Na tarde de segunda (08), Eurico Miranda concedeu entrevista coletiva. Uma espécie de retumbar dos tambores da sua recorrente e maledicente fanfarra cruzmaltina. Já é praxe pelas bandas de São Januário: o presidente do Vasco da Gama, aquela nau afundada na segunda divisão do Campeonato Brasileiro, reúne a turba midiática para tentar manipular a opinião pública e, principalmente, boa parte de sua sofrida torcida.

A cada vez que lança mão deste espetáculo, Eurico se torna mais personagem de si. Um dirigente completamente perdido, que tem em mente primeiro bombardear com seus velhos canhões enferrujados o rival Flamengo, e depois encaixar algum derivativo de lucro destas ações no seu tão surrado Gigante da Colina, time que perde torcida, perde receita, perde o lastro da nova história de ética e responsabilidade administrativa nos clubes de futebol pós 7 a 1.

Rufaram-se os tambores, os taróis, as caixas e atabaques da fanfarra, e Eurico anunciou os inevitáveis jogos fora do Rio de Janeiro.

“O Vasco não joga fora do Rio”, bradou em janeiro o velho dirigente, com a arrogância e prepotência de sempre. O Vasco tem estádio, dizia, como todos os vascaínos iludidos repetem a cada dia. Eis que a realidade bate à porta. E as contas também. Sem dinheiro, não há arrogância, não há prepotência, não há razão. Os prejuízos no campeonato que Eurico defende (ou defendia) com uma fúria canina não são suportáveis nem mesmo a ele. Apesar de tudo, eles precisam desesperadamente manter a CND em dia, ou correm o risco de perder o patrocínio da Caixa – que mostrou que não está pra brincadeira, depois de não chegar em um acordo com o Corinthians por conta disso. Por necessidade de dinheiro, e unicamente por este motivo, o presidente mudou de ideia.

Eurico sabe que a receita obtida em jogos em Brasília são impossíveis de alcançar em São Januário. Mas mantém a pose, essa não pode perder jamais. Mesmo com o pires na mão, mesmo na segunda divisão, mesmo vendo seu principal adversário evoluindo a cada dia e ganhando mais força na queda de braço. Ah, a pose não pode perder jamais!

Soaram as cornetas, os eufônios, as trompas e os barítonos da fanfarra, e Eurico bradou sobre as desafinadas Ligas e os emudecidos Estaduais.

Eurico critica a Liga, cospe regras (que seu fantoche Rubens Lopes criou), alega acordos (que seu fantoche Rubens Lopes acordou) e critica a mídia por dar cobertura à Primeira Liga. Ora, Eurico, a partir do momento em que a mídia – leia-se: a Rede Globo – paga por um produto, ela tem que promovê-lo. Lógico que ela vai divulgar e fazer questão que esses jogos sejam transmitidos e deem boa audiencia, obrigado. Ainda mais ao ver que tem retorno maior que o Ferjão. Esta é uma guerra perdida. Ao tentar proteger seu pequeno feudo, onde ele supunha que possuía o total controle, ele perdeu o pouco que tinha.

Tá com raiva da Globo promover a Liga? E aí, vai fazer o quê? Exibir o logo do Esporte Interativo nas costas? Funciona que é uma beleza.

 

Diogo Almeida e Cynara Peixoto (http://abolanaosaiporacaso.blogspot.com.br/ e twitter.com/blogvaimengao)

A barata-voa é você, Eurico.
A barata-voa é você, Eurico.
A barata-voa é você, Eurico.