A oposição não se conforma, mas não pode fazer nada:
o Flamengo é um caso de amor entre milhões e o Brasil.

O Vermelho e o Negro – Pequena grande história do Flamengo, Ruy Castro.

 
Em 1830, o escritor francês Sthendal publicou “O vermelho e o negro – Crônica do século XIX”. O livro, considerado pioneiro do romance realista, trata das tentativas de um jovem de subir na vida, apesar do seu nascimento plebeu, através de uma combinação de talento, trabalho duro, engano e hipocrisia, apenas para encontrar-se traído por suas próprias paixões¹.

Talvez o título homônimo de Ruy Castro seja apenas uma coincidência, ou homenagem singela ao clássico eterno da literatura. O fato é que “O vermelho e o negro – Pequena grande história do Flamengo” desfila em suas páginas a história de uma força social incomensurável da brasilidade.

 

 

Entrevistamos Ruy Castro no I Encontro de Escritores Rubro-Negros, que aconteceu no Salão Nobre do clube, durante as festividades do aniversário de 120 anos. A iniciativa partiu do escritor de Mengo meu Dengo, Luiz Hélio Alves. Foi sensacional ter a oportunidade de ouvir um cara dessa magnitude intelectual afirmar coisas que há muito deveriam ser o norte da política externa rubro-negra.

Considerado um dos maiores biógrafos brasileiros, Ruy é rubro-negro fanático e carrega consigo a exata noção da grandeza da história rubro-negra. Sua voz altiva deve ser escutada entre os homens que comandam o Clube de Regatas do Flamengo. Como um pastor dos tempos imemoriais – do passado e do presente – o grande homem do tempo projeta seu medo no futuro rubro-negro.

 


Ruy, a gente está em uma feira de livros rubro-negros. Eu não sei se existe uma feira de livros de futebol pelo Brasil. Foi uma ideia sensacional e contempla nossa grandiosidade. Fala um pouco da sua obra para a galera que está iniciando o contato com o mundo da literatura futebolística agora.

Eu escrevi o “Flamengo e o Negro — Pequena grande história do Flamengo” como o nome indica é isso. Fiz a biografia do Garrincha “Estrela Solitária — Um brasileiro chamado Garrincha” e ano passado saiu um livro chamado “Os garotos do Brasil” que são perfis de jogadores, histórias interessantes envolvendo jogadores de outros clubes, fora alguns do Flamengo também. Eu evito falar de futebol porque eu gosto de escrever com uma certa objetividade que o futebol é impossível, ainda mais o que envolve o Flamengo.

 

Falando sério, poucas instituições serão tão abrangentemente nacionais como o Flamengo —
a Igreja Católica, sem dúvida, e, talvez, o jogo do bicho.
E olhe que o Flamengo não promete a vida eterna nem o enriquecimento fácil.

Ruy Castro

 

Você pôde ajudar o Luiz Hélio Alves (idealizador do I Encontro de Escritores Rubro-Negros) em alguma coisa. A iniciativa partiu da ajuda mútua entre vocês. Não foi o clube que teve essa ideia.

Acompanhei o desafio do Luiz Hélio desde o começo. Dei algumas sugestões pra ele e estou muito orgulhoso de estar fazendo parte desse encontro de escritores rubro-negros.

Os títulos, as vitórias e os craques podem explicar muita coisa.
Mas não explicam tudo — porque, afinal,
os outros clubes também têm o seu rico patrimônio de glórias.
O Flamengo, queiram ou não, é que é diferente.

Ruy Castro

 

Você já elogiou algumas vezes essa gestão que assumiu o compromisso da responsabilidade financeira, pagando dívidas. Você tem algum posicionamento político atualmente? Está apoiando alguma chapa?

Não. Nenhuma. Eu quero que o Flamengo só… Eu estou gostando desse trabalho para recuperar a credibilidade, o equilíbrio das finanças. Mas estou muito desapontado com o futebol naturalmente, precisa melhorar muito. E o Flamengo precisa recuperar substância política no cenário brasileiro.

Você acha que estamos perdendo força?

Estamos perdendo força em relação aos times de São Paulo. Eles estão cada vez mais confiantes e confiados. Já ocuparam a CBF. Já ocuparam a Seleção Brasileira. Já estão ocupando a televisão. E estão se achando… Estão se achando, entendeu?

E o Flamengo parece não se importar…

O Flamengo parece não se importar. Não está reagindo à altura deste tipo de desafio, não é. Gostaria que fosse um pouco mais agressivo, um pouco mais presente nessa luta para continuar sendo o clube mais importante do esporte no Brasil.

 

Numa época em que alguns jogadores ainda entravam em campo de gorro,
toalha e óculos, e os juízes apitavam de terno, gravata e chapéu, foi o Flamengo que
tirou o colarinho duro do futebol e fez deste a paixão dos descamisados,
dos banguelas, dos desvalidos.
Nascido da elite carioca, ele logo caiu nos braços do povo.

Ruy Castro

 


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