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Por Thauan Rocha | Twitter @Thauan_R e @flaimparcial

Uma calendário melhor pode ser o início de várias mudanças. Conheça essa nova proposta completa para melhorar o futebol brasileiro.

 

O calendário brasileiro é ruim por ter muitas datas, o que faz o Brasileirão e Copa do Brasil passarem por cima das datas FIFA. Talvez o maior problema nesse caso seja a existência dos estaduais, que tomam 17 datas do calendário anual. Sem essas competições os clubes poderiam ter pré-temporadas maiores, menos competições deficitárias e mais tempo de descanso/treino entre os jogos, o que certamente melhoraria o nível do nosso futebol.

Na Europa não existe estadual ou regional, mas o Brasil não é a Europa. Lá são 51 países em uma área apenas 19,56% maior que a do Brasil. Não podemos ignorar que moramos em um país continental e que possui uma diferença cultural grande, por isso devemos ter sim competições regionais. Estaduais não são mais válidos, pois a grande maioria só dá prejuízo e o nível técnico é muito baixo. Talvez seja válido para os pequenos que lutam para participar de uma competição nacional. Eles precisam dessa competição em um formato diferente e focado em seu fortalecimento.

Aqui irei tratar dos grandes times, daqueles que brigam por título de Libertadores ou pelo menos almejam ser campeões nacionais pelo Brasileirão ou Copa do Brasil. Por este motivo só irei propor de forma rápida algumas mudanças, ou datas disponíveis, para times da série C pra baixo. Em relação aos estaduais, cada federação precisa estudar a melhor fórmula para sua competição.

Dito isto, vamos ao formato do calendário para 2017…

Vamos começar das competições/datas mais importantes, que não podem mudar, como as datas FIFA, a Libertadores e o Brasileirão.


Férias e pré-temporada:

As férias dos jogadores seriam em junho e a pré-temporada nos meses de julho e agosto. Na Europa o tempo é ainda mais curto, é de apenas um mês, mas existe mais tempo livre durante a competição. Esse pode ser um período de transição para se chegar a apenas um mês de pré-temporada. Com as datas FIFA e a eliminação dos clubes ao longo das competições de mata-mata, o calendário vai ficando mais folgado, permitindo semanas de maior preparação e descanso. Além disso, podem ser realizados amistosos nessas datas que sobrarão durante a temporada.

Brasileirão, Libertadores e Recopa:

Essas competições não sofreriam qualquer alteração, suas rodadas seriam ajustadas para ocorrer durante o ano aos domingos (Brasileirão) e quartas (Libertadores e Recopa).

Copa Sul-americana:

O ideal seria a realização da competição em grupos, ampliando a competição para 14 datas nos mesmos moldes da Libertadores. Fazendo essa mudança, há espaço vago no calendário para adicionar, nas datas reservadas ao Mundial de Clubes e outros espaços vazios, as 4 vagas extras e uma possível pré-sul-americana nos mesmos dias da pré-Libertadores ou da pré-CdB. De toda forma, a classificação seria via Campeonato Brasileiro.

Mundial:

Caso um brasileiro vá disputar essa competição, o Brasileirão pode ser reajustado com duas datas vagas e/ou em dias de CdB, caso os clubes não estejam nas finais dessa competição.

Jogos na Copa do Brasil e Regional:

Para manter a emoção, não inchar o calendário e permitir que sejam realizadas competições regionais, todos os jogos serão únicos. Os mandos serão decididos de acordo com um sistema de ranking que será explicado mais à frente. Por serem únicos, é justo que os clubes envolvidos dividam a renda, sendo 70% para o vencedor, 50% em caso de empate na fase de grupos e 60% se o vencedor na fase de mata-mata for decidido nos pênaltis.

O sistema de ranking:

O ranking é definido pelas colocações nos Brasileirões do ano anterior. Se um clube envolvido não está nas séries A, B ou C, ele entrará abaixo desses clubes e terá sua posição decidida pelo ranking nacional. Logo o ranking será:

sistemaranking

1BA – Brasileirão A; BB – Brasileirão B; BC – Brasileirão C; BD – Brasileirão D; RN – Ranking Nacional;

Obs.: o ideal seria que houvesse mais divisões, mas como não estou mexendo com os clubes menores, considero que só há até a C porque a D é dividida em muitos grupos, ao contrário da C que só há dois grupos.

Obs2.: as tabelas de exemplo das competições estarão já organizadas considerando a posição dos clubes no sistema de ranking.

