, Paquetá, Ilha Grande e Ilha do Governador. opção se integraria com os modais projetados e construídos pela prefeitura para o transporte de pessoas no centro da cidade, como um terminal para os ônibus (Hub no gasômetro) e os VLTs do novo sistema viário da região do porto, integrado à Rodoviária Novo Rio, que ficaria em frente a ilha e a estrutura do estádio/parque.

No “projeto Pombeba”, os transatlânticos não inviabilizam o porto, como nos projetos atuais, onde há briga por formato, pelo contrário, eles ficariam do outro lado, sem tapar a visão da cidade, sem o viaduto da Perimetral. Terminal em Y como queria a prefeitura ou em E como quer o MP. Deixando bastante claro, o que nos interessa são alguns dos projetos das construções – o estádio, principalmente, e alguns dos serviços paralelos como o Museu do Porto ou as instalações da área da alfândega/imigração. O “dono” do projeto negociaria os diferentes papéis.

Áreas a se revitalizar no Porto

Áreas a se revitalizar + novo pier para transatlânticos.

Na ilha existiria integração com a rodoviária Novo Rio, estação de Barcas (conexão com Niterói e Ilha do Governador, desafogando um pouco o trânsito), cais para transatlânticos, um parque e uma alameda dos campeões com estátuas (Parque dos Craques Míticos). Trenzinhos elétricos para transporte de deficientes, idosos e “preguiçosos”, bicicletário comum e bicicletas para locação, e o estacionamento para 5.000 vagas. Abaixo intervenções e utilidades do complexo a ser criado:

  • Um parque, aproveitamento de sedimentos, porto com navios de grande porte para turismo, estacionamento para abastecer a região, viabilização comercial da região da rodoviária que estava esquecida, uma nova opção de transporte, lazer e um estádio de futebol lindo no centro da cidade, exatamente no porto;

  • Acesso fácil com transporte particular ou público, ficaria a menos de 2Km do metrô, de frente a rodoviária e teriam opções de transporte como os modais criados pela prefeitura para a abastecer o centro da cidade, como BRT Transbrasil, uma linha de VLT, um píer para transatlânticos e uma estação de barcas;

  • Excelente para torcedores do Rio ou de fora, que queiram apenas assistir ao um jogo com a proximidade da rodoviária principal da cidade, do aeroporto Santos Dumont, além de acesso rápido para o aeroporto do Galeão;

  • Bom para turistas “ocasionais”, que estejam apenas de passagem pela cidade, em transatlânticos ou “visitantes de negócios” que estejam a trabalho, pessoas/torcedores que não queriam ficar por muito tempo na cidade, se aproveitariam bem destas facilidades;

  • Seria criado, de presente para a cidade um ponto turístico, já que se observaria a ponte Rio-Niterói e todo o Porto Maravilha, da ilha, do estádio;

  • O projeto mais “ambicioso” da região do porto. Daria viabilidade e visibilidade imediata para todo o projeto Porto Maravilha, pela circulação e atração turística, irresistível;

  • Construção de um pequeno Museu do Porto, contando sua História. Nada tão grandioso como o recém-construído MAR ou o Museu do Amanhã, mas algo que agregaria valor à ilha e a cidade;

  • Uma nova estação de barcas, aliviando o tráfego que vem de Niterói, Paquetá e Ilha Grande;

  • Um shopping center embaixo do parque, considerando que esse parque se desenvolva dois ou três “níveis” acima do nível da água;

  • Uma escola de vela e uma marina pública, uma escola profissionalizante para jovens aprenderem a trabalhar com motores de barcos e manutenção de cascos e velas e etc.;

  • O projeto tem todas as características necessárias para servir à cidade e o novo porto, como centro turístico e facilitador de serviços;

  • Um “supertrunfo”, que não foi utilizado, nem poderia, pelo clube. Provável casa do Rugbi em 2016. A construção não seria rápida, mas em março de 2013 daria tempo;

  • Uma alameda dos campeões com estátuas (Parque dos Craques Míticos), reverenciando a história do clube;

  • Serviços novos para uma região “desabastecida”;

Pombeba, a Ilha dos Urubus, é uma ilha de sedimentos, ou seja, pode aumentar seu tamanho, fica localizada na baía de Guanabara, Zona portuária.

Imagem e vídeo acima das intervenções urbanísticas no Porto e a Mobilidade urbana.

Flamengo tem a necessidade de ter um estádio próprio, importante em termos econômicos e a diretoria, que tem como principal plataforma política a recuperação econômica e da credibilidade do clube, não pode se dar ao luxo de deixar de ganhar o que a enorme e fanática torcida do Flamengo pode render. E, claro, temos também o que pode ser o grande motivo contra a construção dessa nova megaestrutura: ela obriga a um novo projeto para o Porto.

Essa infraestrutura é o que o clube poderia oferecer para a cidade, para o porto, em troca do terreno. Correndo o risco de me repetir, não consigo ver o estádio sendo construído em outro lugar onde a própria construção do estádio e seus anexos sejam incentivos suficientes. Para viabilizar o estádio, precisaríamos da prefeitura, dos Governos, da Cia. Docas, de todos juntos, em sintonia. No fim das contas, o clube mais popular da cidade, do estado, do Brasil e do Mundo daria à sua cidade natal um projeto ambicioso, de múltiplos usos, principalmente a população com a malha de transportes e as famílias que forem empinar pipas nos domingos de manhã com os filhos. Um megaprojeto, “pequena parte do Porto Maravilha”.

O grande motivo contrário à construção dessa nova megaestrutura, além do alto custo, seria a obrigação de um novo projeto para o Porto (estamos pensando, discutindo soluções para que o porto seja um parceiro do projeto, nunca um “inimigo”). O fluxo das embarcações, no mínimo, seria alterado.

Se tivesse saído do campo das ideias, essa loucura poderia ter sido construída para poder sediar os jogos de Rugby das Olimpíadas 2016, modalidade que até pouco tempo estava ainda sem uma “casa oficial”. Uma bela alternativa para os 450 anos da cidade do Rio de Janeiro e os 120 anos da fundação do Flamengo. Não deveríamos, de modo algum, ter deixado passar os esforços de copa do mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016…

Obrigado Max, pelos papos e por poder disponibilizar essa loucura, essa megalomania por um estádio do Flamengo!

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