O Flamengo tem como sua “casa”, o Maracanã. Nunca foi nosso no papel, mas sentamos no melhor lado, temos mais jogos, gols, vitórias, títulos que os rivais e tudo que for possível contabilizar num Estádio de Futebol. Inclusive o maior artilheiro, o Rei do Maracanã e da Nação Rubro-Negra, homem que dá nome a meu filho: Arthur!



O Flamengo tem a maioria dos seus títulos decidindo o jogo em “casa”. O famoso jogo de volta. Quando a “Maior Torcida do Mundo Faz a Diferença”. E essa estatística responde em muito pelo ex maior estádio do mundo.

Reprodução: Reuters

Construído para a Copa de 1950, inaugurado há 67 anos, o estádio custou 250 milhões de cruzeiros, o que equivaleria hoje a pouco mais de R$ 235,5 milhões, valor corrigido através de um aplicativo do site do Banco Central, segundo matéria de O Globo.

 

O estádio que já não existe mais

Reprodução: Reuters

Atualmente, o Maracanã (ou o que restou dele, já que se encontra desfigurado do projeto original) está FECHADO. A empresa que venceu a licitação em 2013 está comprometida na Operação Lava-Jato e está encerrando todas as atividades que lhe são deficitárias, pois está com seus canteiros de obra paralisados pelo Brasil e todo o mundo. Para jogos pontuais, Flamengo fecha acordos onde opera sozinho a partida, como fez no fim de 2015 nos 4 jogos finais em casa e também na estreia na Libertadores 2017, quando venceu o San Lorenzo da Argentina por 4×0 e com 60 mil rubro-negros presentes.

O místico Estádio do povo virou uma Arena, e como toda Arena, tem custos altíssimos de manutenção, como modernos sistemas de som, telões, irrigação, iluminação, elétrica, monitoramento de câmeras e outros.

E toda essa reforma que custou R$ 1,266 bilhão não foi a primeira, deixando o Flamengo “sem casa” entre setembro de 2010 e maio de 2013, quando o clube jogou no Engenhão.

O estádio também foi reformado para os Jogos Pan-americanos de 2007 ao custo total de R$ 304 milhões de reais, quando perdeu a geral (e a identidade), que deu lugar às cadeiras numeradas até a beira do campo, encostando no fosso. O custo foi 10x maior do que o divulgado no programa paraolímpico durante a candidatura. O campo foi rebaixado em 1,40m, foram criadas mais duas rampas de acesso, além das duas já existentes, dois telões de alta definição foram instalados e os acessos às arquibancadas, alargados. Parque Aquático Julio Delamare e Estádio de Atletismo Célio de Barros também sofreram pequenas intervenções. A obra principal durou de 2005 a 2007, porém a partir de agosto de 2003 já tivemos fechamentos parciais de áreas do estádio para intervenções menores.

Reprodução: Comparação entre o Maracanã até 1997 e após 2007, quando a geral foi extinta e as numeradas extintas até o gramado

E não para por aí. Para o Mundial de Clubes FIFA de 2000, o Maracanã também passou por reformas para ser inaugurado em 1999, quando o estádio se preparava para receber a primeira edição do Mundial de Clubes da Fifa, no ano seguinte. As arquibancadas receberam assentos de plástico, e foram construídos os camarotes. Calculada inicialmente em R$ 52 milhões, a reforma custou R$ 106 milhões. Esses camarotes fecharam e obstruíram o acesso superior do Maracanã pelas rampas monumentais.

A maior semelhança entre essas três reformas, é que em todas elas os orçamentos praticamente duplicaram e o dinheiro público escoou pelo ralo, e provavelmente nem sempre foi lícito, conforme temos visto com a prisão do ex-governador vascaíno e do presidente da empreiteira que comanda o estádio.

 

Quais reformas mesmo?

Mas não são apenas essas três reformas. Antes delas, desde 85 passamos por várias outras, só que todas emergenciais devido à falta de manutenção do estádio.

O Maracanã vinha dando sinais de desgaste e má conservação desde a década de 1980. A primeira grande reforma foi realizada em 1985, com a elevação do piso da geral em 45 cm e a recuperação das marquises, que fechou a geral por um ano e provocou interdições parciais do anel superior da arquibancada até o fim da obra, quase 2 anos depois.

Em 1990, durante o jogo entre Flamengo e Corinthians, um sentimento generalizado de receio em relação ao tremor do estádio durante a vibração da torcida do Flamengo. Houve a interdição e uma série de análises de engenheiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) até sobre o risco de desabamento. Posteriormente, 72 pilares de 20 cm foram instalados para escorar as arquibancadas e diminuir o desconforto. Um ano antes, dirigentes da Fifa já haviam reprovado o local em uma avaliação sobre uma candidatura brasileira para a Copa do Mundo de 1994, que não foi a frente. Essa obra também provocou interdições parciais por mais de 1 ano.

