Na última quarta-feira (01), Daniele Hypolito voltou para seu lugar de origem e clube que declara como ser o seu de coração, o Flamengo. No ginásio Cláudio Coutinho, na sede do Clube, na Gávea, a atleta fez pequenas apresentações no tablado, juntamente com outras atletas rubro-negras e a técnica da equipe e também da seleção brasileira na Rio 2016, Keli Kitaura.

O Presidente fala sobre a alegria em ter Dani de volta. Foto/Reprodução: Twitter @MRN_CRF

O Presidente fala sobre a alegria em ter Dani de volta. Foto/Reprodução: Twitter @MRN_CRF

Logo depois, houve uma pequena cerimônia oficial para a reapresentação da ginasta. O Presidente do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello foi o primeiro a falar e fez questão de dizer que se sente muito feliz e satisfeito com o retorno de Dani à Gávea. “É com muito orgulho que recebemos de volta essa ginasta que é um símbolo dos esportes olímpicos não só no Flamengo, como no país” disse EBM, que em seguida passou a palavra ao vice presidente de esportes olímpicos, Alexandre Póvoa.

Em entrevista ao Mundo Rubro-Negro, Póvoa disse que isso significa muito para o clube. “Hoje é um dia muito alegre! Quando há anos atrás dissemos que daríamos um passo atrás para dar dois a frente, era disso que estávamos falando, isso é um orgulho pra nós. Em 2012, com o incidente que ocorreu no ginásio tivemos grandes prejuízos e infelizmente em 2013 graças a crise financeira do clube tivemos que dispensar a maioria dos nossos atletas de alto rendimento”.

Questionado sobre um possível retorno de outros ex-atletas rubro-negros, Póvoa nos respondeu: “Graças a estrutura que o Flamengo tem hoje, isso é possível acontecer, pois chama a atenção dos próprios atletas. Nós temos uma das melhores infraestruturas do país, sala de musculação, ginásio, piscina, então tudo isso se tornou bastante atrativo”.

A técnica Keli Kitaura também conversou com a gente e disse que considera a volta de uma atleta experiente e do nível de Dani, muito importante também para atletas mais jovens. “Isso é um sonho pra todos nós! No momento em que ela teve que ser afastada foi uma tristeza muito grande, então tê-la de volta conosco é importante em vários sentidos, afinal ela é um espelho para as meninas”.


Daniele Hypolito, bastante atenciosa e demonstrando grande alegria, falou com o MRN sobre sua decisão de procurar o Fla. “Meu empresário Bruno Chateaubriand já estava cuidando disso e negociando e a gente já estava conversando bastante a respeito, mas é claro que o coração rubro-negro falou mais alto. Mesmo distante eu continuava torcendo e tendo contato com as meninas, então foi mais questão de tempo mesmo, para que eu pudesse me restabelecer no Rio, questão de moradia, por exemplo, ver questões de treinamento e poder voltar para o Clube, tudo isso com muita calma. E aconteceu no momento certo. Em ano de Olimpíadas isso está sendo muito importante para mim, pois ter um clube transmite muito mais segurança ao atleta, dá mais tranquilidade” disse Dani, que encerrou dizendo: “Quem conhece minha história sabe do meu coração rubro-negro, eu tô de volta à minha casa”.

Raio-X

Daniele Matias Hypolito, natural de Santo André-SP, nasceu em 8 de setembro de 1984. Filha de um motorista de ônibus e uma costureira, Daniele teve seu primeiro contato com a ginástica no SESI de Santo André e, em 1994, chegou ao Flamengo como contratada, algo até então, inédito no país. Na época, o clube forneceu a ela um salário, moradia e escola para ela e seus dois irmãos.

Dois anos mais tarde, Dani foi a primeira no Campeonato Nacional Brasileiro na categoria individual geral. No ano seguinte, atingiu três expressivos resultados: conquistou o Campeonato Brasileiro no concurso geral e foi primeira por equipes, nas barras assimétricas e no solo, no Campeonato Pan-americano.

CBG TROFEU BRASIL, agosto de 2015. Foto: RicardoBufolin/CBG

CBG TROFEU BRASIL, agosto de 2015. Foto: RicardoBufolin/CBG

Desde então, a ginasta foi conquistando cada vez mais o seu espaço no esporte. Nos Jogos de Pequim, em 2008, fez sua terceira participação olímpica e ao lado de Jade Barbosa, Daiane dos Santos, Lais Souza, Ana Cláudia Silva e Ethiene Franco, conquistou a primeira e melhor colocação brasileira em uma final por equipes até então, a oitava.

No final de 2012, um incêndio destruiu parte do ginásio da Gávea. Em 2013, os dirigentes rubro-negros alegaram ter havido um déficit de R$ 14,5 milhões no departamento olímpico em 2012 e que o custo apenas das equipes de ginástica e judô juntas chegava a R$ 2 milhões por ano, além da natação. Eles informaram ainda que tentaram, sem sucesso, pedir ajuda a duas esferas do governo e ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Dani foi uma entre os oito ginastas dispensados, juntamente com seu irmão Diego e Jade Barbosa, e assinou com o Centro de Excelência de Ginástica (Cegin), em Curitiba. Seu contrato teve fim em janeiro deste ano e desde então a atleta estava sem clube.

Em maio, Daniele participou da Copa do Mundo de Ginástica Artística e conquistou duas medalhas de ouro. A primeira na disputa do salto e, no dia seguinte, com uma linda performance no solo, subiu ao lugar mais alto do pódio.