“Eu não temerei. O medo é o assassino da mente. Medo é a morte pequena que tráz a obliteração. Enfrentarei meu medo. Não permitirei que ele passe sobre mim ou através de mim. E, quando ele se for, voltarei minha visão interna para olhar sua trilha.
Por onde o medo passou nada restou. Apenas eu permaneço.”

Litania Contra o Medo – Frank Herbert – Duna

Fatídicos momentos de nossas vidas. As decisões. Ir? Não ir? Aceitar? Recusar? Elas permeiam as nossas vidas, norteando e desnorteando. Decisões que custam caro, causam erros enormes, arrependimentos terríveis que doem nossa alma mais forte do que um punhal enterrado em nossa carne. Decisões que cobrem nosso espírito de satisfação pela coragem que tivemos de escolher um caminho em uma encruzilhada. O momento decisivo é sempre um momento de adrenalina. De medo. E justamente é o medo que impede que certas decisões sejam tomadas. O medo paralisa, contagia, causa ansiedade e aumenta a pressão cardíaca. O medo quando não confrontado, torna-se um monstro. E um monstro tão grande que evita-se pensar sobre ele, porque sabemos que seu fantasma está lá. Atrás de nossos pensamentos, procurando flancos para entrar na nossa mente e assombrá-la, tornando-se dono.

O Flamengo este ano evitou partidas realmente decisivas. Escalou times mistos em partidas eliminatórias com o discurso de “poupar”, como se futebol fosse poupança. Optou por não dar o mergulho insano na busca por título, de decidir campeonato. A orientação de ganhar “vaga nas Libertadores” libertou o Departamento de Futebol de ter sangue nos olhos. Tirou-lhes o medo que acompanha todo vencedor. Sim, pois a saga e garra de enfrentar seus medos lhe faz forte. Desafio que não impõe medo, não é desafio. Não é decisão. É um nada morno. O fantasma da conquista tem que querer ser enfrentado, combatido e vencido. Quando se escolhe ignorá-lo está se limitando ao papel de observador, de quem assiste a roda da fortuna girando entre os clubes que têm como maior objetivo as conquistas. Mas eu e você sabemos o quanto o Flamengo está longe deste tipo de pensamento já fazem 3 anos.

O Flamengo parece que tem medo. E em vez de enfrentá-lo com decisão, fica paralisado. Escolhe, então, jogadores e comissão técnica que ficam marcados por frases de cansaço, que comemoram derrotas e sequer falam em títulos em qualquer entrevista. O Departamento de Futebol conduz este marasmo. Está tudo muito confortável, sem exigência de nada. Enfrentaremos a Libertadores com a mesma comissão técnica que errou praticamente tudo em momentos decisivos, em que tinha que dominar o medo e tomar as decisões necessárias para fazer as alterações necessárias, seja em escalação de elenco, mudança de esquema tático e substituições.


O Flamengo é um time medroso de um clube que, paradoxalmente, não tem medo de revolucionar sua administração e trazer conquistas memoráveis em termos financeiros e patrimoniais.

Isto não está casando. Alguma coisa está fora da ordem.

Que 2017 liberte o futebol do marasmo, do medo e das decisões que não alterem o atual ‘status quo’ perdedor.