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“Ele voltou, o boêmio voltou novamente…”

 

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Imagem: Reprodução

A composição A VOLTA DO BOÊMIO de Adelino Moreira foi eternizada na voz do saudoso Nelson Gonçalves, mas seu estilo de vida vem sendo adotado ao longo da história por muitas personalidades, incluindo aqueles que deveriam ser atletas de futebol. Ocorre que o termo  “atleta”, no mundo do futebol brasileiro habitualmente é substituído pela palavra “jogador”. E jogador é aquele que participa de jogos, normalmente de azar. No futebol, a diferença é que, quando o jogador não joga, o azar fica para o time, o clube e sua torcida.

Que me desculpem todos os que ficaram entusiasmados com os afastamentos de Pará, Cirino, Paulinho, Everton e Alan Patrick, mas o episódio foi mais trágico do que podíamos imaginar. O nível histórico de amadorismo no futebol brasileiro, e os antecedentes do próprio Flamengo demonstram que o preço da vontade, e da consequente ação dos dirigentes, pode ser muito alto. O último dispensado de forma abrupta, o goleiro Felipe, nos custou a bagatela de dois milhões de reais.

Há um outro exemplo, que me nego sequer a citar o nome da figura, que ainda está sendo debatido no tribunal, capaz de nos gerar um passivo na casa das dezenas de milhões. E nem adianta dizer que foi da gestão anterior, pois o preço será pago por quem estiver debaixo da vidraça. O novo comando do Flamengo só será conhecido após o próximo  sete de dezembro. E, mesmo que o vencedor do pleito rubro-negro seja Bandeira de Melo, novos rumos devem ser tomados, no que tange ao futebol profissional.

Constatado isso, e antes que pensem que eu concordo com as farras que já se tornaram tradicionais no meio futebolístico, cabe enfatizar que o profissionalismo é uma via de mão dupla. O atleta possui todo um arcabouço contratual de obrigações, com ênfase das imagens envolvidas, e da enorme responsabilidade diante da marca FLAMENGO. Todavia, quando há rompimento de qualquer compromisso, o posicionamento dos dirigentes deve ser apropriado e, dentro do possível, restrito ao Clube.

Por mais que o dirigentes estejam cobertos de razão, a simples forma de expor a decisão ao público pode servir de base para uma ação futura de reparação. E não adianta espernear, gritar, chamar os envolvidos de vagabundos, ameaçá-los. A situação exige cautela, e os advogados estão aí loucos para conseguir mais uma gorda indenização da viúva.

Com relação ao fato, ou pior, a reincidência de fatos, nosso comportamento de torcedor é contraditório, para não dizer paradoxal. O problema, para um número significativo de torcedores, nem foi a farra. O que deixa de fato boa parte da Magnética enfurecida é a queda de rendimento dentro de campo, e a ausência de bons resultados. Um time que chegou a conquistar seis partidas consecutivas gerou bastante expectativa. Afinal, nem todos conseguirão levar a vida na cartilha de Renato Portalupi: https://www.youtube.com/watch?v=_Gyp9Uwi1D0

Eu não fui jogador de  futebol profissional, mas tive a alegria de disputar competições pela escola e, principalmente, campeonatos na faculdade. Me recordo que alguns amigos iam direto da noitada para o jogo pela manhã. Alguns chegavam exaurindo álcool. Nem sei como conseguiam jogar. Mas a idade, a diferença técnica, e o amadorismo nunca levaram a quaisquer questionamentos. Porém, com atletas profissionais, o nível de exigência física e mental é inimaginável para o simples mortal. O sono perdido se reflete em campo. A queda de rendimento é consequência natural.

Estas orgias não são de hoje. Em 2008, após empatar com o Atlético Mineiro em Belo Horizonte, o goleiro Bruno levou Diego Tardeli, Marcinho e outros para seu famoso sítio em Esmeraldas. O desfecho foi o pior possível. Ninguém foi punido. Por causa dos salários atrasados? Talvez…só sei que pouco tempo depois Marcinho se envolveu em uma confusão no Rio de Janeiro, o que acelerou sua ida para o exterior. Só para lembrar, o Flamengo chegou a ser líder daquela competição, e gerou alguma esperança na Taça Libertadores, mas o desmonte do elenco pôs tudo a perder.

Vejo muitos enaltecendo o time de 2009. Como o Flamengo foi campeão, deslizes como o de Adriano, que queimou a perna em seus momentos de lazer e por pouco não comprometeu o título, foram oportunisticamente esquecidos. Nós temos que ser muito objetivos ao ter que reconhecer que Zé Roberto deu conta do recado, e acabou decidindo alguns jogos. Zé Roberto que viveu situação semelhante no Botafogo. Só que o time caiu tanto de rendimento com seu afastamento, que a comissão técnica teve que reintegrá-lo.

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Imagem: Reprodução

A volta dos que não foram

Em 2010 a coisa foi ainda pior. Alguns jogadores do Flamengo passaram a frequentar as páginas policiais em supostos envolvimentos com narcotraficantes e no assassinato de Eliza Samúdio. Mesmo assim, por conta do título de 2009 muitos flamenguistas atenuam os fatos, mantendo uma idolatria acrítica aos que mancharam o nome da instituição Flamengo. Até hoje, aqui em Belo Horizonte, mesmo Bruno tendo sido o goleiro das categorias de base, e do rebaixamento do Galo em 2005, ele é anunciado pela imprensa como o goleiro do Flamengo…

Proponho uma enquete, já que estamos no clima. “Você aceitaria Bruno, ou Adriano, de volta para jogar no Flamengo? SIM ou NÃO?”. Dá pra fazer uma consulta no Twitter para cada um deles. Como Oswaldo de Oliveira não fez enquete, e certamente está apreensivo em relação ao seu futuro, ele exigiu o retorno dos afastados. Provavelmente nosso treinador chegou a conclusão de que Alan Patrick e Pará não possuem reservas à altura, por mais que isso possa nos assustar. Duas derrotas após o afastamento, aliadas às duas derrotas anteriores, serviram de alerta para o nosso treinador e dirigentes.

Se pensarmos friamente, talvez cheguemos a conclusão de que o maior prejudicado com o afastamento tenha sido o próprio Flamengo. Não obstante a multa, o custo desses atletas é elevado. A comercialização deles ficaria dificultada, e no caso dos emprestados, ainda poderia trazer imbróglio com Grêmio e Palmeiras. Sou torcedor e estou muito chateado com o ocorrido e com a completa ausência de comprometimento dessa equipe dentro de campo. Mas acredito que as melhores soluções ficarão para as próximas temporadas. Ao contrário de alguns jogadores, eu me importo com o Flamengo e torcerei para que terminemos o campeonato de 2015 de forma honrosa.

Que nos fique a lição definitiva para os próximos anos. Chega de pagar folha salarial de time campeão para grupos que se contentam em entregar a manutenção na primeira divisão. O Flamengo é um clube que nasceu para conquistar tudo que disputar. Espero piamente que nos inspiremos na base, e no lema, que formou o Flamengo vitorioso da década de 80: CRAQUE O FLAMENGO FAZ EM CASA!

Cordiais saudações Rubro-Negras!

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Imagem: Reprodução

 


Ricardo Martins escreve no Blog Mulambeiros, da Plataforma MRN Blogs.