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“Três coisas são necessárias para a salvação do homem: Saber o que deve crer, saber o que deve desejar, saber o que deve fazer”

São Tomás de Aquino

 

E tivemos, enfim, o primeiro debate entre os candidatos à Presidente do Flamengo. Eduardo Bandeira (EBM) pela Chapa Azul, Cacau Cotta pela Chapa Branca e Wallim Vasconcellos pela Chapa Verde. Todos se apresentaram à ESPN, emissora de TV a Cabo, para apresentar, talvez, o primeiro debate em rede nacional entre os candidatos a presidente de um clube de futebol. O que demonstra o enorme gigantismo do Flamengo em relação à todos os demais clubes, em que pese “nacionalizar” problemas internos do clube nas trocas de acusações. Para a ESPN foi bem interessante. Mediou debate eleitoral, algo que talvez nunca tivesse feito enquanto emissora esportiva. A ESPN certamente obteve uma audiência diferenciada, focada em política de clube e na gestão nacionalmente reconhecida como a do EBM. Gestão identificada pelo belíssimo trabalho de recuperação financeira e desenvolvimento sustentável em um clube reconhecido nacionalmente pelo desequilíbrio nas contas e bagunça administrativa.

 

Foto: Flavio H. Souza/MRN

Mas querem impedir que EBM se reeleja. Ex-integrantes de sua gestão, reunidos na Chapa Verde e os, digamos, “tradicionais” opositores, defensores do modelo de administração mais antiga, reunidos na Chapa Branca.

Estes debates televisivos são interessantes por um lado, porque expõem a rapidez de raciocínio em respostas e perguntas, ao mesmo tempo que revelam o controle (ou descontrole) emocional dos envolvidos nas frequentes trocas de acusações. Mas, por outro lado, são péssimos em desenvolvimento de raciocínio e clareza de respostas. Todas as propostas são resumidas, geralmente tendo que antes de se defender de algum tipo de alfinetada ou acusação. E o tempo, curto, inclemente, faz abreviar explicações que deveriam ser mais longas. O clima, portanto, picotado, é mantido artificialmente nervoso pela necessidade de argumentar, contra-argumentar, de forma rápida, mostrando maior controle, e sendo melhor que seu oponente, que na dita tréplica, mantém a última palavra.

Pois bem. O debate começou com EBM e Wallim nervosos e Cacau numa postura mais de franco-atirador com dois objetivos claros: Defesa da popularização dos acessos dos torcedores aos jogos, seja via ingressos mais baratos ou maneiras ditas por ele melhores de se pagar o plano ST (Boleto e débito em conta) e a crítica profunda do futebol apresentado pelo Flamengo durante estes 3 anos. Um tema recorrente em suas respostas e perguntas. Também me pareceu com o objetivo nítido de “mirar” no Wallim, se colocando como melhor e talvez único postulante a  ser Oposição, uma vez que Wallim, como seus pares, pertenceu bastante tempo à Gestão Atual.

Wallim veio com a estratégia de também criticar EBM pelo futebol, acusando de não ter comando e de estar largado. Procurando enaltecer seu grupo, passou também a atacar os que chama de aliados do EBM, entre os quais Kleber Leite, Edmundo Santos Silva e Patricia Amorim, que faria a gestão atual se unir “ao passado” e a velhas práticas que levaram o Flamengo ao endividamento.


EBM, geralmente o foco principal das acusações, pois é a Situação, se defendia mostrando seu enorme conhecimento das vantagens que a adequação do Flamengo ao Profut traria, de novo programa de loteria da Caixa Econômica, da melhoria esperada no futebol através do maior volume de recursos a ser arrecado no próximo triênio. Também disse que o grupo que está com ele já está fechado, e que apoio não significa composição, como a Chapa Verde afirma, e negou também que tenha apoio de vários citados por ele (Como Kleber Leite, Edmundo Silva e Patricia Amorim).

Bem, como novidade em meio ao tiroteio, em que Cacau Cotta criticava a ação do controverso Biscotto como VP de Futebol, EBM reconheceu que Biscotto só ficaria até o fim do ano, no máximo, sendo substituído pelo atual de Planejamento Godinho, uma vez que se tornasse disponível para este cargo, já que está ocupado no momento, coordenando o Planejamento para o próximo triênio.

Na parte do futebol, hoje nitidamente o foco de preocupação de todos os rubro-negros, Cacau Cotta se mostrou contra o Conselho Gestor, e defendeu o comando do VP de Futebol e do Presidente, que também responderia pelo futebol, assim entendi. Talvez a figura do Diretor de Futebol não existiria para ele ou seria diminuída. Precisaria entender melhor. Perguntado qual perfil de técnico escolheria para o Flamengo respondeu que deveria ser um que tivesse pele rubro-negra, e sendo presidente, o técnico seria Jayme com Andrade como auxiliar.

