Saudações, Rubro-Negros!

Estamos a poucas horas daquele que se tornou o momento mais importante do nosso ano. E vamos para a batalha dependendo de gente experiente, como Diego, Everton Ribeiro, Cuéllar, Rever e Juan, o maior de todos e ao mesmo tempo um dos homens mais lindos que a Terra teve a sorte de receber. Porém, não será apenas com os cascas-grossas que iremos bater de frente com El Rey de Copas. É também nos meninos recém chegados da base que reside boa parte de nossas esperanças em voltar a erguer uma taça que há muito tardamos em levar para a Gávea. Um deles, ou, melhor ainda, todos eles podem ser os protagonistas dessa epopeia, e alguns até aqui já o vem sendo. São garotos que têm aprendido rápido que na atividade que escolheram não há muito tempo nem espaço para serem… garotos. É preciso crescer e é melhor que seja logo.

É inegável o nosso nervosismo, é indisfarçável a nossa tensão, é visível o quanto estamos ansiosos pelo momento de a bola começar a rolar no gramado do outrora mítico Maraca, nossa casa predileta.

Não é para menos. Somos carentes de conquistas internacionais. Do alto dos meus 43 anos, sendo 32 deles dedicados a ver o Flamengo alcançar glórias e produzir alguns vexames muito de perto, jamais estive presente ao estádio para testemunhar a conquista de um título internacional. No último, em 99, contra o Palmeiras, estava no primeiro jogo, entretanto, não no segundo, no antigo Palestra, quando Lê nos deu a Mercosul; contra esse mesmo Independiente, em 95, com o Apolinho Washington Rodrigues de técnico e tentando meter um monitor no banco de reservas, por entender que assim via melhor o jogo — ele chegou a colocar o tal monitor lá em uma ou duas partidas, mas logo a Fifa lhe cortou as asinhas e o proibiu de seguir usando o recurso –, estava lá na finalíssima, quando o gol solitário do Baixo não foi suficiente para que revertêssemos o dois a zero do primeiro encontro; e contra o San Lorenzo, em 2001, pela mesma Mercosul e com direito a presidente decretando estado de sítio na Argentina, obrigando o adiamento do segundo jogo, perdemos novamente; eu também não estava lá, só no Maracanã, quando Edilson, o Capetinha, foi infantilmente expulso no começo do primeiro tempo e comprometeu em 100% o desempenho e a estratégia do time, que não saiu do 0 a 0.

É justo concluir, portanto, meus amigos, que também eu, apesar das minhas mais de três décadas de ativismo rubro-negro, sou um menino no que diz respeito a celebrar títulos internacionais. E como tal quero e preciso tornar-me grande, crescer para atingir a maturidade que todavia me falta. E é com esse espírito que estarei torcendo logo mais pelo meu time lá do último degrau do setor 5 da arquibancada Norte Superior. E com minha filha ao meu lado, que é justamente quem eu mais desejei ter junto de mim num momento como esse. E a ela se oferece a chance de fazer essa transição e atingir o mesmo amadurecimento ainda aos 14 anos. O que na vida fora do futebol pode ser visto como precoce, desnecessário e até perigoso, algo que nenhum pai minimamente responsáve deve incentivar nos seus filhos, ali dentro, vendo o time levar nas costas todas as nossas carências, os traumas e, acima de tudo, nossas esperanças e expectativas, quando confirmado, quando a faixa estiver atravessada em nosso peito, terá se convertido num marco na história dela e também na minha. E juntos, que é como pais e seus filhos e filhas melhor podem escrever uma história. Que seja com o mais feliz dos finais, pois é certo que nossos corações e gargantas estarão lá para ajudar a ser assim.

À vitória, camaradas!

SRN


Fabiano Torres, o Tatu, é nascido e criado em Paracambi, onde deu os primeiros passos rumo ao rubronegrismo que o acompanha desde então. É professor de idiomas há mais de 25 anos e já esteve à frente de vários projetos de futebol na Internet, TV e rádio, como a série de documentários Energia das Torcidas, de 2010, o Canal dos Fominhas e o programa Torcedor Esporte Clube, na Rádio UOL.
 

Imagem destacada no post e redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo.