Um termo que volta e meia aparece no mundo do futebol é o famoso internacionalizar a marca

É um nome bonito para dizer que é pro clube ser mais conhecido no exterior. Mas é, frequentemente, um exagero chamar algumas ações de internacionalização. Até por ser bem complicado de se alcançar.


Todo mundo quer vender pra China, Estados Unidos e todos esses mercados onde parece ser mais fácil “vender” o futebol brasileiro. Mas não é simples assim.

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Os times ingleses são muito fortes na Ásia e nos EUA muito porque tem muito tempo que os jogos do campeonato local são transmitidos para essas regiões. Os principais times acabaram se destacando mais por estarem sempre vencendo. Mas não foi a ação de UM clube. Depois de algum tempo com essa exposição constante aos jogos, os times que ficaram mais populares, localmente, acabaram focando mais no mercado.


Hoje eles têm patrocinadores desses países, fazem pré temporada e jogos festivos nos lugares que possuem torcida. Tudo isso para tornar o clube mais conhecido e faturar mais. Tanto vendendo produtos para os torcedores internacionais como tendo uma exposição maior para conseguir patrocínios mais altos e até patrocínios locais. Lá no site do Barcelona, bem escondido, você acha até a Tenys Pé, no meio dos 38 patrocinadores (18 regionais).

Mas é MUITO difícil você internacionalizar um time. O Barcelona é tão forte no oriente médio que até o patrocinador master é de lá. Mas fica bem mais fácil quando se tem uma constelação de craques, que sempre estão na Champions League, vencendo. Não é uma ação só do Barça. A visibilidade da UCL ajuda muito.

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A geração de 81 do Flamengo fez o clube ser conhecido mundialmente. Até hoje o clube é citado quando perguntam, no exterior, sobre times brasileiros. Mas eram outros tempos. Os maiores craques do mundo ainda não jogavam só na europa. Hoje não tem mais um time cheio de craques em outro continente.

Outra dificuldade é entrar em mercados que não sejam tão ligados no futebol. Em 2011 o Manchester United foi fazer um jogo contra os melhores jogadores da MLS, em Nova York. Eu estava lá e vi o Rooney, com uniforme do time, andando na rua. Ninguém o parou. O astro de um dos times mais conhecidos do mundo, com o agasalho do clube, sem ser incomodado. Certamente algum brasileiro tirou uma foto com ele depois. Mas isso mostra que quando o futebol não é tão popular na região, o processo é muito mais complicado.

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O Corinthians contratou um chinês para tentar conquistar o mercado do país dele. Aparentemente, não deu nenhum resultado.

É complicado “forçar” a internacionalização.

O que o Zico fez no Japão é uma exceção. Ser um dos maiores jogadores da história, craque dentro e fora de campo certamente ajudou bastante. Mas não tem como planejar isso. O Flamengo foi à reboque nisso. Mesmo assim, não vemos uma forte presença rubro-negra lá. Além de criar o laço, é importante manter. Por isso tem tanto time europeu fazendo amistoso na Ásia. O Flamengo não aproveitou a oportunidade que teve. Além de ser bem mais complicado manter uma conexão com outro lado do mundo.

Por isso, mesmo querendo mercado asiático e americano, o mais fácil é conseguir entrar no mercado sul-americano.

Aqui no Brasil parecemos não ter uma total compreensão da importância do Guerrero para as torcidas da América do Sul. Além de ser o nome mais importante do Peru, ele é reconhecido por todo o continente. Tanto que vivem aparecendo especulações dele em outros times, como o Boca. E é comum ver torcedores citando ele como um jogador que faz o Flamengo ser temido. E o Flamengo já lançou um boné inspirado na camisa peruana. O que é um indício de estar de olho no mercado dos nossos vizinhos.

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Além da proximidade física, estamos na mesma competição dos melhores times do continente. Vamos enfrentar vários deles. O Flamengo vai aparecer nas televisões de potenciais consumidores. Pra isso deve aproveitar para criar laços com eles.

O Perfil do Twitter, em espanhol, já é um começo. E vai ser ainda mais ativo esse ano. Quem tem algum interesse pelo Flamengo, mas não fala o nosso idioma, já tem mais uma oportunidade de conseguir informações sobre o clube em sua língua nativa. Além de outros conteúdos que devem ser disponibilizados no idioma dos hermanos.

Li reclamações no Twitter que a Adidas não faz nada pra internacionalizar o Flamengo. Só vende camisas lá fora. Mas isso não é uma obrigação deles. Eles só precisam cumprir o que está em contrato. Devem até ter uma verba pro Flamengo fazer isso, mas a marca esportiva não deve ter nenhuma obrigação nesse sentido. Por outro lado, já vi torcedores de outros países, interessados em comprar o manto e não conseguindo. Se a Adidas só tiver a distribuição sulamericana funcionando bem, já faz a parte dela.

Os mercados mais interessantes, no momento, são a América do Sul e EUA. O primeiro pela proximidade, por disputar um campeonato contra os times locais e ter jogadores de alguns dos países. O segundo pelas comunidades de brasileiros que moram lá, além pela questão financeira com o esporte em expansão no país. Ásia é bem mais complicado. Até por causa do fuso horário pra eles assistirem aos jogos, mesmo que tenham interesse.

Internacionalizar é ótimo. Mas não é fácil, nem rápido.

 
Luiz Filipe Carneiro Machado é publicitário e titular do blog CRF & ETC.
Twitter: @luizfilipecm

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