O orçamento de 2017 do Flamengo, aprovado ontem pelo Conselho de Administração, prevê, pela primeira vez desde 2013, redução no dinheiro que será gasto no pagamento de dívidas, e um aumento de R$ 27 milhões em receitas impulsionado por patrocínios, bilheteria e programa de sócio-torcedor. Veja a seguir os principais pontos que o MRN pode destacar do documento-resumo da proposta aprovada apresentado no site do clube:

– A diretoria prevê uma tomada de R$ 50 milhões em empréstimos ao longo do ano por questões de fluxo de caixa. A estimativa é que o endividamento líquido caia de R$ 415 milhões para R$ 360 milhões no fim de 2017 – uma redução de quase 50% da dívida em relação ao total encontrado pela atual admninistração ao assumir o clube no início de 2013.

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– A estimativa de gasto efetivo em pagamento de dívidas ao longo do ano é de R$ 140 milhões, R$ 54 milhões a menos do que em 2016. É a primeira redução desde 2013.

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– Há uma previsão de aumento de R$ 27 milhões em despesas com pessoal – é razoável supor que a maior parte disso se reflita em aumento na folha salarial do futebol, ou seja, cerca de R$ 2 milhões a mais em gastos mensais na folha.

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– Em relação às receitas: está previsto um aumento significativo tanto de patrocínios normais (R$ 11 milhões a mais do que em 2016, de R$ 59 milhões para R$ 70 milhões) como em patrocínios incentivados (R$ 9 milhões para R$ 23 milhões). O MRN não conseguiu apurar o que o marketing já tem engatilhado para justificar esse otimismo. Também há uma estimativa de aumento de R$ 16 milhões com bilheteria (o que até faz sentido considerando que o time vai jogar a Libertadores, mas esbarra no uso da Arena da Ilha, estádio com baixa capacidade) e de R$ 11 milhões com o Programa Nação Rubro-Negra (de R$ 27 milhões para R$ 38 milhões, o que significaria um novo recorde anual de arrecadação do programa). O orçamento é conservador na previsão de receitas com TV – sem contrato com a Globo, estima 0 de arrecadação nessa rubrica, não faz previsões de ganho extra com pay-per-view. Mesmo com a nova receita de R$ 2 milhões da Primeira Liga e os estimados R$ 15 milhões da Libertadores, a estimativa orçamentária é de perda de receita nesse quesito.


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– No fluxo de caixa, é possível fazer duas observações: apesar de o clube só estimar receita de R$ 10 milhões com novas vendas de jogadores na temporada, estimou entrada de R$ 21 milhões nessa rubrica – corroborando a informação do vice-presidente de Procuradoria-Geral Flávio Willeman de que o dinheiro da venda de Hernane seria incluído no orçamento. Além disso, estão previstos investimentos totais de R$ 34 milhões – conforme o Globoesporte.com reportou, estariam incluídos aí R$ 16 milhões para a construção do CT da base.

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