Por Gerrinson R. de Andrade (Twitter: @GerriRodrian) - Do Blog Orra, é Mengo!
Raul Seixas

Raul Seixas nos disse “…enquanto eu provo sempre o vinagre e o vinho, eu quero é ter tentação no caminho, pois o homem é o exercício que faz”.

A frustração nasce do desejo e o desejo nasce da percepção. É aquela coisa, cubra a mulherada com burca, feche a conta no Tumblr, não olhe para as coxas da moça do outdoor, evite a tentação. Com menos tentação, menos ereções e aquele tesão de lobo faminto. Se possível, esqueça que existe uma coisa deliciosa chamada sexo e vá viver sua tediosa plenitude humana.

Em busca de tranquilidade, muitos vivem uma vida negando a natureza, cortando o “mal” pela raiz. Evitam o uísque por medo da ressaca e a maconha por medo da larica, desviam o olhar de tudo aquilo que lhe traga conflito, numa vida de bebê que não desce do berço.

Seria o caso de se evitar Barcelona versus Bayern de Munich, neste jogo da Champions League. A gente aqui na nossa remela, vendo trapalhões, estagiários e cansados jogando bola no nosso time, e ficar de tarado olhando tanto craque jogando, como gente grande, nos trará  duas toneladas de frustração – desejamos o Messi, o Müller e o Schweinsteiger, mas temos mesmo o Mugni, o Araújo e o Gabriel em nossa crua realidade.

Evitando ver o jogo, o pobre torcedor flamenguista não fica nessa tentação de querer jogo bonito, de querer atacante que saiba fazer gol, de querer volante que consiga realizar passe de dois metros, de querer vitória bonita estampada no jornal. Todo este desejo entra pelos olhos – e melhor seria fechá-los para depois não ficar na amargura.

Ao contrário, se o sujeito é da filosofia do “eu quero é ter tentação no caminho, pois o homem é o exercício que faz”, se é velho macho que suporta suas frustrações imensas por tanto desejo não realizado, se é daqueles que até gosta da ressaca, pela saudade do uísque, então o jeito é abrir os olhos, ver a semifinal da Champions, e sonhar com o dia em que teremos, novamente, um time que satisfaça quaisquer de nossas vontades.

Orra, é Mengo!