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Esta eleição do dia 07 de dezembro é realmente peculiar.

Uma chapa (verde) criada para combater a chapa (azul) do qual seus membros saíram durante o exercício de mandato. Estes membros dissidentes, formavam então, um grupo dentro de um grupo, ou partido dentro de um projeto de governo. Como acontece nas democracias pelo mundo, todo partido que forma um governo de coalização, pode se sentir insatisfeito e abandoná-lo, deixando, portanto, o governo vigente. Foi o que aconteceu no Flamengo.



Este partido dissidente resolveu então, concorrer as eleições presidenciais. Claro que como partícipe do governo de coalização até o momento de sua saída, se concede a responsabilidade de todas as boas ações e bons resultados apresentados em sua campanha eleitoral, atribuindo ao governo vigente, da parte que não lhes toca, todas as mazelas e desconfortos.

Até aí, esperado. Uma campanha eleitoral entre chapas concorrentes precisa de distensões entre as mesmas, pois, se não existissem, estas estariam unidas. Mas há um problema de discurso. É de desconstrução. E ele não fecha muitas vezes porque, efetivamente, os caciques da chapa verde estiveram na gestão até recentemente.

Querem exemplos? Vejamos:

Nós da Chapa Verde, assim como toda a torcida do Flamengo, não estamos satisfeitos nem com a gestão nem com a performance do futebol do Flamengo.
E vamos mudar tudo.
OK. De certo todos estão insatisfeitos. Porém vamos lembrar que Wallim foi o vice-presidente durante quase metade do mandato. Landim, Tostes e Bap fizeram parte do Conselho Gestor do futebol durante todo o tempo. Pretendem mudar o que eles mesmos construíram? Por que não mudaram tudo enquanto estiveram lá?

Em nossa gestão o Flamengo voltará a ser grande e vencedor.
Não entendi, a chapa verde fez parte da gestão atual ou não? Não são o “grupo que virou o jogo”? Se foram parte, então admitam que não foram capazes de tornar o futebol grande e vencedor.

Nosso VP de futebol será um craque em gestão e liderança.
Um exemplo de conduta.
Implicitamente, essa afirmação pode inferir que os que lá estiveram não eram craque em gestão e/ou líderes. Só que Wallim foi VP de Futebol nessa gestão. Então o Wallim, o candidato da chapa, não é craque em gestão e/ou não é um líder?

Vamos definir o perfil do jogador do clube. Só vai jogar aqui quem honrar a camisa – dentro e fora de campo.
Mais uma vez: Wallim foi o vice-presidente durante quase metade do mandato. Tostes atuou diretamente junto ao futebol após a saída do Wrobel, fazendo a ponte com o Conselho Gestor de Futebol, fazendo as vias de um VP. Landim, Tostes e Bap fizeram parte do Conselho Gestor do futebol durante todo o tempo. Por que não fizeram isso enquanto estiveram lá?

A título de exemplo: dos jogadores do “Bonde da Stella”, a maioria foi contratada com a iniciativa e/ou anuência dos líderes da Chapa Verde. Como foi feita a análise do perfil desses jogadores?

Teremos um Gerente de Futebol – um ex-atleta identificado com as nossas melhores tradições – com a exclusiva missão de acompanhar o dia a dia de nossos jogadores – dentro e fora de campo, de forma a jamais termos outro episódio como o do “bonde da Stella”.
Pergunta que não quer calar: Wallim foi o vice-presidente durante quase metade do mandato. Tostes atuou diretamente junto ao futebol nesse ano. Landim, Tostes e Bap fizeram parte do Conselho Gestor do futebol durante todo o tempo. Por que não fizeram isso enquanto estiveram lá?
O departamento de futebol já possui o cargo de Gerente de Futebol, que era ocupado até algumas semanas atrás pelo primo do Bap, Gabriel Skinner. Após a saída do Tostes da vice-presidência de futebol e da diretoria, e a entrada do Biscotto, foi feito um acordo com esse profissional e ele foi trabalhar com o Luxemburgo na China. Segundo informações, a diretoria está em negociação avançada com um profissional experiente, capacitado e de raiz rubro-negra.
Mas ok, vamos analisar a proposta em si. A descrição do cargo parece muito mais com uma vaga de inspetora de colégio de ensino fundamental do que um Gerente de Futebol. O Gerente tem que ser capaz de organizar, coordenar e supervisionar todas as atividades do Clube relacionadas com o Futebol Profissional, e não apenas ser babá ou detetive de jogador de futebol. Inclui-se aí: (i) ter familiaridade com as metodologias científicas que estão sendo implementadas no clube e que é o que há de mais moderno no esporte; (ii) planejamento das atividades do departamento; (iii) gerenciamento do orçamento; (iv) gerenciamento das atividades relacionadas à Comissão Técnica e áreas de apoio; (v) prospecção de novos atletas, entre outras tarefas. Deve ser um profissional que tenha formação acadêmica compatível para a função, experiência prévia em outros clubes, e, claro, identificação com o clube.

