imparcialInspirado em um post recente do Blog Teoria dos Jogos sobre a “espanholização” – aspas gigantes – do futebol brasileiro, resolvi pegar um post antigo que comparei os cinco principais torneios nacionais europeus com brasileirão e fazer uma análise sobre a divisão das cotas de tv.


 

 

 

O Diário Ás trouxe uma tabela com as divisões das cotas de tv nas cinco principais ligas europeias:

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O Blog Teoria dos Jogos fez uma tabela com as cotas da TV aberta dos brasileiros em 2014:

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relação  Na tabela ao lado temos a relação entre a maior e a menor cota de TV dos países. Segundo boa parte da impressa, teríamos que a concentração de títulos seria proporcional a maior diferença na cota de tv. Mas isso não ocorre. Para eles, parece que o futebol é uma fórmula matemática simples e universal. Cada medida deve ser analisada de acordo com as peculiaridades de cada país.

Pegando os resultados a partir de 2006, devido a irregularidade do número de participantes do brasileirão em anos anteriores, e fazendo um ajuste na tabela do alemão, já que possui apenas 18 participantes, comparei as ligas. (Caso haja dúvidas, entrem no post antigo e, se a dúvida ainda persistir, pode deixar nos comentários aqui que eu respondo com calma como fiz a mudança na tabela do futebol alemão.)

 

tabelacomparadacompletaVejam que, apesar da melhor divisão nas cotas de TV, os líderes do inglês marcaram muito mais pontos que os líderes do brasileirão. Como consequência, os lanterninhas marcam menos pontos.


Na Espanha temos dois disparando juntos e deixando outros bem para trás – um terceiro corre por fora. No italiano, os líderes disparam e logo cria uma diferença para os inferiores que chega a ser maior que na Inglaterra, mas na 10ª colocação as pontuações se aproximam e depois invertem, ou seja, os menores da Itália marcam mais pontos que os pequenos ingleses.

A França tem um comportamento parecido com a Itália, mas os líderes marcam menos e os menores marcam mais, causando a inversão, comparando com os pequenos ingleses, já na 10ª colocação.

A Alemanha tem um comportamento parecido com o inglês, apesar dos líderes marcarem menos e os pequenos marcarem pouco mais.

Bom, mas acho que só ver as pontuações médias não basta, é preciso olhar também quem ganha os títulos, e é aí que a coisa muda de figura.

 

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Vejam que o tão aclamado futebol inglês possui uma concentração de títulos quase igual ao espanhol. Hoje o Manchester United está em crise após a saída do técnico Van Gaal, mas a sua queda só ajudou a Chelsea e Manchester City se destacarem novamente. Desde a criação da liga, apenas o Blackburn Rovers tirou 2 títulos (94-95 e 96-07) dos Manchester’s, Arsenal ou Chelsea. Bom, mas a divisão da cota de TV está boa, isso que importa.

Enquanto isso o Bayern de Munique não possui um domínio de títulos tão grande assim. Se formos ver o histórico recente, além desses 9 anos, vemos uma distribuição maior e com mudança de campeão a cada temporada. Não é que seja bonito, esportivamente falando, mas a divisão de títulos é maior que na Inglaterra. Já no Italiano e espanhol, o domínio é muito grande, mas um possui 3 no domínio e outro possui 2, respectivamente, com um tentando assustar na Espanha.

O futebol francês e o brasileiro, apesar de terem a divisão da cota de TV 2.16 e 2.59 vezes, respectivamente, mais desigual do que no inglês, são os que possuem a maior variedade nos campeões. Estranho, não? O país que os jornalistas acusam estar no caminho da “espanholização” é um dos mais equilibrados.

 

O que quero mostrar com esses dados é que não é a simples divisão das cotas de TV que determina se um campeonato é equilibrado e bom. Se o clube não dá audiência e por isso a Globo não quer pagar muito para ele, existem outros meios de conseguir renda. Sócio-Torcedor é a nova moda. Os patrocínios também devem ser ativados. Como uma empresa vai investir em um time que mal passa na tv e sequer faz uma ação que dê visibilidade a marca? Não basta estampar a camisa, isso não é nada para um mercado que quer crescer e competir com a Europa.

Além do fator financeiro, as categorias de base podem determinar a competitividade de um campeonato. Hoje eu não vejo como o nosso mercado se mantém. Não lançamos nenhum novo bom jogador e nem fazemos nada para mudar. Quem mais deveria investir na formação de novos jogadores eram justamente aqueles que menos ganham devido ao pouco potencial de sua torcida.

Mas isso tudo só vem com um fator que ainda é um diferencial enorme, já que é raro, é a administração responsável. Essa sim consegue fazer a diferença, não imediatamente, mas consegue. Pessoas criativas e profissionais podem mudar a qualidade do nosso futebol sem precisar ficar nesse papo chato jogando a culpa em um único fator.

 

SRN!