Copa do Brasil:

Essa competição depende diretamente da Libertadores, pois a quantidade de participantes brasileiros no torneio continental define a quantidade de clubes que passam da 1ª fase. Para exemplificar vamos usar o caso em que 5 brasileiros estão na competição internacional. No caso de 4 participarem da maior competição da América do Sul, os dois melhores de cada grupo passam de fase.

1ª Fase:

Esses 5 times entrariam na 2ª fase, enquanto os outros disputariam as 27 vagas em uma fase de grupos com 14 grupos de 6 times cada classificando os dois melhores de cada, exceto o pior segundo.

Os times da série A e B (da temporada vigente) e campeões regionais estão automaticamente classificados, o que toma até 38 vagas (35 dos brasileirões e 3 dos regionais). A vaga do regional tem prioridade, logo um clube que está na zona de classificação por duas competições irá usar a do regional. No total são 84 times na fase de grupos. Se for de interesse fazer uma fase pré-CdB, há duas datas vagas na semana da pré-Libertadores.

Os clubes seriam divididos em 6 potes de 14 com os 3 campeões regionais e os 11 melhores do ranking fora da Libertadores para serem os cabeças de chave. Os outros clubes seriam divididos de acordo com o sistema de ranking. Feita essa primeira divisão, seria retirado um time de cada pote para ir completando os 14 grupos. Uma readequação dos grupos será feita caso seja possível minimizar a repetição de estados por grupo. Essas mudanças devem ser realizadas também por meio de sorteio.

Se um estado tem 6 ou mais representantes já classificados pela Libertadores, Brasileirão A ou B, ele não tem direito a mais nenhuma vaga extra. Excluindo os estados que já atingiram esse limite, as vagas seriam divididas de forma que iguale ou aproxime o número de participantes por estado – DF é uma exceção, esse pode ter até 3 vagas. Caso seja necessário algum desempate, as datas de pré-CdB podem ser usadas.

Grupos:

gruposcdb

Tabela de jogos:

tabelajogoscdb

2ª fase:

Novamente em jogo único e renda dividida, o mando da 16ª de final seria dos clubes da Libertadores e dos 11 melhores primeiros da fase anterior. Das oitavas até as semifinais, o mando seria por sorteio e na final seria do clube melhor ranqueado, exceto se ele entrou na CdB pela Libertadores, nesse caso o mando é do time que está na Copa do Brasil desde o começo.

segundafasecdb

Pode ser adotado um sistema com o local da final já definido antes da competição começar e com divisão de torcida como no RJ, onde os setores atrás dos gols são específicos e o restante é misto, ou seja, o campo se torna neutro.

Regional:

Como já disse, uma competição regional deve existir, mas não pode atrapalhar o calendário nacional. Para não tomar as datas das competições nacionais e internacionais, estas seriam disputadas preferencialmente nas datas FIFA.

Cada federação pode definir o seu sistema de classificação, mas alguns já estariam classificados automaticamente. Esses seriam os clubes participantes da Série A. As outras vagas restantes podem ser atribuídas aos clubes com melhor desempenho no estadual disputado ao longo do ano anterior. Assim os grandes não precisam disputar estaduais e os pequenos terão mais jogos, podendo ainda participar de uma competição mais rentável.

1ª fase:

Disputado entre as regiões sudeste e sul, exceto Espírito Santos que está na Copa Verde, teria 32 clubes divididos em 8 grupos com 4 equipes cada, classificando apenas o primeiro colocado para a fase de mata-mata. Para a formação dos grupos os clubes seriam subdivididos em grupos de 8 times de acordo com o sistema de ranking e evitando ao máximo a repetição de Estado por grupo. O sistema de realocação de clubes é igual ao da Copa do Brasil.

Vagas por estado (exemplo): SP 7, RJ 7, MG 5, RS 5, SC 4, PR 4.

Exemplo de grupos:

tabelaregional

Tabela de jogos:

tabelajogosregional

2ª fase:

Os 8 classificados fazem jogo único até a final com mando sempre por sorteio já definido antes da competição iniciar.

segundafaseregional

Total de jogos para os grandes se chegarem a final de todas as competições:

numerodejogos

Calendário nacional – Série A e B:

calendariobrasileiro

Agora vamos considerar os times da Série C para baixo…

Brasileirão Série C:

Hoje essa divisão é formada por dois grupos divididos em um grupo do Norte e outro do Sul, o que é bastante válido, mas creio que mais datas são necessárias. Cada grupo tem 10 equipes jogando ida e volta disputando as 4 vagas de cada grupo na próxima fase. Na segunda fase se inicia um mata-mata em jogo único até ser decidido o campeão.