Teremos um técnico com vontade de Vencer, Vencer, Vencer. Sempre.
Pergunta que não quer calar: Wallim foi o vice-presidente durante quase metade do mandato. Landim, Tostes e Bap fizeram parte do Conselho Gestor do futebol durante todo o tempo. Por que não contrataram técnicos com esse perfil enquanto estiveram lá? Os técnicos Jorginho e Ney Franco, contratados na gestão Wallim, tinham esse perfil vencedor?

Sobre a proposta em si é um tanto superficial. Considerando que os líderes da Chapa Verde foram os principais responsáveis pelo futebol nesse triênio, essa falta de entendimento do que representa um técnico deixa claro o que levou o clube ter tantos profissionais ao longo desse triênio.

Finalizaremos o CT profissional em 6 meses – já temos os recursos.
Nas apresentações da Chapa Verde, a origem desses recursos não está clara. Já foi ventilada a possibilidade de aporte de apoiadores da Chapa Verde. Entretanto, não deram nomes aos doadores dos recursos ou quais seriam as contrapartidas. Em outras apresentações da Chapa Verde foi dito que vão contrair um empréstimo de R$ 30 milhões na Caixa ou BNDES para terminar o CT. Existe ou não o recurso? As promessas são baseadas em alguma projeção técnica de cenários?
Além disso, retorno mais uma vez a mesma pergunta: Wallim foi o vice-presidente durante quase metade do mandato. Tostes atuou diretamente junto ao futebol nesse ano. Landim, Tostes e Bap fizeram parte do Conselho Gestor do futebol durante todo o tempo. Por que não captaram esses recursos enquanto estiveram lá?
O CT também é uma prioridade da Chapa Azul, e não dependerá da ajuda de terceiros, por mais bem intencionados que estejam. Os recursos já estão disponíveis e consta que as obras já serão iniciadas esse ano.

Na base, mudaremos tudo.
Vamos voltar a fazer craques em casa.
Pergunta que não quer calar: Wallim foi o vice-presidente durante quase metade do mandato. Tostes atuou diretamente junto ao futebol nesse ano. Landim, Tostes e Bap fizeram parte do Conselho Gestor do futebol durante todo o tempo. Pretendem mudar o que eles mesmos construíram? Por que não mudaram tudo enquanto estiveram lá?

O trabalho de formação de jogadores é essencialmente de longo prazo. O trabalho em andamento já demonstra bons resultados. Conquistamos esse ano o certificado de Clube Formador, o que blinda os nossos jogadores das investidas de outros clubes. O sub-15 teve em 2015 dez jogadores convocados para seleção de base. No profissional, voltamos a revelar jogador no nível das nossas tradições, como o lateral Jorge. Sempre é possível melhorar, porém rupturas no trabalho desenvolvido só atrapalhariam o processo em andamento.


Concluindo, o discurso da Chapa Verde é voltada a uma retórica de frases de efeito, sem realmente esclarecer como pensam em implementar. Aproveitam o momento ruim do futebol, que é, diga-se, consequência do trabalho destes 3 anos.

Claro que, como sabem, apoio a reeleição da Chapa Azul. Não escrevo pelo Chapa nem falo pela mesma. Mas, como participante do processo eleitoral como eleitor, e crítico das opções apresentadas, deixo aqui meu parecer. Respeito, claro, as opiniões dos apoiadores de todas as chapas que por ventura lerem esta coluna. Deixem suas considerações na parte dos comentários.


Lembro que esta opinião é minha, não representando em nenhum momento, o posicionamento do Mundo Rubro Negro em relação às eleições do Flamengo.

 


Flávio H. Souza escreve no blog Pedrada Rubro Negra, da plataforma MRN Blogs. Twitter: @PedradaRN

 

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