A culpa é dos jogadores, cansados de ganhar centenas de milhares de reais/dólares pra viajar o país, receber o carinho de milhões de torcedores e ter que correr mais que o normal duas vezes por semana. A culpa é deles por não buscarem evolução, por acharem que o time sempre joga bem, apesar do resultado. É da incapacidade de refletir que o trabalho é mal feito e que eles, atletas, não fazem o menor esforço para mudar isso. A culpa é dos jogadores, que não mostram brio algum e que jamais se reúnem para dialogar e tentar mudar as cagadas já consumadas.

A culpa é do técnico Muricy Ramalho, que achou que uns dias na Catalunha seriam suficientes para transformar jogadores sem formação em super estrelas como Messi e Iniesta. A culpa é dele por não aproveitar devidamente a base, por escantear jogadores que ofereçam algo de diferente ao que já existe (e tá ruim!) no elenco atual. A culpa é dele por insistir nesse maldito 4-3-3, tão mal pensado e executado desde os tempos de Vanderlei Luxemburgo. A culpa é dele por torrar a paciência com esse discursinho de que tem que viajar muito, que não tem casa pra jogar.

Rodrigo Caetano concede coletiva na Gávea. Foto: Yann Rodrigues/ Mundo Rubro Negro)

“Vou trazer o Maboula Lukunku”. Foto: Yann Rodrigues/ Mundo Rubro Negro)

A culpa é do Rodrigo Caetano, que mais parece um jogador profissional de Elifoot do que um executivo de futebol. Que aparece nas janelas de transferências especulando dezenas de nomes (incluindo, quase sempre, os óbvios Robinho, Kléber Gladiador, Conca e afins) e para quem a resposta correta para todos os problemas é contratar. Tá ruim com o Wallace? Traz um zagueiro. Tá ruim com o Éverton? Busca o Fernandinho. E assim a base fica de lado, a folha salarial aumenta e o pouco dinheiro separado para investimentos assertivos vai para o buraco. Cobrar o elenco? Empurra essa pica pro Muricy, ele fala grosso.

A culpa é do vice-presidente de futebol, Flavio Godinho, o terceiro (ou seria quarto?) no cargo desde o início da gestão Bandeira de Mello, para quem os problemas são sempre pontuais. “Falta um jogador x”. Não temos casa para jogar, não aproveitamos a base, o time não evolui, perdemos clássicos em sequência e o problema, DE VERDADE, é que falta um jogador? Onde estão as cobranças? Por quê o futebol não responde por metas e resultados, como todas as outras pastas do Clube de Regatas do Flamengo?

Tontonho: A força de uma paixão. (Foto: Arquivo Pessoal)

Tontonho: A força de uma paixão. (Foto: Arquivo Pessoal)

A culpa é do presidente Eduardo Bandeira de Mello, que em 3 anos e meio de gestão fez tudo que nunca foi feito no clube, trouxe credibilidade, brigou por mudanças no futebol brasileiro, mas não brigou por mudanças no modelo de gestão do futebol rubro-negro. A culpa é dele, figura máxima de um modelo que existe no clube, por não se posicionar de maneira firme quanto ao futebol. É a postura blasé, quase despreocupada, que contamina todo esse funil molambo.

A culpa é de qualquer indivíduo que acha que a responsabilidade é da torcida. Torcida que lotou aeroportos de todo o país para receber esses jogadores, essa comissão técnica. Que não parou de apoiar, que não parou de lotar estádio. Rubro-negros de todos os cantos moveram mundos para estarem perto do seu time do coração. Pra nós, viajar para estar perto do Mengão não é sacrifício, é prazer. Não, a culpa não é nossa. Respeitem o Manto Sagrado, respeitem a Nação.

 
 

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Daniel Endebo

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