Homenagem ao rubro-negro Marcelo Rezende, que nos deixou semana passada.

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“Este é um jogo que ninguém – lá da arquibancada, pela tevê ou rádio – viu, ouviu ou assistiu.

Começa a partida. O Flamengo parte para a primeira falta, prometida por Tita: um pontapé no joelho de Jorge Valença. Éder corre. Nunes também.

– Calma – diz Nunes – que aqui é Maracanã e te meto porrada.

São três minutos e o Atlético desce para o ataque. Júnior acerta a perna de Chicão, que retruca:

– Não avança não, filho da p…, que eu vou te pegar.

Nunes passa perto de Osmar para lembrar-lhe “daquela palhaçada do Mineirão” e prometer vingança. Agora são 7 minutos. Osmar avança e João Leite grita desesperado: “Volta, pelo amor de Deus!” A bola é lançada para Nunes e João Leite abandona o gol berrando para assustar o atacante. Esforço inútil: Nunes toca para as redes e sai gritando um palavrão. Agora é o Galo que ataca e, num chute de Reinaldo, empata o jogo. É a vez de Carpegiani se desesperar:

– Onde está a cobertura dessa merda?

Júnior balança a cabeça. Raul incentiva e protesta:

– Aqui não tem homem? Isso não é gol que se tome. Vamos entrar firme, dar porrada. Cadê os homens?

Corre a partida. Chicão manda por na roda, Chicão pega Zico, que reage:

– Olha aqui, se me pegar de novo eu te quebro. Vai pra p…

Chicão coloca o dedo na cara de Zico:

– Sossega, guri.

O Fla está acuado. Quarenta minutos. Nunes pega Luisinho – o zagueiro será substituído no segundo tempo por causa dessa entrada na perna. Falta de Valença em Tita. Chicão chama Valença para a área, enquanto Osmar pede a atenção de Cerezo na marcação de Zico. Mas o Galinho aparece na área e, de virada, faz 2 x 1.

Começa o segundo tempo e Osmar acena para o banco, sai. Aos 16 minutos, Raul pega uma bola nos pés de Palhinha, que toca de leve com a bola na cabeça do goleiro:

– O juiz tá prejudicando a gente. Segura teu pessoal senão o jogo mela.

Raul:

– Isso é guerra. Adoro você mas não entro nessa catimba.

Outro gol de Reinaldo – machucado, capenga, ele empata o jogo. Instala-se uma crise na defesa do Flamengo. Um xinga o outro, Zico grita:

– Agora vamos ganhar. Quero um time de macho. Nessa porra mando eu.

O time avança. Zico grita com Júlio César para marcar, ordena que Adílio seja mais rápido. Reinaldo cai em campo – sente o músculo, faz cera, xinga a mãe do juiz.

José de Assis Aragão revida:

Quebro a cara desse moleque. Tá expulso!

Do túnel, Reinaldo adverte:

– Cuidado, vai ser gol! Faz a falta em Nunes. Mata ele, Silvestre!

Nunes invade, Silvestre hesita. João Leite grita:

– Quebra ele, pega firme!

Gol de Nunes, o gol do título. Em seguida, Chicão é expulso. Palhinha, também:

– Tá satisfeito, seu juiz de merda? Você queria o Flamengo, não é mesmo?

Nunes ri:

– Calma, garotada, que agora é que a festa vai começar.

Zico emenda:

– Vai tomar seu banhinho lá dentro e deixa o campeão dar seu baile.”

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Por Marcelo Rezende, publicada na Revista Placar nº 527, e republicada na Edição Especial nº 1204, da mesma revista.

Adriano Melo escreve seus Alfarrábios todas as quartas-feiras aqui no MRN e também no Buteco do Flamengo. Siga-o no Twitter: @Adrianomelo72
 

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