Se ficarmos olhando para o passado, ficamos no mesmo lugar.

Essa é a frase mais importante de José Neto em sua entrevista para o site da ESPN, um dia depois da conquista deste último Sábado. Deve incomodar o departamento profissional mais conturbado do Flamengo, o de Futebol. O que está dando errado no carro-chefe rubro-negro parece ser um mistério à feição de Sir Conan Doyle. São tantas as pistas dos insucessos de quatro anos seguidos, que fizeram o mais lúcido e equilibrado torcedor se descabelar e virar um neurótico à flor da pele, tentando entender o que se passa. Tudo parece totalmente caótico. E os autores do crime são todos: o presidente, o vice-presidente de futebol, o diretor técnico, o técnico e, claro, os jogadores.



O olhar à frente de José Neto transformou o Basquete do Flamengo em uma máquina de títulos. Sobre não dar tanta importância para o conquistado e valorizar a imaterialidade do presente que vislumbra o futuro, lembrarei, se me permitem alongar um pouco o texto, de duas filosofias em total acordo com o tetracampeão do NBB.

A filosofia budista reforça sempre a ideia de foco no aqui-agora. O conceito é simples. O que passou, passou, não existe mais. Esqueça. O importante é exatamente o momento que estamos vivendo agora, o instante. A meditação budista é um exercício prático sobre a chamada plena atenção, o eterno “estar aqui”. O passado não é subjugado, apenas é usado como aprendizado analítico entre seus aspectos, não uma bula exata a ser modulada em busca do sucesso. Apego zero.

O Alcoólicos Anônimos é a instituição que mais recupera homens e mulheres que vivem sob as garras da bebida. Ensina-se nas reuniões a ideia milagrosa e simples de que não precisa parar de beber a vida toda. Apenas hoje. Um dia de cada vez, eles dizem. E a frase mais famosa desse grupo de ajuda mútua é a famosa “Só por hoje”. Dá certo pra milhares de pessoas pelo mundo. Eles levantam e dizem para si mesmos: “Só por hoje não vou beber”. Li uma reportagem outro dia sobre o membro mais velho do AA no Brasil. Ele não bebe há mais de 50 anos. “Eu só preciso não beber hoje”, declarou.

O Flamengo está arraigado no passado de ouro. Precisa esquecê-lo. Além disso, deve aprender a trabalhar com a calma de uma mente budista.

Focalizar no aqui-agora.

A cada dia é um “só por hoje”.

E isso vale também para todos nós, torcedores enlouquecidos.

 

E para o mais novo personagem dessa história toda, o idolatrado Mozer?

Enquanto Neto vislumbra sempre o futuro. O Futebol do Flamengo busca o passado mais vitorioso para tentar reviver dias de glória.

Mozer, o garoto prodígio da zaga campeã do mundo em 1981, depois de quase 30 anos retorna ao clube, agora como gerente de futebol.

Quem conhece Mozer e já conversou com ele sobre os desafios de um cargo que pretende ser a chave para codificar o mistério do caos, parece satisfazer-se com suas ideias para o trabalho.

E é bom que o novo gerente não seja apenas mais uma das dezenas de resgates do passado de magia. Mozer deve ser a solução de um cotidiano de concentração.

A ponte para uma mente saudável entre o campo e o gabinete dos dirigentes de um CRF completamente aleatório de si.

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Diogo Almeida

Diogo Almeida

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