Fonte: Revista Placar via Blog Arquivo Coral

Fonte: Revista Placar via Blog Arquivo Coral

 

Um dos jogos que mais marcaram a minha infância foi justamente contra o Santa Cruz. Foi no dia 4 de dezembro de 1975, pelo Campeonato Brasileiro. Aquele Flamengo jogou com os conhecidos Cantarele, Jayme de Almeida, Junior, Zico, Doval, Rodrigues Neto e Luisinho. Ainda contava com o zagueiro Luis Carlos e o saudoso Liminha, ambos amigos de meu pai. A ficha completa desta partida pode ser encontrada aqui.



Havia muita expectativa em relação a um bom resultado, e o Maracanã lotou com mais de 74.000 torcedores. O curioso é que não vi o jogo. Era uma noite de quinta-feira e eu deitei na cama para escutar a peleja pelo rádio de pilha e acabei pegando no sono. Naquela época eram raras as transmissões ao vivo pela televisão, com a ênfase de que a TV por assinatura, pelo menos na forma como a conhecemos atualmente, ainda não existia no Brasil.

No dia seguinte, eu acordei num híbrido de frustração e ansiedade. Logo procurei saber do resultado da partida. Meu pai, com uma cara de poucos amigos, me disse que o Flamengo perdera o jogo pelo placar de 3×1, e fiquei achando que era brincadeira. Afinal, como que um time com Zico e companhia poderia ser abatido em pleno Maracanã para o Santa Cruz? Mas foi…

Pelos gols, me parece que o Junior foi o Wallace ou o Márcio Araújo daquele dia. E enfatizo que não era amistoso. Um personagem bastante conhecido hoje como treinador, Levir Culpi, na ocasião era atleta do Santa Cruz e recentemente deu um depoimento acerca daquele jogo, que foi incluída como uma das 15 vitórias mais marcantes da equipe pernambucana, que a conduziu às semifinais do campeonato contra o Cruzeiro.

Fonte: Divulgação

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Não quero usar essa derrota histórica para minimizar o insucesso de hoje, na disputa da Taça Chico Science, mas lamento pelo excesso de “ataque de pelanca” dos profetas do apocalipse. Uns já apontam que o ano acabou e outros, pasmem, estão morrendo de medo de jogar contra o Atlético na estreia pela Primeira Liga.

Primeiro que o ano apenas começou. E se esses resultados contra Ceará e Santa Cruz não foram os melhores, a conquista do Torneio de Manaus, no início de 2015, não nos valeu de nada na temporada anterior. Segundo que, para esses que estão prevendo uma derrota desastrosa para o Galo na próxima quinta-feira, só tenho a dizer que ninguém morre de véspera e que o futebol é feito de três resultados possíveis, a derrota é um deles.

Para completar, eu aceito qualquer tipo de crítica, mas não suporto frouxidão. Já vi o Flamengo ser goleado algumas vezes, porém jamais tive medo de vê-lo enfrentar qualquer equipe que fosse. Todos ficaram indignados no dia em que o falecido goleiro Bruno fez cera contra o Cruzeiro, em pleno Maracanã, ocasião em que foi corretamente vaiado. No vestiário, o ex-goleiro ainda foi explicar que estava com medo de levar mais gols!

Se nós não aceitamos a demonstração de fraqueza pelo ex-capitão do Flamengo, como admitir publicamente medo? Até por que sentir medo é uma coisa que nos faz saber a dimensão do que enfrentamos. É como bem diz o professor e filósofo Mário Sergio Cortella, “coragem não é não ter medo, coragem é saber enfrentar seus medos”.

Antes que alguém fique muito irritado comigo, cabe lembrar que, apesar de tanta polêmica, o Flamengo foi o campeão do Brasileirão de 2009, e todas as mazelas foram esquecidas. Não obstante essa capacidade de vencer na adversidade ter sido algo que todos comemoramos, eu, na contramão dos que exigem um time que conquiste tudo em 2016, embora jamais deixe de torcer para que isso aconteça, já ficarei bastante contente se a base do time de 2017 estiver montada ainda este ano.

Cheguei a conclusão que quero, de fato, que nossas conquistas venham, enfim, do planejamento. E planejamento envolve paciência, inteligência, persistência, coragem para enfrentar as dificuldades e saber aonde queremos realmente chegar. E precisamos muito mais do que vencer as partidas. Há que existir uma convergência entre os objetivos da diretoria, comissão técnica, elenco e a Magnética.

Se isso ocorrer, eu acredito que o Flamengo dos próximos anos só fará o que determina seu hino: vencer, vencer, vencer…


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