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Todos nos orgulhamos de ter a maior torcida do Brasil, batemos no peito e bradamos alto que somos o único clube nacional, uma verdadeira Nação, enquanto o Corinthians é um clube de grande torcida, porém regional, sem a representatividade que o Flamengo tem.

Quando o Flamengo vai jogar em outros estados geralmente há festa, grande recepção no aeroporto, estádios cheios, e, por várias vezes, estão em maior número que a torcida do time da casa. Quando se faz necessário que o Flamengo venda o mando de campo, salvo raras exceções, a torcida também comparece e faz bonito.

E os rankings de venda de camisa? Não há qualquer dúvida de que o Flamengo vende mais produtos oficiais, incluindo camisas, como prova o ranking da Centauro onde desde julho o Flamengo só não liderou nos meses de outubro (3°) e dezembro (3°) mesmo sem fazer uma campanha brilhante.

O programa de sócio torcedor do Flamengo é um dos que menos benefícios concede, inclusive só permitindo adesão por cartão de crédito, também garantindo que só apareçam no ranking do Futebol Melhor os STs que estejam em dia e, mesmo assim, com uma temporada cheia de vexames, o Flamengo aparece em 7° com 65.329 sócio torcedores.

Mas o que tudo isso tem a ver com a eleição do Flamengo?

Havia aproximadamente 7.200 sócios aptos a votar no dia 7/12/2015 para definir quem seria o Presidente do Flamengo de 2016 a 2018 e apenas 2.753 sócios, cerca de 38%, foram exercer seu direito. Menos da metade dos sócios aptos a votar definiram o futuro do Flamengo, clube que só é gigante pela torcida imensa que possui!

Como pode a paixão de quase 40 milhões de brasileiros ser definida por 2.753 pessoas?

Para terem uma ideia do quão ridículo isto é, vamos comparar o Flamengo com o Internacional. Enquanto o clube carioca possui 18% da torcida do país, o clube gaúcho tem apenas 3%, o que em números significa que o Flamengo tem 30 milhões de torcedores a mais que o Internacional. Entretanto, em sua última eleição em dezembro de 2014 o clube gaúcho teve seu destino definido por 21.292 sócios, quase 10x mais votos que definiram a eleição do Flamengo.

Não é admissível que o destino do Flamengo seja definido por um corpo eleitoral tão insignificante, o clube foi fundado com finalidade esportiva e cresceu como marca, como Nação, pelas glórias obtidas pelo Remo, Futebol, Basquete, Vôlei, Ginástica e tantos outros esportes que já foram ou ainda são modalidades profissionalmente praticadas. Já passou da hora do clube se abrir para a torcida, adotar categorias de sócio com preços menores e restrição a visita à sede social.

Uma alternativa seria a mudança do estatuto para permitir que o sócio torcedor tenha direito a voto após 3 anos de contribuição ininterrupta como é o caso da categoria OFF-Rio, que aliás é muito pouco divulgada como opção. Outra medida importante é a adoção do voto online para permitir que quem more em qualquer cidade do país possa votar e minimizar problemas como sócios que não querem enfrentar trânsito e chuva para ir até a sede do clube.

Operações pela internet são tão seguras, que os bancos disponibilizam praticamente todos os serviços online.

Para terem um ponto de comparação da diferença que faz ter votação online, vejamos novamente o caso do Internacional. O clube em 2008 teve votação presencial no Gigantinho e em 8 cidades do interior do Rio Grande do Sul e obteve um total de 7.423 votos para presidente, número que praticamente triplicou com a adoção de votação online em 2014 que teve os 21.292 votos.

Um dos argumentos mais usados para combater essa abertura é a de que o torcedor vota com o coração e não conhece a política do clube, o que é uma mentira deslavada. Hoje em dia qualquer um, em qualquer lugar do globo, pode ficar por dentro do que acontece no clube, inclusive na política, já que temos as chapas fazendo campanha na internet, cobertura da mídia formal e, principalmente, o excelente trabalho da mídia rubro-negra em portais como o Mundo Rubro Negro (@MRN_CRF) ou de pessoas como a Vivi Mariano (@vivi_mariano) e o Túlio do Blog Ser Flamengo (@BlogSerFlamengo) que fizeram uma série de entrevistas e coberturas de vídeo de todas as chapas, com imparcialidade e muito mais conteúdo que a mídia tradicional.

Outro argumento muito usado é o de que uma categoria de associação barata poderia permitir manipulação de resultado. Oras, para que uma pessoa possa votar seria necessário desembolsar quase R$ 1.500,00 em 3 anos, vamos supor que um maluco resolva investir 2 milhões de reais nisso, conseguiria manipular 1.330 votos, o que num universo de quase 70 mil leitores é absolutamente nada! Para conseguir 10 mil votos teria que investir 3 milhões por ano, 15 milhões no triênio e mesmo assim a possibilidade de manipulação não é garantida. Portanto, não aceito como argumento válido.

Para terem uma ideia, se usarmos o percentual de votos do Internacional em relação ao tamanho da sua torcida como parâmetro, o destino do Flamengo seria decidido por 126 mil rubro-negros, um número ainda inferior a 0,5% da torcida, mas muito mais representativo e legitimador que os menos de 3 mil votos que definiram o próximo triênio.

O Flamengo é gigante pela sua torcida, tem um dos maiores orçamentos do futebol brasileiro, torcedores por todo país que sustentam essa paixão ao adquirir produtos oficiais, assistir aos jogos na TV (o que garante nossas gordas cotas de TV), ir aos jogos onde quer que o time jogue e ao assinar planos de sócio torcedor. E, se é a torcida que banca e garante a grandeza do Flamengo, que seja também a torcida a responsável por decidir os rumos do clube.

Saudações Rubro-Negras

Fontes: Blog Teoria dos Jogos, O Globo, S.C. Internacional pág. 1 e pág. 2


Nayra M. Vieira escreve no blog Flamengo em Foco, da plataforma MRN Blogs. Twitter: @NayraMV