barriga verdeSe você perguntar a qualquer flamenguista qual é o seu amor mais profundo, imutável; ele responderá sem pestanejar: o Flamengo.

 

Nosso amado Flamengo fará 120 anos de incontáveis histórias, alegrias, venturas e confusões nesse domingo. Precisaríamos de mais 120 anos para contar a história do Flamengo.



Para comemorar o aniversário do Mais Querido, alguns trechos curiosos da criação do futebol no Flamengo, as mascotes e sobre a Charanga, a primeira torcida organizada do país.

 

O Início

Como todos sabem, o Flamengo é um Clube de Regatas. Sua trajetória brilhante começou na água e continuou sua saga vencedora em todas as demais modalidades esportivas, no dia 17 de novembro de 1895 (na Assembleia de criação do Clube, foi acordado com os sócios que a data comemorativa seria sempre 15 de novembro, junto com o feriado nacional da Proclamação da República, para que jamais deixasse de ser celebrada).

O Flamengo já era um Clube sólido quando o futebol começou a ficar popular no Rio de Janeiro no início do século XX. Porém, o rubro-negro carioca não possuía uma equipe que jogasse o novo esporte e seus sócios eram obrigados a torcer pela equipe do Fluminense.

Alberto Borgerth remava pelo Flamengo de manhã e jogava futebol à tarde no Fluminense.  Os demais sócios o seguiam mas sentiam em seus corações que isso era errado. Muito errado.

A partir desse fato, o Flamengo começou a tomar atitudes que o levariam a ter seu próprio time de futebol. Realizou seu primeiro amistoso no dia 25 de outubro de 1903. O Flamengo ficou cerca de 9 anos disputando apenas amistosos.

Uma curiosidade sobre esse período era que o recém-criado time de futebol do Flamengo, não entrava em campo com uniforme oficial. Eles jogavam com camisas brancas e shorts pretos. Os remadores do Rubro-Negro, viam com maus olhos o novo esporte. Depois foram obrigados a usar o “Papagaio de Vintém” e a “Cobra Coral” (por algum motivo, são meus mantos favoritos ad eternum). Só em 1912, o futebol do Flamengo filiou-se à Liga Metropolitana de Futebol, já com os ex jogadores do Fluminense como Borgerth.

Após vencerem o Carioca de 1911, o capitão do futebol tricolor, Alberto Borgerth, se desentendeu com os dirigentes do Fluminense e rompeu de vez com o Clube trazendo consigo: Othon de Figueiredo Baena, Píndaro de Carvalho Rodrigues, Emmanuel Augusto Nery, Ernesto Amarante, Armando de Almeida, Orlando Sampaio Matos, Gustavo Adolpho de Carvalho, Lawrence Andrews e Arnaldo Machado Guimarães. Dez campeões deixaram o Fluminense.

Os remadores do Flamengo, eram sumariamente contra a criação da equipe de futebol mas, para alegria geral da Nação e de todos que apreciam o esporte bretão, Borgerth era o líder do Remo do Fla. Em Assembleia realizada no dia 24 de dezembro de 1911, estava criado oficialmente a equipe de futebol do Clube de Regatas do Flamengo.

 

Os Mascotes

O primeiro mascote do Flamengo foi o Popeye. Marinheiro atrapalhado, apaixonado por Olívia Palito e que ganhava uma força descomunal ao comer espinafre. Os quadrinhos de Popeye faziam um sucesso estrondoso nos Estados Unidos e chegaram ao Brasil com força total na década de 40. Em seguida, o desenho animado tomava de assalto a todo o mundo e aqui não era diferente. O marinheiro boa praça estava nos corações de adultos e crianças.

O chargista argentino, Lorenzo Mollas, viu em Popeye a força e a persistência do Flamengo. Além de sua origem no mar, como o Clube de Regatas. Alguns torcedores ficaram apaixonados pela ideia e até os dias de hoje encontramos rubro negros com o Popeye flamenguista tatuado.

No entanto, a maioria continuou achando que Popeye não era carioca, não tinha tanta identificação com o Clube e com o Brasil.

Na década de 60, os rivais do Flamengo nos chamavam de urubus como uma forma de provocação. A maioria dos torcedores obviamente ficava furiosa mas, nós sabemos como ninguém que o senso de humor do flamenguista é insuperável. E foi num Flamengo e Botafogo de 69 que rubro negros levaram um urubu ao Maracanã. Tiraram a ave do lixão do Caju, a ensacaram e diante de 150 mil pessoas a soltaram mesmo antes do time entrar em campo.

A ave, que carregava uma bandeira do Flamengo presa na patinha, sentou no gramado e a multidão de rubro negros começou a vibrar e festejar aos gritos de: “é urubu! É urubu”!.

O Flamengo venceu o jogo por 2 a 1, quebrou o tabu de 9 jogos sem vencer o Botafogo e o urubu virou a mascote oficial para todo o sempre.

Nos traços de Henfil, o urubu rubro-negro agigantou-se e tomou o país em jornais e revistas esportivas.

Hoje, Uruba e Urubinha alegram crianças e adultos em jogos do Flamengo.

 

 

A Charanga

Por definição, Charanga é uma banda de música composta apenas por instrumentos de sopro. Podendo também ter algum instrumento de percussão. Para o Brasil, charanga significa sua primeira torcida organizada.

Tudo começou num 11 de outubro, há 73 anos.

Nas décadas de 40 e 50, as torcidas não xingavam ou vaiavam seus jogadores. Só valia apoiar. Era até proibido ter esse tipo de reação. A torcida suportava seu time fielmente com gritos inflamados. Nessa época, Jaime de Carvalho, acompanhado por amigos e tocando instrumentos de sopro, em 11 de outubro de 1942, roubaram a cena com suas canções durante um Fla x Flu pela decisão do título. Nos pés de Pirilo, a saga do primeiro Tri.

Ary Barroso fez um gracejo e usou a palavra charanga para designar uma “bandinha, desafinada e barulhenta”. Jaime poderia mas não se ofendeu. Ao contrário. Jaime, resolveu adotar o nome e estava criada a primeira Torcida Organizada do pais: A Charanga.

A Charanga ia a todos os jogos do Flamengo e também da Seleção Brasileira. A torcida ficou eternizada também na música “Samba Rubro-Negro” do sambista João Nogueira.

Hoje, 73 anos depois, só Cunhado está vivo. Os demais membros já são falecidos. Mas a Charanga está eternizada, nos títulos, na história, nas arquibancadas, no Flamengo e em cada coração rubro-negro.


O Flamengo possui Embaixadas em todos os Estados da Federação, com muito mais de uma por Estado. São incontáveis as torcidas do Rubro-Negro dentro e fora do país. Mas tudo começou com a animada bandinha de Jaime e cia.

 


Patrícia Castelan escreve no blog Rubro Negro de Barriga Verde, da plataforma de blogs MRN Blogs.
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