Por Gerrinson. R. de Andrade (Twitter: @GerriRodrian) - Do Blog Orra, é Mengo!

sabedenadaNinguém precisa ser um intelectual cínico, sabedor das estratégias retóricas de manutenção de poder, mas convenhamos que há quem exagere bastante na arte de ser inocente. Alguns merecem inclusive um Compadre Washington em eterno loop, dizendo-lhe, nos ouvidos, “sabe de nada, inoceeeente!”.

Há por exemplo uns simplórios que acreditam que há honestidade e lisura justamente numa ditadura militar. Num país onde lhe passam a perna no açougue, no táxi e na boca de fumo, seria justamente numa “Ditadura Brasileira” que a rapaziada seria honesta. Gente singela que nunca ouviu falar das conversas paramilitares ou em prefeitos biônicos do naipe de Maluf, o símbolo máximo da mutreta institucional.

E tem o povo que acredita de pé junto que há uma criatura chifruda e de rabo de seta cujo único propósito é lascar-lhe a vida, furando-lhe o pneu do carro, inventando-lhe tentação gostosa ou possuindo pobre na periferia, como se o humano já não fosse tão cabeçudo e já não houvesse tanto desencontro, naturalmente. Acreditar e botar culpa em Tinhoso é constrangedor.

Mas quem consegue ser virginal, o cúmulo da singeleza, neste grande Asilo Arkham que é o Brasil, é aquele que bota fé em jornalista esportivo de televisão. Esse merece aquele tapa na cara do “doeu, mas aprendi”, merece voltar pra pré-escola, perder o diploma de adulto. ESPN Brasil, Fox Sports, Sportv, Globo e, sobretudo, Band, conseguem ter a mais vasta galeria de enroladores, xavecadores, atores canastrões, animadores de eventos, de toda a mídia mundial.

Reconheçamos a dificuldade do ofício, afinal fingir que se conhece os jogadores dos times, fingir ser imparcial, fingir não ter levado um trocado, fingir ser simpático ou fingir que sabe se expressar em Português não é para qualquer profissional. O narrador simula aquela empolgação, o comentarista faz de tudo para parecer sério, o jornalista se esforça para ter credibilidade e a gente se esforça para não vomitar no sofá da sala.


Profissionalismo, competência e honestidade? Só os inocentes acreditam.

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