Bauza não é o nome certo se comparado a Sampaoli. Mas deve ser o melhor depois dele.

 

Para entendermos melhor essas duas afirmações devemos levar em consideração alguns pontos. Tentarei suscitar alguns matutados desde ontem, quando escrevi uma parte da matéria Edgardo Bauza é uma boa para o Flamengo, Nação? Conheça melhor o treinador! Convido você nessa breve reflexão, leitor.

Ele precisa de respaldo. Não é técnico amigo de jogador — ou seja, não conserva titularidades em detrimento ao esquema tático ou ao que ele estiver pensando pontualmente para um jogo. E também não significa que é um Professor Pardal, de mirabolantes retóricas sobre o jogo e mudanças à beira de campo que enlouquece a arquibancada.

Se existe mesmo um núcleo vagabundo, uma patota que pensa mandar no time e não joga quando o interesse dela é ferido, creio que trazer qualquer treinador passa pela mudança no elenco, no sentido de desarticular esse grupelho do mal.

Então, trazendo novos líderes para as quatro linhas, chutando alguns dos jogadores filhos da pluta pra longe da Gávea — não tem como mandar todo mundo embora, ilusão –, teremos um elenco com respeito às decisões do novo treinador.

A diretoria tem que saber que Bauza é um técnico que costuma ter começos difíceis. Sua experiência no Vélez e no Al Nassr são emblemáticas. Ele não se sentiu à vontade, respeitado pelos dirigentes e meteu o pé. Depois dessas experiências ele dificilmente aceita propostas que não são vinculadas à um projeto de longo prazo.
 

 
Gosta de aceitar desafios, salário alto não é nem de longe atrativo pro cara. Em 2008 foi considerado o melhor técnico do continente e pouco capitalizou em fama com isso. Dizem que até mesmo deixou de ir pra Europa por se sentir mais desafiado em clubes que poderiam levantar taças, e assim foi com o San Lorenzo.

Bauza é o Tite do San Lorenzo. O cara que tirou o clube de um nível e o colocou em outro.

Com certeza sua saída do San Lorenzo tem a ver com a sinalização de um novo repto. Lembrando que o técnico deixou Los Cuervos na segunda posição do Clausura, um campeonato de 30 confrontos, onde perdeu apenas 5, ganhou 18 e empatou 7. Terminou com apenas três pontos atrás do campeão Boca Juniors.

A viagem de Cláudio Pracownick à Argentina pode ter sido para convencer o técnico. Não vejo outro dirigente com mais potencial de convencer um treinador. Seja mostrando aspectos técnicos quanto emocionais em uma reunião.

Independente de qualquer coisa dita acima, Edgardo Bauza não é o técnico que pode revolucionar o Flamengo, conceitualmente. Todavia, pode sedimentar o processo criando um ciclo competitivo na Gávea. Pensando em um trabalho a longo prazo, não podemos necessariamente ganhar o Brasileiro de 2016, mas com reforços no time e na estrutura, que mudem a dinâmica de trabalho no Ninho do Urubu, podemos pensar em uma vaga na Libertadores 2017 e disputá-la com bastante expectativa de competitividade. Não me atrevo a falar em conquistar a América, isso deixo para os Deuses do Futebol Sul-Americano.

Para a diretoria o meu recado é que independente do técnico, que venha um estrangeiro. O Mengo precisa sair da mesmice e da ciranda de técnicos brasileiros. Não se iludam com um ou outro nome “bom” no mercado. É mais do mesmo, independente do quanto tenha sido vitorioso, do quanto o último trabalho tenha sido bom. Sair da redoma da boleiragem brasileira, esse é ponto. Com estrutura alemã, que venha a disciplina e filosofia argentina. O Flamengo é mistura, a brasilidade do agregar de sotaques… e idiomas. Humildade de aprender com quem vem de fora e acaba ensinando-nos a ser cada vez mais rubro-negro. Raça argentina e talento brasileiro. Cansamos desse Flamengo ensimesmado!

Por fim, minhas palavras para a torcida. Apoiemos sem amanhã um projeto a longo prazo, caso Bauza seja contratado. Técnico bicampeão da Libertadores. Se a taça não for erguida, a culpa, provavelmente, não será dele.

 
Diogo Almeida é editor-chefe do Mundorubronegro.com. Também escreve no coletivo Cultura RN. Siga-o no Twitter: @DidaZico.
 


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