Muricy, vem cá, meu amor. Precisamos conversar. As coisas não estão legais entre a gente. Assim, começou muito bem, eu estava empolgadíssima com o nosso relacionamento. Quando você dizia “aqui é trabalho”, eu chega me arrepiava, uau! Era tudo o que eu sonhava: ver os jogadores treinando dois expedientes, trabalhando logo cedo após as partidas, ver que as coisas estavam fluindo e tinham gringos raçudos e que dominam a pelota. Tudo ia às mil maravilhas, a gente se entendia. Mas aí, não sei ao certo como começou, as coisas começaram a desandar.



Primeiro você chegou pra mim reclamando da falta de estádio. Uma, duas, três vezes. Meu amor, mas você não sabia que íamos ter Olimpíadas na nossa casa? Tudo bem, a Odebrecht foi sacana e largou o Maraca antes do tempo, mas bilhões de pessoas no mundo inteiro sabiam que durante muitos meses iríamos ficar desalojados. Aí temos que dar um jeitinho, vamos pra casa de amigos, que sempre nos recebem muitíssimo bem – talvez até melhor do que merecêssemos. Podemos ir pros estádios próximos, no interior? Lógico que podemos. Mas a gente sabe que não tem a mesma renda, né? Com que dinheiro vamos pagar os jogadores? Dinheiro nesses dias de crise tá cada vez mais difícil, meu bem.

Daí você começa a reclamar de desgaste. Viajar cansa, concordo. Mas o que cansa menos, 2h de ônibus pra Volta Redonda ou 2h pra Brasília ou 45 min pra São Paulo em voo fretado? Isso é psicológico, meu bem. Distância é relativa. Além do mais, jogo na casa dos outros é na casa dos outros. Já ia ter de ir qualquer jeito mesmo.


Mas o que me dói mais, me machuca mesmo, é saber que você poderia evitar esse desgaste. Que poderia poupar alguns jogadores em um jogo ou outro, colocar só no segundo tempo, ou mesmo deixar ele em casa descansando. Principalmente os coroas que tem mais de 35 anos. Ah, e o que é pior: você não usa todas as substituições a que tem direito. Nunca gostei de homem sovina. Pra que economizar, Mumu? Gasta essas substituições, larga mão dessa pão duridade!

Olha, nem ia comentar da Base, que você me prometeu mundos e fundos, disse que ia botar pra jogar, ajudar na transição, que aprendeu em Barcelona e tal, chegou todo cheio de papo. Meus olhos chega brilharam! E cadê eles agora, quando mais precisa? Bota os moleques em campo! São novos, tem fôlego e sede de mostrar serviço. Aproveita que o momento é esse.

É chato ter DR? É chato, mas só faço porque gosto de você. Quero que a gente se entenda, pois vejo futuro na nossa relação. Imagino nós dois juntinhos levantando troféus. Troféus importantes, nacionais. Quem sabe até internacional. Imagino a festa, seria linda. Achar alguém pra sonhar junto assim é tão raro, né? Pois vamos nos acertar: Você para de reclamar de tudo, faz seu trabalho de tirar o couro dos jogadores e eu fico aqui, dando todo o carinho e apoio que o time precisa, com toda a paciência do mundo. Combinado?

 

Cynara Peixoto (@blogvaimengão) também escreve no A Bola Não Sai Por Acaso.
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