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Flamengo e Leo Moura: uma reflexão para a torcida

Flamengo e Leo Moura: uma reflexão para a torcida

Por Daniel Endebo (Twitter: @danisendebo)

Momentos antes de 2014 se encerrar, a Nação Rubro-Negra foi surpreendida com a informação de que o contrato de Leonardo Moura, jogador mais antigo do atual elenco, ainda não foi renovado. A novela que se arrastou ao longo de todo o mês de dezembro, supostamente, ganhou contornos de prorrogação por conta de um texto – “O Ingrato” – publicado pelo atleta em uma rede social.

A decisão de renovar o contrato do atleta só será oficializada no início de 2015, mas ainda divide opiniões entre torcedores. Boa parte da torcida vê no lateral um grande ídolo, jogador que honrou o Manto Sagrado e que defendeu em mais de metade de sua carreira (um feito notável no futebol atual). Outra ala da Magnética entende que o tempo do jogador passou, que é hora de renovar o elenco. O debate é intrigante e, naturalmente, não possui um gabarito. O ponto central desse texto é, portanto, propor uma reflexão. Elencar uma série de argumentos que nos afaste de uma análise simplista e passional. E, com isso, aceitar com leveza qualquer que seja a decisão envolvendo o atleta.

Ponto 1: Leo Moura é o maior ídolo do atual elenco rubro-negro?
Após quase 10 temporadas como jogador do Flamengo, mais de 500 apresentações pelo clube e uma série títulos conquistados na Gávea, Leo Moura é o último dos moicanos de um grupo de jogadores (não dá pra chamar de geração, né?) que marcou época no Flamengo. É natural que os torcedores vejam no atleta um símbolo de sucesso – afinal, são 8 títulos. A longevidade também dá ao fã uma tolerância maior aos erros do capitão.

Mas Leo Moura não é primeiro, nem único ídolo da história do clube. Não é sequer o maior lateral-direito em todos os tempos. Enverga a braçadeira pelo tempo de casa e nitidamente não é o jogador com perfil para o cargo. Ídolos vêm e vão, e o torcedor sabe reconhecer o jogador que merece seus aplausos. A ausência de uma referência é sempre campo fértil para o nascimento de outras.


Ponto 2: Leo Moura não é o mesmo de antigamente
O lateral-direito ofensivo, veloz e insinuante que desfilou no Maraca entre 2005 e 2009 deu lugar a um jogador menos participativo e mais vulnerável. Apenas para ilustrar: desde 2010, Leo marcou apenas 13 gols – mesmo número do total feito em 2008. O número de assistência também despencou em mais de 50% no mesmo período. A defesa, histórico ponto fraco do jogador, fica cada vez mais evidente.

Mas isso não faz do moicano um jogador dispensável. Leo Moura não se desespera em grandes jogos (como já aconteceu, por exemplo, com Rafael Galhardo e Leo, potenciais substitutos do capitão) e, apesar da idade, ainda atua em um número elevado de partidas – em 2014, foram 50 apresentações. Se usado em doses homeopáticas, pode oferecer um pouco mais dos ótimos momentos que teve em seus primeiros anos.

Ponto 3: Um alto custo que não se justifica?
Tantos anos como titular do Flamengo deram ao atleta o direito a um contrato vantajoso. No atual elenco, Leo Moura certamente está entre os maiores vencimentos. Em uma fase de ajustes financeiros, o clube necessita prudência para não meter os pés pelas mãos. E o debate passa a ser: devemos despender tanto em uma posição que pode ser ocupada por um jogador menos custoso? Reduzir o salário do jogador é complicado e encontrar denominadores comuns nessa altura de sua carreira, é tarefa árdua.

A opção de propor um contrato curto é interessante do ponto de vista financeiro; o Flamengo termina o estadual e, com ou sem título, se despede do atleta. A questão é que o Carioca não dá retorno e, portanto, gastar tanto com o jogador beira a irresponsabilidade. Um caminho, entendo, é um plano pautado em ações de marketing e royalties de produtos oficiais. Desse modo, a diretoria potencializaria suas receitas e exploraria o carinho que os torcedores têm pelo jogador, justificando o valor investido.

Ponto 4: O clube defenderá sempre seus interesses
Uma questão das mais complicadas para o torcedor entender é: o Flamengo não pode, simplesmente, aposentar compulsoriamente um jogador – talvez em um caso de comprovado problema de saúde, o que não acontece com o lateral rubro-negro. Se o jogador decidir seguir profissionalmente por mais 5 anos, o Flamengo deve renovar pela manutenção do sorriso do torcedor? Aqui, não vale debater se o jogador “merece pois está há muito tempo no clube”, mas sim se ele é capaz de produzir tanto quanto o clube precisa. Isso já se passou com dezenas de monstros do esporte – inclusive no Flamengo. O caminho é um só: ou o jogador prova que vale cada centavo investido ou se reinventa de modo a conciliar os seus interesses particulares com os da instituição. Os dois maiores laterais do clube passaram por isso e o resultado, todos sabemos.

O debate se estenderá pelos próximos dias (ou semanas). O melhor que podemos (pra não dizer a única coisa) fazer é refletir. Pensar em como 2015 pode ser bom para o Flamengo. Tendo ou não a mesma camisa 2 em campo.

SRN e um feliz ano novo!

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