O que proponho é ampliar o número de participantes por grupo para 18, assim iria preencher o calendário do ano todo e teríamos mais clubes participantes. No total seriam 34 rodadas da primeira fase e mais 3 da fase de mata-mata. Os clubes que chegarem nas semi-finais subiriam de divisão e os 4 piores na classificação geral cairiam para a série D.

tabelaseriec

Brasileirão Série D:

Basicamente com o mesmo formato da Série C, a diferença advém da quantidade de grupos e a divisão de regiões. Nesse haveriam quatro regiões também com 18 equipes cada. Os clubes seriam divididos de forma que minimize as distâncias. Assim apenas os 2 melhores de cada grupo passa de fase para disputar o mata-mata. Seus jogos seriam realizados nas mesmas datas do Brasileirão Série D.

Todos os clubes precisariam disputar as vagas no estadual. A temporada 2017/2018 do estadual iria definir os representantes do estado no campeonato nacional. As vagas seriam distribuídas por estado premiando os melhores ranqueados, desde que a diferença do Estado com mais vagas para o com menos vagas não seja maior do que 2.

tabelaserieD

Nesse formato, 148 clubes entre as Séries A e D teriam jogos durante todo o ano, contra 100 do atual modelo. Com os estaduais, vários outros clubes teriam jogos para disputar. Claro que são poucos, mas muitos desses clubes são quase amadores. Se esses formatos derem certo financeiramente, poderiam ser criadas novas divisões para o Brasileirão seguindo a mesma linha de pensamento. Se não for possível ampliar, os jogadores desses clubes quase amadores teriam como conciliar um trabalho dentro do futebol e outro fora. Para viabilizar essas divisões, os lucros da seleção e das outras divisões (sendo até 5% do lucro líquido das bilheterias da A e B) custeariam os árbitros, anti-doping, seguranças e viagens. Só seria preciso uma contribuição dos clubes da C e D se as arrecadações citadas não cobrirem os gastos básicos, nesse caso a contribuição seria proporcional a arrecadação líquida com bilheteria de cada clube. Os clubes da A e B só precisam contribuir se a seleção e outros tipos de contrato da divisão não cobrirem os gastos.

Estaduais:

Os estaduais podem ser disputados em datas FIFA, Libertadores ou Mundial, pois os clubes certamente não participariam dessas competições maiores e nem seriam prejudicados por causa de convocações.

O formato base seria de 20 clubes em dois grupos disputando uma vaga na 2ª fase, um mata-mata que começa nas quartas de final. Todos os jogos são únicos. Os melhores de cada estado ganha o direito de participar da Série D. O estadual também pode ser usado como meio de chegada ao regional, vai depender da realidade de cada Estado.

Regionais – Casos especiais:

Como haveriam mais datas livres em algumas regiões (geralmente são os clubes do Sul-Sudeste que vão para a Libertadores e mais alguns nordestinos na Sul-Americana), os regionais poderiam ser ampliados ao longo do ano. Creio que o ideal seria uma fórmula com jogos únicos para que mais clubes possam participar. É importante que as datas não choquem com a Copa do Brasil e estaduais, permitindo que os clubes joguem ambas se estiverem classificados.

Calendário nacional – Série C e D:

calendariopequenos

Com um calendário nesse formato é preciso tomar cuidado com os horários dos jogos. No verão seria proibido jogos no período da manhã, todos seriam disputados à noite ou no fim da tarde. Se necessário, a parada técnica será adotada. Se for interessante para os clubes, horários matutinos podem ser adotados desde que o clima seja adequado. É importante que a maioria dos jogos ocorram nos fins de semana e em horários que permitam uma locomoção segura. É possível adotar sexta como dia de jogo para as divisões inferiores, mas deve ser respeitado o tempo mínimo entre jogos. Abaixo está a tabela de horários base disponíveis para jogos.

horarios

Fazer um calendário não é nada fácil, mas é preciso mudar. Não há uma fórmula mágica, certamente muitos vão discordar do que propus, por isso os convido a fazerem em suas redes sociais e blogs uma proposta de calendário. Devemos exigir mudanças, mas também podemos mostrar alguns caminhos. É importante lembrar que há poucos dias esse foi um dos pontos de debate na comissão da CBF.

Quero agradecer ao Luiz Filho, do blog Overlaping, que me ajudou na confecção desse calendário e já fez algumas propostas para diversas competições.

Posts do Luiz:

Base para a base

Conexão Regional

Liberta!

Grandes decisões

Unidade Pan-americana

A Náyra, do blog Flamengo em Foco, também fez a proposta dela:

Discutindo o Calendário anual do Futebol – Parte I

SRN!

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Thauan Rocha escreve no Flamenguista Imparcial, da Plataforma MRN Blogs. A opinião do autor não reflete necessariamente a opinião do Mundo Rubro Negro.