Apenas entre eles

Responda-me aí, quantos pequenos detalhes da nossa rotina de trabalho ficam ali, apenas entre você e seu chefe ou entre você e seus colegas? Não levamos para casa todos os problemas da lida, não é verdade? Simplesmente porque algumas coisas não devem ser comentadas e discutidas publicamente, por mais que nosso trabalho seja de interesse… público.



Meu leitor não é bobo e sabe o motivo deste preâmbulo. Estou querendo dizer que centenas de coisas podem acontecer na rotina de treinos e preparação do time do Flamengo antes de cada jogo, que justificam determinadas escolhas.

Eu preciso falar do começo de ano pífio, patético e pesaroso para a torcida rubro-negra. É meu compromisso, tendo um Blog. Não posso simplesmente me ausentar de um espaço doado pelas mãos de quem constrói esse portal, para quem assumi um compromisso de gerar conteúdo e não fugir intelectualmente como um covarde, escrevendo pseudo-comentários em redes sociais.


Então, voltando pra você novamente, leitor; eu tenho, tive e terei (pelo visto) tantas críticas ao departamento de futebol do Flamengo que tenho medo de cruzar a linha da racionalidade, berrando bobagens raivosas dirigidas a um jogador, um técnico, a um dirigente. Mas vamos lá!

A fase ruim non stop

O fato é que o Flamengo amarga uma longa fase muito ruim dentro de campo. A cada ano monta times melhores, contrata bons treinadores, melhora sua estrutura de Centro de Treinamento, não atrasa os salários de seus profissionais e tenta resolver seus problemas internos: pagamentos de dívidas e soluções desportivas dentro de um cenário contrário aos seus maiores interesses enquanto instituição de caráter público.

Com todos esses desafios eu entendo — não gosto, muito menos aprovo — o fato de existir uma terceirização do setor que o Conselho Diretor menos conhece. A área que eles julgam ser território de profissionais que “vivem” do futebol. É uma escolha errada, pois, assim que se ganha uma eleição para presidente do Flamengo, você está vivendo do futebol.

Saia do trono e comece a mandar

Com relação ao futebol do Flamengo, Bandeira se posiciona como uma rainha da Inglaterra. Fato. Não se intromete. Não dá esporro, não julga necessário se mostrar altivo. Não suporta a ideia de ser uma espécie de dono de padaria, rude, que fica atrás do balcão apontando aos subalternos o que é preciso fazer. Bandeira, parafraseando o poeta, acredita nos seus ideais.

E acreditando nos seus ideais, de 2015 pra cá trouxe Rodrigo Caetano, renomado no mundo de contos de fada dos diretores-executivos. Fechou com Muricy Ramalho, que dispensa apresentações. Contratou Sheik, Guerrero, Cirino, Rodinei, Arão, Mancuello, Cuéllar, Éderson etc. Contratou a Exos. Comprou equipamentos caros para a comissão técnica tirar mais dos atletas. Contratou empreiteiras para reformarem o Ninho do Urubu.

Mesmo com tudo isso, o time não engrenou nesse primeiro período de competições em 2016. Derrotas para times minúsculos, aumento da recente freguesia para o Vasco, desempenho negativo em clássicos, time mostrando os velhos problemas do ano passado, tais como falta de confiança, desorganização, confusão entre raça e esforço desbaratinado, má pontaria, falta de intensidade, movimentação de tartaruga, sistema defensivo inexistente, capitão contestado e por aí vai. Nenhum desses problemas foi resolvido com a chegada de Muricy.

Entretanto, o técnico tinha um escudo perfeito. Uma falha dentro do planejamento do Flamengo, que poderia ser usada se as coisas dessem errado.

Não tardou para o técnico reclamar das viagens constantes.

E aí entra o papo do início do texto. Não sei se prometeram a Muricy um estádio no Rio, na ausência do Maracanã e do Nilton Santos. Não sei se o presidente explicou ao cara que ia ser complicado, íamos viajar muito. O ruído entre técnico e diretoria foi tão bizarro quanto perder para o Confiança com um a mais desde os primeiros minutos da partida.

O culpado do culpado

Vou me ater apenas aos dois personagens que carregam as maiores parcelas de culpa no futebol do Flamengo neste delicado momento.

Muricy é sim o grande culpado pela eliminação da Primeira Liga e do Campeonato Carioca.

Muricy é o culpado pela manutenção de um esquema tático falido.

Muricy  é culpado por dar o recado do cansaço e não motivar a superação aos seus jogadores.

Muricy só não é culpado pelo patrão confiar tanto nele, cegamente.

Bandeira é culpado por acreditar que o futebol funciona como um organograma bonito de repartição burocrática. Não funciona. Funciona com os funcionários do futebol, todos eles, do massagista aos jogadores, respeitando, admirando e até adulando seu presidente.

Bandeira é culpado por acreditar que Rodrigo Caetano é uma sensação. Um diretor disputado no Mercado. Como se o Mercado brasileiro fosse parâmetro para plena certeza, em plena certeza de que somos o país do 7 a 1, falidos futebolisticamente.

Bandeira é culpado por tapar o sol com a peneira três vezes depois que Wallim Vasconcellos saiu do futebol. Primeiro com Wrobel, depois com Biscotto e agora com Godinho.

Bandeira é culpado por nunca dizer nada com nada. Entrevistas vazias, péssima comunicação com a torcida. Bandeira precisa mesmo dar mais as caras. Bandeira tinha o afago da galera no primeiro triênio por ter sido uma alternativa viável, um salvador da pátria. Nesse mandato ele precisa ser o estadista de uma Nação.

Minhas soluções

Bem, manter Muricy é mister. Não dá pra trocar de treinador agora no meio da temporada, de novo.

Aviso Rodrigo Caetano que se a classificação para a Libertadores não for conquistada ele será demitido. Não cumpriu meta nenhuma até agora, não foi campeão de nada, não se classificou pra nada.

Contrato dois zagueiros, um deles titular absoluto. Também trago um reserva para o Guerrero.

Mando tirar a faixa de capitão de Wallace, ou melhor, empresto Wallace, e resolvo dois problemas com uma canetada só.

Exijo dois períodos de treinamentos diários até o início do Brasileiro.

Mostro para o Muricy o quanto seu discurso das viagens foi prejudicial politicamente e desportivamente.

Finalmente, me reúno com os jogadores e ordeno que o Brasileiro é obrigação.

Com essas medidas encerro o ciclo onde o futebol do Flamengo está nas mãos de quem entende de futebol. Pois se é para Rodrigo Caetano, Muricy e demais amiguinhos que mandam no Ninho, errarem e o presidente levar a culpa por omissão, que o presidente que decida e, se errar, que leve a bronca certa para o julgamento.

Tá na hora de botar a cara e apontar o dedo, tipo aquele dono ríspido de padaria que manda nos subalternos.

O mundo do futebol é assim, presidente.

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Diogo Almeida

Diogo Almeida

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