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O Flamengo não gostaria de jogar o Campeonato Estadual de 2016. É um torneio chato, pouco atrativo e deficitário.

 

20151223050749 Isso todo mundo sabe, mas há alguns detalhes que a maioria da torcida desconhece.

Não pretendo entrar aqui nas desvantagens financeiras (talvez em um próximo post), mas apenas citar algumas normas do Regulamento Geral de Competições (RGC) 2016 da Coréia do Nor, digo, da Ferj, que todos devem ter conhecimento.

– O Flamengo pode inscrever apenas 28 jogadores + 3 goleiros;
– Desses 31 atletas, apenas 5 podem ter 21 anos ou menos;
– O Flamengo não pode jogar amistosos sem autorização da Ferj;
– O Flamengo é obrigado a participar do campeonato.

Ok, vamos supor que o regulamento do Estadual de 2016 e o RGC não contenham vícios de inconstitucionalidade e o clube não questione a legalidade dessas e de outras normas. O Flamengo vai ter que jogar o campeonato e terá que ser nesses moldes. O que fazer então? Inscrever um time alternativo, claro. Finalmente a diretoria entendeu que essa é a solução menos dolorosa. Aparentemente isso é péssimo, mas o clube pode tirar alguma vantagem pelas seguintes razões:

1. Minar a Federação – O Flamengo é a grande estrela da festa e, já que não pode estar ausente, vai apenas dar uma passadinha, fazendo cara de nojo e sem cumprimentar os convidados. Um time sem as principais estrelas enfraquece o produto da Federação, tira o interesse do público, da TV (o contrato é entre Globo e Ferj mesmo) e dos patrocinadores. Sim, há o inconveniente de que o time A jogará pouco até o início do Brasileiro (3 a 5 jogos da Primeira Liga e as 2 primeiras fases da Copa do Brasil), mas é um risco calculado. Muricy terá tempo para treinar (jogos-treino são permitidos) e não sofrerá pressão por resultados. Além de atirar no coração da Federação, o time pode chegar mais bem preparado para o Brasileiro e a fase final da Copa do Brasil (ou Sul Americana).

2. Peneira interna – Há vários jogadores voltando de empréstimo. Outros tantos estão no clube, mas tiveram pouca ou nenhuma oportunidade. Peguemos o exemplo de Douglas Baggio. Artilheiro ano após ano na base, participou de pouquíssimos minutos e sempre em partidas irrelevantes. No Ferjão 2016, sem muito compromisso, ele pode e deve ser o 9 titular absoluto do time. Ele precisa fazer gols, perder gols, ser aplaudido e ser vaiado, mas com a confiança de que terá sequência de jogos. Se esse garoto performar (a diretoria gosta desse termo, né), será um bom reforço para o time A. Baggio é apenas um exemplo. O clube poderá dar sequência para vários jogadores amadurecerem e, quem sabe, se destacarem ao ponto de merecerem uma reavaliação. Se 2 ou 3 atletas, com mais minutos e confiança, se destacarem, o Flamengo já sai no lucro.

3. Realocação de ativos no mercado – Todo jogador que o Flamengo tem participação em seus direitos econômicos é um ativo do clube. Diferentemente de um carro velho, que uma empresa poderia se desfazer, o jogador sob contrato não pode ser descartado. Não existe isso de mandar fulano embora. Uma rescisão unilateral não é barata. O piso mínimo (e que geralmente é o estipulado em contrato) é 100% de tudo que o atleta teria a receber até o fim do vínculo. Por isso é importante pegar esses atletas (que as vezes não tem nem mercado para empréstimo) e dar uma oportunidade em um torneio que, por pior que seja, tem visibilidade. Eu sei que ninguém aqui morre de amores por Frauches, Muralha ou Bruninho, etc, mas esses jogadores precisam voltar ao mercado para, após o estadual, conseguirem ser emprestados sem custos para o Flamengo ou, de preferência, vendidos para mercados secundários. Qualquer milhão que o clube arrume com um time chinês ou árabe já cobre os custos dos salários desses jogadores durante o Ferjão. O Flamengo é reconhecidamente um péssimo vendedor e precisa começar a mudar isso. Colocar jogadores esquecidos para jogar é o primeiro passo.

O fato é que, fazendo um planejamento consciente, coisa que faltou nos últimos anos, o Flamengo pode preparar melhor o time para o restante da temporada e, ao mesmo tempo, enfraquecer a Federação, descobrir um reforço dentro do próprio elenco, desonerar a folha salarial para o segundo semestre e aumentar a receita com a transferência de atletas atualmente sem mercado.

 

 

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José Peralta escreve no blog CRFlamenguismo, da plataforma MRN Blogs. Twitter: @CRFlamenguismo.