Por Gerrinson. R. de Andrade (Twitter: @GerriRodrian) - Do Blog Orra, é Mengo!
Brasil 1x7 Alemanha (Getty Images)

(Foto: Laurence Griffiths/Getty Images)

Há torcedores que raspam a cabeça, fazem promessas, acreditam que alguma força mágica seja capaz de ajudar seu time, mudar a trajetória da bola ou causar uma pane num Valdir Papel. Alguns acreditam mesmo que o seu grito diante da TV vá mudar alguma partida, vá despertar a genialidade adormecida num Vinicius Pacheco ou vá confundir o árbitro numa marcação que beneficie o Flamengo.

Há o torcedor-ateu. Não dá credibilidade às crendices de torcedores teístas que botam na conta das divindades todo o sucesso ou o azar de um time. Jogadores destas últimas gerações costumam em entrevistas deixar em 3º plano o trabalho, em 7º plano o talento. Para estes jovens, tudo é a benção (ou não) de deuses e a manifestação de seus poderes divinos, interferindo na partida de futebol.

Assim como os gregos lutando ao lado de Ares e Atena, hoje jogadores acham jogar bola com Jesus, ele é quem faz o gol, prepara o cruzamento, arruma tudo para o merecimento (ou não) de seu fiel seguidor. Mais uma vez o humano não é capaz de compreender a complexidade da coisa e bota explicação fácil, resume tudo a um divertimento manipulado pela fé.

Um jogo de futebol pode contar com a mais incompreensível aleatoriedade, pode parecer conter momentos miraculosos, pode parecer mágico como um filme dos Vingadores. Mas o jogo de futebol é justamente como a vida humana, na maioria das vezes acontece o óbvio e, nas raras vezes em que o óbvio não acontece, somos capazes de obter a mais natural das explicações.

O gol de Petkovic não foi coisa de divindade, foi coisa de Petkovic. Quase sempre se vence é no talento pessoal, quase sempre se perde é na incompetência, na arrogância ou na preguiça. Se vence ou se perde com humanidade, sem desculpa ridícula que oculte defeitos e sem magia que minimize os esforços pessoais. Teve seleção que era de rezar abobada e foi humilhada pelo ceticismo alemão, aquele que sabe que a questão é trabalhar. 7 x 1 foi bem pouco.

Time se melhora com contratações, campeonato se vence com tremendo esforço, com incentivo da torcida, com grana, boa grana. Chega de gente esperando milagre, esperando novo Zico surgir, novo messias salvador, novo Dom Sebastião que voltará para curar os enfermos. Chega de contar com a sorte, o Flamengo precisa de ciência, precisa de lógica, precisa de inteligência. Precisa de sócio-torcedor, gente fazendo figa não resolve nada.

Orra, é Mengo!