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Por Thauan Rocha | Twitter @Thauan_R e @flaimparcial

Por favor, leia o texto antes de julgar o título e  querer me xingar. E lembre-se que essa é minha opinião, não a do Mundo Rubro Negro.



 

Não há como negar a história que o Maracanã tem com o Flamengo, com o Rio de Janeiro (cidade e estado), com o Brasil e com o futebol mundial, mas isso não significa que o mesmo sirva para as demandas do Flamengo no atual momento.

O antigo Maracanã foi derrubado para dar lugar a um estádio projetado para receber apenas 7 jogos de Copa do Mundo, que tem um público muito maior e com características extremamente diferentes. Nesse evento não há divisão de torcidas, todos ficam juntos, independente de quem apoia. É comum assistir jogos mesmo que sua seleção não esteja envolvida, fato que não se repete em jogos de clubes. Fora os turistas estrangeiros que aparecem em quantidade absurda e pouco se importam com quem vai jogar. Para o Flamengo atrair esse público de fora precisa ser um clube reconhecido mundialmente com um futebol espetacular, já para as seleções basta estar na Copa.

O novo Maracanã foi projetado com a promessa do Governo ceder os espaços de uma escola e de um velho ginásio aquático para a construção de shopping e estacionamento. No meio do caminho isso mudou. Agora o Consórcio tem que arcar com o próprio estádio, um parque aquático enferrujado e um ginásio poliesportivo que só comporta jogos de seleção, isso tudo sem poder construir outras estruturas que certamente dariam lucros absurdos. Não deve ser nada fácil tocar esse barco.

Claro que o superfaturamento das obras não ajudou a deixar a conta no azul (só a dos políticos e empreiteiros ladrões) – foi R$ 1,3 bilhão de verba pública gasto com as obras. Se formos começar a falar dos gastos com as mudanças necessárias para receber jogos do Campeonato Brasileiro, apesar de certamente serem ínfimas (e muito mais lógicas) comparadas as obras feitas no Padrão FIFA, ficaria ainda mais difícil ver o Maracanã como bom estádio. Por erro conceitual no projeto, não há destinação de saídas exclusivas para alocação de torcida visitante, falta ligação para abastecimento dos bares, para a realidade brasileira seria necessária a retirada de cadeiras dos setores Norte e Sul, a colocação de vidros para divisão de torcida e várias outras mudanças.

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Final da Copa do Brasil 2013. No lado direito, fileiras de cadeiras vaizas são usadas como barreiras entre as torcidas. Foto: Alexandre Vidal e João Vitor – Fla Imagem

Se tivesse público suficiente (convenhamos que a média de público do Flamengo é ridícula, com o time ajudando ou não, apesar de ainda ser boa se levar em conta que há questões econômicas, de transporte inadequado e violência em geral), algumas mudanças estruturais ajudariam a viabilizar o estádio ou aumentar o lucro, se é que seja possível, mas também seriam necessárias outras mudanças. Como a ESPN noticiou, há arrumadinhos políticos para que algumas empresas terceirizadas forneçam certos serviços, mesmo sendo mais caro do que o oferecido por concorrentes.

Naming rights do estádio e/ou de cada setor, placas de publicidade (ok, esses dois dependem de acordos com Globo e CBF), parcerias para serviços serem prestados exclusivamente por uma marca, eventos feitos além do mundo do futebol e um bom uso do Maracanã como ponto turístico seriam meios de arrecadar (ou melhorar a atual arrecadação) e diminuir o prejuízo (o que é um desperdício, pois em um estádio bem projetado esses seriam pontos centrais para se obter lucro).

O Maracanã – que dá 900 milhões de prejuízo anual – foi tão bem projetado que o próprio Marcelo Odebrecht o tratava como uma ferramente da sua construtura para ganhar em outros locais, como noticiou o Uol Olimpíadas 2016 no trecho abaixo.

Além de tentar se grudar ao inegável charme do mítico estádio, que na concepção do projeto serviria para melhorar a já então desgastada imagem da empresa, existia um outro fator para seguir apostando e remendando eventuais furos de orçamento com aporte de capital: o Rio de Janeiro, transformado em canteiro de obras olímpico, passou a ser o maior contratante da Odebrecht, através do braço de infraestrutura da empresa. Assim, perder um pouco de um lado, mostrar que estava perdendo no Maracanã e agradar a tão grande parceiro, era a garantia de forra em outras obras.

Hoje o Maracanã é uma ferramenta política e um grande problema financeiro. Projetado para sete jogos da Copa do Mundo, não serve para dezenove jogos do Flamengo pelo Campeonato Brasileiro.

Nessa terça se iniciou um tuitaço com a hashtag #OMaracaÉNosso, onde a torcida pede que o consórcio seja retirado da administração do estádio e que o mesmo passe a ser gerido pelos clubes.

Entendo a torcida pedir a administração do estádio, principalmente se tratando dos cariocas, pois esse não é só um local para jogos, é um monumento que faz parte da história da população, além de também ser um personagem político importante, já que foi reconstruído com o dinheiro do povo. Só que eu não acredito que vá fazer bem aos clubes. Se houver uma união entre Flamengo e Fluminense – possivelmente com Vasco e Botafogo também, já que eles usam o espaço – para fazer a gestão, talvez seja possível, desde que mudem muitos gastos absurdos que recaem sobre a administração, como o parque aquático Júlio de Lamare. O próprio Maracanãzinho poderia ser cedido a uma empresa especializada nesse tipo de espaço.

Vejam bem, EU não quero que o Flamengo entre nessa, quero que seja construída uma casa própria quando tiver condições. Não adianta sair do aluguel para sofrer com o financiamento. Mesmo que a atual diretoria diga que é possível gerir esse estádio, não tenho mais confiança nisso. Minha esperança de ter o mítico Maracanã como casa oficial passada no contrato já se foi. Se o fizerem, que seja com MUITO cuidado, mas ainda prefiro que o Mengão espere (o que não quer dizer ficar parado torcendo para que uma arena caia do céu) e faça algo bem planejado que atenda as nossas demandas atuais e futuras.

Publicação editada às 20hs do dia 23/02/2016.

Lendo algumas coisas sobre o movimento #OMaracaÉNosso, acho legal esclarecer aqui o que entendi.

Em um primeiro momento, os organizadores buscam garantir o direito do Flamengo participar do processo licitatório do Maracanã. Enquanto estudos de viabilidade vão sendo realizados, o movimento se prepara para as duas situações possíveis:

  • Maracanã gerando lucro: exigir a participação do Flamengo como protagonista;
  • Maracanã gerando prejuízo: o Flamengo não se mete nesse assunto e cada um segue seu caminho, agora lutando por um estádio próprio do Mengão.

Nos dois casos a pressão política é extremamente importante, principalmente em ano eleitoral.

Creio que esse adendo é bastante esclarecedor em relação ao movimento. A prioridade é o Maracanã, que é a posição oficial do clube, mas não terá sequência se não tiver garantias de lucro, o que daria início ao plano B.

SRN!

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Thauan Rocha escreve no Flamenguista Imparcial, da Plataforma MRN Blogs. A opinião do autor não reflete necessariamente a opinião do Mundo Rubro Negro.
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