No mundo do futebol, nada é maior do que o… Futebol! A afirmação pode parecer óbvia. Deveria ser, pelo menos. Mas as várias nuances desse mundo mágico, porém obscuro, transformam o óbvio em dúvida. Maculam as glórias, disfarçam os fracassos e dificultam o atingimento de todo o potencial que o futebol tem, não só como o esporte apaixonante que é, em si, mas como ferramenta de respeito, hombridade e união dos povos.



A história da Copa União de 1987 é de conhecimento comum. Todos que se interessam pelo futebol brasileiro, de uma maneira ou de outra, sabem o que aconteceu. Não irei aqui, reescrever a história, bastando apenas, para situar o leitor desse blog, explicar que existia um acordo, assinado por todos os integrantes do Clube dos 13, esclarecendo que, os campeões do módulo verde (módulo com os principais clubes do Brasil) não disputariam o fatídico quadrangular com os campeões do módulo amarelo.

O acordo foi cumprido. Flamengo campeão, Internacional vice e, à época, Tetracampeonato Brasileiro para o clube da Gávea. Acordo. Palavra. Estava combinado. Lembro que, em 1987, aos 9 anos de idade, vibrei ao ver meu primeiro título Brasileiro. Afinal, apesar de nascer em 1978, era muito pequeno no Tricampeonato, em 1983. A festa no Maracanã lotado foi simplesmente inesquecível. O futebol em sua essência.

Muita coisa foi discutida após a conquista. Confesso que a legalidade do título nunca me preocupou ou incomodou. É difícil para um garoto duvidar de uma coisa que ele e milhões de pessoas viram acontecer com seus próprios olhos. Sempre fui, enquanto rubro-negro carioca, campeão de 1987. Nada será capaz de mudar isso.

Eis que mais um capítulo de uma batalha judicial inócua tem o seu desfecho. Essa semana, o Supremo Tribunal Federal declarou o Sport campeão brasileiro de 1987. Não sou juiz nem advogado, mas pelo que alguns entendidos me falaram, o fez com razão jurídica. O fato foi o estopim para a discussão voltar à tona nas mídias e redes sociais. O Flamengo, por ser o clube com maior torcida do Brasil, provoca esse movimento.

Não se pode culpar os torcedores rivais pela incoerência das suas opiniões: são eles movidos pela paixão, quase que irracional quando se trata do maior rival. E botafoguenses, vascaínos e tricolores têm, como maior rival, o Flamengo. Agora, pensemos com mais clareza e rigor ao julgarmos os posicionamentos de dois atores: os demais clubes, que assinaram o acordo citado no início do texto, e a mídia.

Em tempos da tentativa de resgate do caráter no Brasil, frente a tudo que estamos passando em nossa política e sociedade, essa seria uma excelente oportunidade do futebol, que mexe com o coração dos brasileiros como nenhuma outra paixão, dar um exemplo de dignidade e boa índole. Se todos os clubes envolvidos no acordo se unissem e reconhecessem o Flamengo campeão, se o São Paulo entregasse a tal Taça das Bolinhas, o futebol venceria. Se a mídia, poder independente, fosse uníssona ao esclarecer os fatos ao invés de boa parte dela se vender pelos pontos de audiência que a polêmica baixa oferece, o futebol venceria.

Não, hoje o futebol não venceu. Perde o futebol. Prefiro ficar com a lembrança dos meus 9 anos. Olhos marejados no gol do Bebeto, abraço apertado no meu pai (que me ensinou a ser Flamengo) no apito final do árbitro e a cabeça inocente de quem acreditava em um Mundo justo e melhor no futuro. Ali, naquele momento, acontecia o final feliz do campeonato de 1987. Ali fiz minha morada. Nada pode ser capaz de destruí-la.

 
Felipe Foureaux escreve todas as quintas-feiras. Siga-o no Twitter: @FoureauxFla


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