Ainda assim, o Maracanã foi liberado para o Rock in Rio de 1991. Depois do evento, um novo momento de reformas. Além da instalação de um novo gramado trazido direto do interior de São Paulo, especialistas partiram para novas análises das instalações envelhecidas do estádio e constaram que eram necessárias novas intervenções.

Reprodução: Rock in Rio 1991 no Maracanã foi um marco histórico do Estádio que sofreria sua maior tragédia no ano seguinte

Durante o Campeonato Brasileiro de 1992 e a arrancada histórica do Flamengo rumo ao título, a torcida rubro-negra lotou e fez tremer o Maracanã, e o envelhecido estádio cobrou seu preço: tragédia que vitimou oito rubro-negros na final entre Flamengo x Botafogo, pouco antes da partida começar. O acidente de 1992 deixou o Maracanã fechado por cerca de sete meses e causou uma ferrenha troca de farpas entre políticos e dirigentes na época, em função do objetivo do estádio em receber a partida entre Brasil e Uruguai, pelas Eliminatórias da Copa de 1994. O governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, chegou a declarar que o Estado tinha outras prioridades em relação ao amado palco futebolístico. Mesmo assim, milhões de cruzeiros foram gastos na recuperação do estádio que viu sua lotação máxima cair de 200 mil para 100 mil lugares. Nova reforma com substituição dos guarda-corpos e escoras, com intervenções parciais após a reabertura do estádio.

Reprodução: Torcedores tentam se segurar em meio ao mar de gente evitando a queda pro anel inferior

E para encerrar, o Maracanã também fechou em dezembro de 2015 para ser reaberto apenas em agosto de 2016 para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, e desde então permanece fechado pois o Comitê Rio 2016 e o Consórcio Maracanã não se entendem sobre as condições em que o estádio foi devolvido. Para esclarecer, depois de todas as reformas estruturais, o Maracanã ainda não atendia ao caderno de encargos do COI e precisou ter túneis alargados, modificação na cobertura para receber nova carga de peso, sinalização e outros pormenores, mas não menos dispendiosos.

Reprodução: Globo.com

O Maracanã esteve fechado também para outros eventos diversas vezes, seja para grandes shows como o já citado Rock in Rio, seja para os também citados Jogos Olímpicos, Copa do Mundo etc.

 

O Flamengo sempre ficou na mão

Então, podemos perceber que desde 1985, o Flamengo não pôde contar com o estádio integralmente em 85, 86, 90, 91, 93, 94, 97, 98, 99, 2005, 06, 07, 10, 11, 12, 13, 16. Em 2015 o fechamento deu-se após a última partida do Flamengo pelo Brasileiro em casa.

Reprodução: Complexo Maracanã após inauguração para Copa do Mundo 2014

São 17 temporadas nas últimas 32, mais da METADE, com o estádio aberto parcialmente, em obras ou até mesmo interditado. Claro, nenhuma das vezes foi tão absurda como a atual, quando ele tem condições de jogo – ótimas por sinal – e não é liberado pela empresa que o gere, empresa essa que envolvida em corrupção, ainda vai escolher quem vai assumir a operação do estádio.

Vivemos numa época de absurdos, mas apesar de todo rubro-negro carioca vivo ter formado-se torcedor no Maracanã, é chegada a hora de dar o passo à frente.

O Maracanã será para sempre o melhor estádio de todos. Fica em um ponto central da cidade, tem acesso de metrô dos dois lados (São Cristóvão e Maracanã), acesso de trem (Maracanã), pontos de ônibus pela Radial Oeste e Avenida Maracanã. Mas se o Estado do Rio não faz força para que o estádio possa receber seu maior ativo – e que comprovadamente sustenta o complexo – que apoiemos nossa diretoria rumo à construção de nossa própria casa.

Este ano, partimos para a mesma solução de 2005, quando foi erguida na Portuguesa da Ilha do Governador a Arena Petrobrás. Dessa vez, o contrato de locação do espaço é de três anos extensíveis a mais três, e a estrutura de vestiários, acesso, sala de imprensa, pavimentação, iluminação, irrigação e gramado são definitivas, ficarão como legado para a Portuguesa. Temporárias, apenas os 4 módulos de arquibancadas (Norte, Leste, Sul e Sul/Visitantes). Curiosamente, seis anos é a previsão do clube para chegar à sonhada dívida zero, que trato em outro texto chamado: “Os anos mágicos estão chegando”.

A realidade é que com essa pequena casa para 20.500 pessoas, o Flamengo não tornar-se-á refém do Consórcio que assumir o Maracanã. Teremos tempo para pensar e negociar bem a aquisição de um terreno digno para a construção de um estádio que comporte a média de nossa torcida (outro ponto interessante para uma próxima coluna) e que não se torne um calcanhar de Aquiles nas finanças do clube.

A pergunta é: o Rio de Janeiro tem algum terreno grande e bom o suficiente para levantar o estádio do Flamengo? Saberemos nos próximos anos.

Saudações Rubro-Negras!

Bruno de Laurentis escreve todas as sextas-feiras. Siga-o no Twitter: @b_delaurentis

 


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