Nas últimas duas décadas, a torcida do Flamengo se acostumou a ver a expressão “engenharia financeira” sempre presente na página de contratações do time nos principais jornais do país. O termo significa, em bom português, que um novo elemento será acrescido à equação de contratações. Um agente externo – um grupo de empresários, por exemplo – determinante para o sucesso da empreitada. Foi nessa toada que o Flamengo apresentou nomes como Ronaldinho, Vampeta, Romário, Edmundo, e tentou, sem sucesso, trazer o Robinho.


O prazer de assistir à grandes astros com o Manto Sagrado dura até o primeiro atraso salarial. O amor acaba, a relação se desgasta e, pouco depois, time e atleta rumam por caminhos diferentes. A conta, porém, só chega para o clube, que é acionado na justiça e, não raro, cede jovens promessas para bancar o prejuízo. É claro que nem todo negócio é ruim. Adriano, em 2009, não só foi protagonista do título brasileiro, como fez a venda de camisas disparar. Mas a alegria durou pouco mais de um ano. Muito pouco para um clube como o Flamengo, não?

A gestão Patrícia Amorim ficou marcada pela irresponsabilidade e pelo caos financeiros, como se descobriria meses depois; foi ainda ridicularizada pelo tempo investido na recuperação do “parquinho” e pelas medidas populistas (como a apresentação de Vagner Love). Depois de anos de maus tratos, era hora de recuperar o clube.


Foi com essa filosofia que um grupo de empresários se reuniu para resgatar a credibilidade do Flamengo e recoloca-lo em seu devido lugar. Primeiramente na figura de Wallim Vasconcelos, a Chapa Azul reuniu rubro-negros de boa fé, sedentos em ajudar o Mengão e dispostos a construir, junto a esse grupo, o clube mais forte do país.

O início não foi fácil. O buraco indicava uma dívida quase 100% maior do que a publicada. Os jornais estampavam que o Flamengo celebrava a conquista das CND’s, enquanto alguns torcedores se perguntavam “em que posição ele jogava”. As medidas impopulares despertaram a ira da oposição, que se habituou a praticar contratações megalomaníacas e a ceder ingressos às torcidas organizadas; despertou também certo receio nos torcedores, que não entendiam como o clube pretendia ser competitivo com um time que não era capaz sequer de manter o Vagner Love, então artilheiro do clube. A ordem era uma só: daqui pra frente, seremos uma instituição sustentável, responsável com suas contas. Doa a quem doer.

O Flamengo abria mão oficialmente da política das engenharias financeiras para assumir a austeridade como carro-chefe. Entre erros e acertos, o time sagrou-se campeão da Copa do Brasil, anunciou o pagamento de 100 milhões de reais em dívidas e celebrou não ser lembrado como um time que atrasa salários. Em 2014, o elenco encorpou-se e, mesmo com as campanhas decepcionantes – especialmente na Libertadores da América -, o torcedor, antes desconfiado, agora endossa o discurso da diretoria, liderando, inclusive, campanhas que ajudam o clube a pagar dívidas. A política de responsabilidade foi premiada por instituições financeiras, elogiada por jornalistas de todos os cantos e até mesmo temida por cartolas de outros clubes.

2015 não será um ano farto. Se as contratações de Marcelo Cirino (Atlético-PR) e Jádson (Corinthians) se confirmarem, é muito provável que sejam as maiores da temporada. Sinceramente? Eu acho ótimo. Com um elenco menos talentoso do que o atual, o Flamengo ganhou sem sustos o estadual – e a tendência é que os rivais diretos estejam enfraquecidos nesse início de ano. A manutenção da base de um elenco razoavelmente jovem, em busca de um lugar ao sol, é uma grande notícia. A maior parte dos nossos atletas está na fase ascendente da carreira e o futuro é promissor.

Se conquistaremos grandes títulos esse ano? Não sei. Não somos favoritos e nem seremos aclamados pela imprensa como tal. Não importa. Enquanto nossos rivais descobrem as engenharias e são celebrados por isso, nós vamos, de mansinho, fazendo o que é certo. Pagando dívidas, ajeitando a casa, construindo um futuro vencedor. Não desanime se não anunciarmos um selecionável nessa janela de transferências. O futebol brasileiro precisa de um choque e, uma vez mais, é o Flamengo quem está na vanguarda. Pra cima deles, Mengão!

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