O parquinho de 40 milhões

O parquinho de 40 milhões

Recebi o convite pra escrever no Mundo Rubro Negro, esse portal que vem fazendo bonito na difícil missão de cobrir o Flamengo. Mesmo sendo colaboradora eventual do blog Mulambo Vip, aceitei com prazer e decidi relembrar aqui uma historinha, que acabou me levando à uma outra reflexão. Vamos lá:



Há um ano, enquanto passava férias no sul, um hermano me abordou na fila da Fan Fest (saudades, Copa!) por causa do meu Manto: ‘És de Rio?’. Foi o suficiente para que eu juntasse todo o meu parco castelhano e começasse a enumerar as razões pelas quais eu, nascida em Brasília, ostentava o Manto Rubro-Negro em plena Porto Alegre: ‘Flamengo é um time nacional, no Brasil não há fronteiras para o clube, somos a maior torcida em 20 estados brasileiros blablabla…’

Quantas vezes, nós rubro-negros, não enumeramos essas frases com orgulho, diante de uma plateia de antis enraivecidos com nossa supremacia em números, seja de torcedores, de títulos ou de (pra ser mais atual) contratos de patrocínio? Essa leve empáfia que cada rubro-negro leva no peito não é de hoje… são décadas e décadas de uma história que nos acostumou com a proeminência.


Por isso não é de se estranhar que alguns rubro-negros exagerem nesse hábito de superioridade. É comum acompanhar relatos de um ou outro flamenguista orgulhoso do privilégio de frequentar a Gávea desde o berço, de ser muito bem relacionado com os figurões, de saber os segredos de bastidores e de conhecer o clube em todos os seus pormenores. Ok, nenhuma ressalva, a não ser aos ‘pormenores’.

O fluxo que rege a história do Flamengo é imutável: a pequena fonte que brotou daqueles seis remadores se transformou em filete, riacho, rio e desaguou absoluto no oceano, movida pela avassaladora energia acumulada em sua trajetória. Essa metáfora de 5ª série serve para ilustrar o quanto é impossível fazer o caminho inverso. Não há como o oceano adentrar rumo à fonte. É inconcebível que o Flamengo volte a existir como um pequeno clube de um bairro carioca.

Desse modo, alguns pormenores da existência superlativa do Flamengo não podem jamais se sobrepor à sua realidade. Por mais que o rubro-negro se orgulhe de sua carioquice da gema, de sua sede à beira da Lagoa, de sua hegemonia guanabara, desde que Ary Barroso tocou sua gaitinha não há mais fragmentação entre os filhos do vermelho e do negro. Somos 40 milhões e não aqueles 40 preocupados com a areia do parquinho ou com as vagas de estacionamento.

Essa característica, que chamo de “síndrome do parquinho”, parece ainda, em pleno 2015, se abater sobre algumas mentes rubro-negras. Acredito até que algum contaminado esteja entre os idealizadores do nosso programa de sócio-torcedor e de suas ações exclusivas, no sentido mais etimológico da palavra.

Entendo que cada ser humano carrega o orgulho de suas origens, do lugar onde nasceu e cresceu. É difícil não tomar para si uma história de tantas conquistas e triunfos, ainda mais quando essa história é o principal combustível da fogueira de vaidades que cada um carrega consigo. E no caso do rubro-negro, uma vaidade justa, merecida e cada vez mais alimentada pela magnitude do Flamengo.

Mas não ampliar o relacionamento com os 30 milhões de rubro-negros “off-Gávea” é abrir mão não só da oportunidade de massacrar mercadologicamente qualquer rival em qualquer continente. É renunciar à própria trajetória do Flamengo, que agregou norte e sul, sudeste, nordeste e centro-oeste. Pior: se achar profundo e absoluto conhecedor dos rumos que o Flamengo deve tomar embasado apenas em suas experiências dentro dos muros da Gávea é tentar engarrafar o oceano.

Afinal de contas, se você é o Flamengo, e vai sentar à mesa para negociar com gigantes multinacionais como Jeep e Adidas, ou com a onipresente Caixa Econômica Federal, quais são as cartas que você apresenta? As carteirinhas de alguns mil sócios do parquinho ou o portentoso número de 40 milhões? Pois é.

P.S.: O hermano do início do texto ouviu quietinho as explicações e, pra minha surpresa, finalizou sem nenhum sotaque portenho: ‘mas o Grêmio é maior’. Acho que ele estava falando do ST (rs).

 
Eu sou a Graziella (@rubrone_gra) e teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo.

 


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