Saudações, Rubro-Negros!

É justo e necessário comemorar a vaga na fase de grupos da Libertadores, principalmente da maneira como foi, de virada, com pênalti no último lance da partida e gol do Rafael Vaz; e mais importante, tomando o doce da boca dos vascaínos, que já podiam até sentir o gostinho, mas tiveram que se contentar com a pré-Liberta, o que, convenhamos, é muito mais do que qualquer um poderia imaginar que conseguiriam.

Sim, nosso investimento foi muito maior e não fizemos mais do que nossa obrigação. E ainda temos que agradecer ao Grêmio e ao Cruzeiro, que ficaram na nossa frente, mas por já estarem garantidos via Liberta e Copa do Brasil, respectivamente, abriram caminho para que a quarta vaga caísse no nosso colo. Tudo isso é verdade. Ainda assim, temos o direito de nos sentirmos felizes e comemorar e zoar com os nossos rivais. O direito e também o dever, porque foram momentos assim que fizeram a gente aprender a amar nosso time de futebol.

O Flamengo fez tudo errado e acabou dando certo. Foi assim que Zeca definiu sua carreira num depoimento dado durante as filmagens daquele DVD que marca seu retorno aos grandes palcos do país e o relança na grande mídia, de onde não saiu mais. Talvez o acústico da MTV. Não me lembro, sinceramente. A máxima, contudo, se aplica perfeitamente ao nosso ano. Nós também fizemos tudo errado e mesmo assim chegamos ao resultado mínimo esperado: a vaga direta na fase de grupos. Entretanto, a pergunta que agora não quer calar é: “Que Flamengo devemos esperar na próxima Libertadores?”

O Flamengo é um garoto em nível continental. Não tem um décimo do peso que sua dimensão, sua História e sua massa sugerem que tenha. 1981 foi lindo, a Mercosul de 1999 foi gostosa demais de ganhar, e, sim, por três vezes chegamos às finais de torneios sul americanos importantes, como contra São Paulo, San Lorenzo e o próprio Independiente, e não levantamos os canecos por muito pouco; em alguns casos, batemos literalmente na trave. Só que ainda é muito pouco para o tamanho do Flamengo.

Contra o “Rei de Copas”, que há tempos não ganha uma, temos uma oportunidade incrível de já agora começarmos a mudar a forma como normalmente temos encarado e sido eliminados de competições como a Libertadores e a Sulamericana. O Flamengo como a gente sonha ver não só na Libertadores, mas em qualquer coisa que dispute pode começar a ser fomentado nessas duas partidas contra um time também gigante e com camisa igualmente pesada. E se assim for, então a “Lei de Zeca” será sacramentada. Mas que tal e qual o mestre, que tendo encontrado o caminho de volta ao sucesso nunca mais se desviou dele, não achem que vai ser sempre assim. Comecem a fazer direito daqui para frente e, acima de todo o resto, tenham a humildade de reconhecer que, até aqui, tivemos muito mais sorte do que juízo.

SRN


Fabiano Torres, o Tatu, é nascido e criado em Paracambi, onde deu os primeiros passos rumo ao rubronegrismo que o acompanha desde então. É professor de idiomas há mais de 25 anos e já esteve à frente de vários projetos de futebol na Internet, TV e rádio, como a série de documentários Energia das Torcidas, de 2010, o Canal dos Fominhas e o programa Torcedor Esporte Clube, na Rádio UOL.

Imagem destacada no post e redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo.