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E aí, galera!

Pela segunda rodada da Primeira Liga (ou Rio Sul Minas, como preferirem), o nosso amado, querido e cheiroso Flamengo enfrentaria o recém-promovido para a Série A América-MG. Eu já tinha colocado na cabeça que daria todo apoio que pudesse ao campeonato (chupa FERJ!) e, na ausência do Maracanã e do Engenhão, eu fatalmente teria que fazer as malas e viajar atrás do Mengão. Quis o destino que a partida fosse marcada justamente para um estado que, apesar de bem pertinho do meu Rio de Janeiro, eu jamais tinha ido – nosso vizinho Espírito Santo, mais precisamente na cidade de Cariacica, no estádio Kleber Andrade. Também quis o destino que um grande amigo meu estivesse morando na cidade vizinha, Vila Velha, o que facilitou bastante os planos. Uma estadia 0800 ali, algumas milhas da Smiles aqui, uma folga de um dia no trabalho e lá estava eu embarcando rumo à capital capixaba Vitória.

Nesse post, vou contar um pouquinho dessa viagem: o que rolou no estádio e o que pude conhecer no dia seguinte. Claro, um diazinho pra conhecer qualquer destino sempre acaba sendo pouco, imagina três cidades?

Quem sabe você também não se anima?

Panorâmica da capital capixaba.

Panorâmica da capital capixaba.

 

O Espírito Santo e o Flamengo

Em termos de preferência clubística, o Espírito Santo é uma extensão do Rio de Janeiro. Em pesquisa feita em 2013 pelo Instituto Futura, considerando somente os entrevistados que responderam torcer por algum clube, 56,5% dos capixabas fecham com o certo. O vice é ele mesmo que você está pensando, com apenas 14,6%, seguido pelo pessoal do Tietê, com míseros 6,3%, para desespero do canal dos fãs de esporte.

Apesar de não termos nenhum jogador nascido no estado no atual elenco, o Espírito Santo já foi responsável por alguns grandes jogadores de nossa história. O mais recente deles talvez seja Sávio (nascido em Vila Velha), que arrebentou por aqui na década de 90, foi pra Europa, mesmo de lá deu um vice pras nossas barangas e voltou ao clube em 2006.

 

Vitória, Vila Velha e Cariacica

A capital capixaba Vitória, diferente do que se pode sugerir, não é a cidade mais populosa do estado. Apenas a quarta, com 356 mil habitantes (atrás de Serra, Vila Velha e Cariacica). Juntamente com Florianópolis e São Luís, é uma das três capitais-ilhas brasileiras e possui um dos maiores IDH do país dentre as capitais.

Catedral Metropolitana de Vitória.

Catedral Metropolitana de Vitória. Foto: Gustavo Neves

Em Vitória, praias são o que não faltam. Camburi é a mais famosa, até por ser uma das maiores, mas muitas vezes não está apta para o banho. Então o pessoal da capital parte para Ilha do Boi e Curva da Jurema, consideradas as melhores da cidade, ou até mesmo para outras cidades próximas, como Guarapari ou Vila Velha. Além das praias, vale uma visita à Catedral Metropolitana e o Palácio Anchieta, ambos no Centro Histórico da capital.

Vila Velha é a segunda cidade mais populosa do Espírito Santo, com seus 470 mil habitantes, coladinha com a capital Vitória (fica a apenas 12 km). Também é recheada de praias, como a Praia da Costa, que tem uma orla bem legal. Aproveitei e almocei em um dos restaurantes de frutos do mar da praia para conhecer a famosa moqueca capixaba. Pornográfica.

Mas acho que ninguém na cidade tem dúvidas de qual é a principal atração turística por lá. A fábrica de chocolates da Garoto tem um tour muito procurado (e que deve ser reservado pelo site, por esse link), que tive a oportunidade de conferir. Foi muito legal mesmo, vale muito a pena o passeio (ou você nunca se perguntou como eles selecionam os bombons para aquela caixa amarela ou como que eles dão aqueles laços nos bombons?). E ainda rola uma degustação no final. Pra quem não tiver muita paciência pra conhecer a fábrica, o museu e a megaloja devem atender os anseios de quem só foi pra lá fazer gordice e comer chocolate mesmo. O tour custa R$18, já o Museu é 0800.

Tour pela Fábrica da Garoto, em Vila Velha: muito legal!

Tour pela Fábrica da Garoto, em Vila Velha: muito legal! Foto: Gustavo Neves

Outra atração de Vila Velha é o Convento da Penha. Mais que um lugar religioso, de lá é possível ter uma vista panorâmica absurda da região de Vitória/Vila Velha/Cariacica (é a primeira foto do post). Dá pra chegar de carro até o pé do mosteiro, depois é só subir uma escadaria “bem encarável” e pronto. Passeio 0800.

Ainda na da região metropolitana de Vitória, estão Cariacica e seus 382 mil habitantes. O principal clube de futebol do Espírito Santo (foi o que os capixabas me disseram hehehe) é a Desportiva Ferroviária, sediada na cidade. Seu estádio, o Engenheiro Alencar Araripe, é bem arrumadinho e tem capacidade para 7700 torcedores, podendo ser visitado a qualquer momento. Chegamos lá e saímos entrando, não teve erro.

Inclusive era em Cariacica onde estava o principal objetivo da viagem: o Estádio Kleber Andrade.

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O Kleber Andrade

Inaugurado em 1983 e localizado a apenas 17km do aeroporto de Vitória, o Estádio Estadual Kleber Andrade é o maior do estado, com capacidade para 22 mil pessoas – o que particularmente considero o tamanho ideal para um estádio no Espírito Santo. Ouvi de locais que o projeto era pra mais de 40 mil, mas graças a Deus não deixaram isso acontecer. Em 2013, passou por uma série de obras para atuar como Centro de Treinamentos para os atletas que irão disputar os Jogos Olímpicos Rio 2016, recebendo estrutura para atletas de futebol, rugby e atletismo.

 

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Panorâmica do Kleber Andrade lotado em Flamengo 1×0 América-MG. Foto: Gustavo Neves

 

Achei muito bacana que as prefeituras de Vitória, Vila Velha e Cariacica disponibilizaram linhas de ônibus exclusivas em pontos centrais das cidades para atender aos torcedores. Pegamos um desses ônibus e chegamos rapidamente no estádio. Valeu pela zona no coletivo, com direito a cantoria e cerveja. Acho que foi a melhor forma de chegar no Kleber Andrade: não identifiquei muitos possíveis locais de estacionamento no entorno.

 

Um dos ônibus disponibilizados pela Prefeitura para os torcedores.

Um dos ônibus disponibilizados pela Prefeitura para os torcedores. Foto: Gustavo Neves

 

De acordo com o absolutamente fantástico site Flaestatística, o Flamengo já havia jogado cinco vezes no estádio:

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Apesar de ser um estado onde o Flamengo lidera com folga na preferência dos capixabas, só tínhamos nos apresentado por lá cinco míseras vezes. Muito pouco, ainda mais pra um estado vizinho. Fica a dica, Mengão!

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Como foi a compra e retirada de ingressos?

Membro do Nação Rubro-Negra desde 2013, não tive problemas para comprar meu ingresso: acessei minha conta e, antecipadamente, garanti meu lugar no jogo. Pra quem tem o mínimo hábito de ir aos jogos (que seja uma vez ao mês), não ser sócio-torcedor é ser muito trouxa: vale MUITO a pena. Só que, diferente dos jogos no Rio de Janeiro, onde o ingresso é carregado automaticamente no meu cartão, neste jogo eu fui obrigado a retirar meu ingresso em um ponto físico.

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O programa me deu duas opções de retirada do ingresso: uma loja em Vitória, informada no ato da compra, ou na bilheteria do estádio, neste caso somente no dia do jogo. Como eu só chegaria por lá poucas horas antes da partida, só me restou uma opção. Entrei na fila faltando uma hora pro início do jogo e estava bastante bagunçado: era apenas uma fila para atender STs que queriam apenas retirar seu ingresso e torcedores que ainda fariam a compra, o que não faz sentido e fez a coisa toda demorar mais. Entendo que o Flamengo vendeu a partida para uma empresa organizar, mas esses detalhes tem que ser observados com mais carinho pelo clube. Bom, fica a sugestão pros próximos jogos fora do Rio.

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E dentro do estádio?

Mapa de setores do jogo Flamengo x Desportiva em 2015. Foto: Folha Vitória.

Mapa de setores do jogo Flamengo x Desportiva em 2015. Foto: Folha Vitória.

Fiquei no Setor C. Escolhi esse setor por ter sido o setor exclusivo da torcida do Flamengo no amistoso contra a Desportiva em 2015, além do setor D (confira o mapa de setores dessa partida). Estes setores, além do A e B, ficam na lateral do campo. Aliás, o Kleber Andrade não possui lugares atrás dos gols, foi o primeiro estádio de maior porte que fui com essa configuração, bem curioso.

Lá dentro foi bem tranquilo. A entrada é bem larga, com bastante espaço pro trânsito dos torcedores. Mesmo lotado, não vi empurra empurra pra pegar lugar. Ambulantes em boas quantidades atenderam bem o torcedor. No alto da arquibancada, ainda havia um grande balcão com venda de bebidas, super tranquilo, isso deu muito certo. A torcida cantou o tempo inteiro, mesmo com a atuação ruim do time. Uma certa impaciência com o Guerrero, verdade, mas ouvi mais palmas do que vaias. Após o encerramento da partida, infelizmente, débeis mentais que se dizem torcedores do Flamengo protagonizaram uma pequena confusão, mas nada que manchasse o espetáculo que o torcedor (de verdade) capixaba deu mais uma vez.

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Beleza, o jogo foi show! E agora?

Terminou o jogo, vitória do Mengão (não foi aqueeeeeeeela vitória, mas valeram os três pontos) e missão cumprida. Foi opção minha ficar mais um dia por lá e tentar conhecer o máximo possível de Vitória e cidades vizinhas, mas pra quem não tiver essa possibilidade, a GOL possui um voo saindo de Vitória para o Rio de Janeiro bem cedo, chegando no Santos Dumont às 7h da manhã, o que pode ser uma boa pra quem trabalha no Centro do Rio. Mas pra quem puder dar uma esticada, recomendo fortemente que explorem os destinos que citei lá no começo do post.

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 Valeu a pena?

Conhecer lugares onde nunca estive sempre será uma motivação pra mim, que aliás recomendo pra todo mundo. Sempre vale a pena. Essa foi minha segunda viagem atrás do Flamengo – fui a Campinas em 2010 ver um jogo contra o Guarani, mas esse é papo pra outro post – mas, sinceramente, era como se estivesse em casa. A Nação capixaba fez bonito, compareceu ao Kleber Andrade e empurrou o time pra mais uma vitória. Essa experiência só confirmou a dimensão nacional que o Flamengo tem e que, por mais que alguns tentem menosprezar, jamais conseguirão diminuir. Quem chama de “simpatizantes” é por que NUNCA foi no estádio ver de perto essa paixão.

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Sempre digo que não tenho a menor pretensão de usar o FlaTrip para dar aulas sobre viajar atrás do Flamengo, tem gente muito, mas muito mais especializada no assunto. A ideia é dar ao torcedor que também não tem essa possibilidade como é a experiência, como é possível aproveitar uma viagem curtinha como essa para conhecer um lugar novo por causa do Flamengo. Pra mim valeu a pena. Pra você, como dizer que não sem nunca ter experimentado?

Saudações Rubro-Negras!