Wallim, perguntado, disse que para ele Jayme e Andrade no máximo poderiam ser auxiliares, e o perfil de técnico para ele tinha que ter “sangue nos olhos”. Sem explicar direito que estilo de jogo isto determina ou ao menos um nome que se adequasse a este perfil. Certamente não o Ney Franco, suponho. Também mencionou que poderia ser até estrangeiro da escola sul-americana (O que gostei) se não encontrasse no Brasil. Repetiu reiteradas vezes da “falta de comando” do futebol. Uma obsessão para ele até chegar a vez do EBM se pronunciar e rebater sobre a falta de comando do Wallim no futebol que levou o Flamengo até a Z4, abandonando o navio com o time nesta situação. EBM prontamente reconheceu os problemas no futebol. Afirmou que tinha um bom elenco no papel mas que não estava funcionando. Como perfil de técnico, EBM discorreu que técnico tinha que ter o perfil moderno, antenado com os novos tempos de análise de desempenho,scouts, etc. Quanto a acusação de falta de comando, EBM foi rápido em defender o diretor executivo de futebol, que comanda profissionalmente o departamento. Em momento de rispidez com Wallim, disse que o modelo de futebol continuaria e a Chapa Azul seria eleita. Ficou nervoso nesta hora.

Nenhum dos candidatos mencionou sobre estilo de jogo esperado ou estrutura de futebol sugerida. Minto. Wallim disse que contrataria um gerente de campo, possivelmente um ex-jogador do Flamengo, e que teria Zico como gerente da base. No que a jornalista Martha Menezes (O Dia) desmentiu algum tempo depois informando que Zico tinha acabado de dizer para ela que não assumiria mais qualquer cargo no Flamengo.

As propostas de um bom gerente de campo (acho besteira ser ex-jogador do Flamengo, tem que ser um profissional eficiente na função), probabilidade de técnico sul-americano e a busca de um técnico antenado com os novos tempos foram os pontos altos ao meu ver.

E em outro bloco, Wallim defendeu o fim da meia-entrada e ingressos gratuitos, que acabam onerando os demais pagantes e ingressos mais baratos no Setor Norte, com a retirada de cadeiras, deixando a arquibancada caber mais pessoas. No que foi apoiado por Cacau, que repetia que ingressos para ele tinham que ser mais baratos (até 25 reais). EBM defendeu a política de ingressos atuais, dizendo que o clube não poderia ter prejuízo. Perguntado qual seria sua alternativa para diminuir preço, EBM falou do cartão pré-pago que iria instituir ao ST, que solucionaria para quem não tem cartão de crédito mas quanto a proposta de redução de preço de ingresso não conseguiu explicar a contento, falando de uma proposta de loteria, que deixou tudo meio no ar.

EBM perguntando sobre a FERJ ao Wallim, questionou o posicionamento da Chapa Verde em relação a FERJ. Wallim criticou que não entende a postura do Flamengo de “rompimento”, que não manda ninguém às arbitrais, se submetendo às vontades da FERJ. Alegou também que EBM desrespeitou a decisão de grupo de não ir a determinada arbitral ao invés de mandar Michel Assef em seu lugar. Ele foi e acabou sendo desrespeitado e ofendido no local. EBM questionou Wallim, respondendo algo a mim novo, que nunca teve esta “decisão de grupo” dele não ir à FERJ naquele dia, e que ele, como Presidente, poderia ir sim a qualquer reunião representando o Flamengo. Acusou o Wallim  de mostrar desconhecimento das consequências de se desligar da Federação, acarretando perda de direitos de jogadores e ida à quarta divisão. Clima esquentou.

Em outro momento Cacau estocou Wallim. Perguntado sobre a Arena da Gávea, Wallim informou que não era contra nem a favor, muito menos o contrário, dando a entender que faria um Plano Diretor para a Gávea e lá definiria onde ela ficaria. O que é lamentável por todos que conhecem o esforço que o clube vem tendo há anos para conseguir viabilizar a Arena da Gávea no local do atual estacionamento externo. Mas, dizem, a Chapa Verde entrou em acordo com tenistas e frequentadores da Gávea, que são contra mexer naquela área interna do clube mais colada ao estacionamento. Acordo político é direito de toda Chapa. Mas, que assumam. Cacau então acusou de ser um mau VP de Patrimônio (não colocando nem um prego no CT) e de ser dúbio em relação a Arena, a qual se mostrou totalmente contra. Defendendo a ampliação do ginásio Helio Mauricio.

No final os candidatos apresentaram suas despedidas em um dia tenso de debates.

O que achei? EBM se mostrou mais “institucional” e ponderado, apesar de alguns instantes de nervosismo. Tem propostas mais amplas e não procurou o tom acusatório. Wallim, procurando desde o início se posicionar como “a alternativa” a Chapa Azul, foi enfático e duro nas acusações, sem mostrar ser mais propositivo ou externar as ditas vantagens de sua chapa. Cacau Cotta, com mais jogo de cintura político, teve boa presença em cena, com suas críticas ferozes ao futebol, no qual responsabilizou ambos e na defesa do torcedor mais carente, embora suas propostas apresentadas não explicarem ou realmente solucionem estas questões. Na minha opinião este debate terminou na seguinte colocação:

1º Lugar: EBM
2º Lugar: Cacau Cotta
3º Lugar: Wallim.

E vocês, concordam?


Flávio H. Souza escreve no blog Pedrada Rubro Negra, da plataforma MRN Blogs. E também no butecodoflamengo.com. Twitter: @PedradaRN

 

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