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A Copa São Paulo de Futebol Júnior abre a temporada do futebol brasileiro. Embora tenha perdido sua essência ao longo dos anos — deixou de ser uma competição, cujo objetivo principal era revelar jogadores, para ser tornar um balcão de negócios — continua despertando o interesse dos torcedores, já que nesta época do ano, os times profissionais estão em período de pré-temporada.

Ávidos para voltarem a respirar futebol, alguns torcedores acabam transferindo os seus sentimentos, sejam eles de contentamento ou insatisfação, do time principal, para os juniores. Os garotos são colocados no fogo e julgados como se veteranos fossem. Os elogios são proporcionais às críticas, criando um paradoxo terrível para os atletas que ainda estão em formação.

A expectativa dos torcedores rubro-negros para a Copinha não era das melhores. Depois de ser campeão em 2011, as melhores campanhas do Flamengo aconteceram nas duas últimas edições da competição, sendo eliminado por Corinthians e Atlético Mineiro, respectivamente, nas oitavas de final. Somou-se ao retrospecto ruim, o final da temporada 2015, onde o time fora eliminado na primeira fase da Copa RS.

Definitivamente o Fla não era favorito, e ainda que velado, existia um temor de que o Mengão nem passasse da primeira fase, quando o time ainda nem havia entrado em campo. A estreia, embora vitoriosa, reforçava esse tipo de pensamento. Frases do tipo “Esses jogadores não vão longe”, foram disseminadas nas redes sociais.

Um pouco mais tranquilo, o Fla mostrou o seu potencial nos jogos seguintes. Bem armada por Zé Ricardo, que soube fazer a integração de alguns jogadores do time juvenil para os juniores, a equipe conseguiu mostrar um bom futebol e derrotar até com uma certa facilidade os seus adversários. O quadro que até então era anunciado como trágico, foi completamente revertido. Ao invés de temer a eliminação, a torcida já começou a imaginar o Pacaembu tomado de flamenguistas no dia 25 de janeiro, como aconteceu em 2011.


Por falar em 2011, não há melhor exemplo do quanto a torcida pode ser nociva à Base Rubro-Negra. Os bicampeões rubro-negros foram alçados ao patamar de craques. Lembro do Adryan sendo chamado de “O novo Zico”. Quanta petulância! Cinco anos após a conquista, NENHUM jogador conseguiu se firmar com o Manto Sagrado.

Embora a Copinha só esteja em sua terceira fase, já temos novos “Adryans, Muralhas, Neguebas, e Thomázes”. Jogadores que muito prometiam, mas por conta da empolgação descomunal da torcida e um erro de avaliação da comissão técnica, que subiu os jogadores sem terem a rodagem necessária, estão tendo uma carreira bem diferente da que imaginávamos.

A torcida rubro-negra não pode repetir esse erro. Novamente, alguns jogadores despontam com boas chances de terem um futuro promissor no Mengão. Ronaldo, Felipe Vizeu, Lucas Paquetá e Patrick são bons jogadores e, se bem trabalhados, podem render excelentes frutos. Mas é preciso ter paciência! Eles não vão jogar no profissional da mesma forma que jogam na Base. O nível é completamente diferente. Pensar que ao subirem de categoria, os jogadores vão resolver os problemas do Flamengo, é tolice.

É melhor, ou menos pior, ver o Márcio Araújo no time principal, do que queimar um jogador talentoso como o Ronaldo.

Foto: MRN

Ronaldo, um dos destaques do Fla na Copinha

 

Fazendo justiça aqui, a torcida não é a única culpada quando um jogador não vinga no time profissional do Flamengo. Leia mais em: Por que o Flamengo não revela bons jogadores como o Santos?